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23 de Julho de 2018

8 de outubro de 2018

Hoje o Pedroca completa seu primeiro ano de vida, e que ano!!!

É engraçado como parece que foi ontem que ele nasceu e ao mesmo tempo, parece que nos conhecemos há anos, tamanha cumplicidade e amor.

Não é exagero quando você escuta uma mãe dizer que não se lembra da vida pré-filho, primeiro porque nossa memória está seriamente alterada kkkkk, depois porque os filhos preenchem nossa vida de uma forma que fica difícil mesmo se lembrar de como era antes.

Os primeiros quinze dias de vida do Pedro foram terríveis para nós, parecia que um cumulus nimbos pairava sobre nosso apartamento. Ao chegarmos ao final de cada dia, começávamos a ficar deprimidos (sim, meu marido, super companheiro, sofria tanto quanto eu). Me lembro de um acontecimento específico no meio desses dias que me marcou profundamente. Eu chorava todos os dias diversas vezes por dia, fosse por emoção, tristeza, medo ou dor, sei lá chorava bastante, mas, o Rudney permanecia lá, forte, me encorajando e me amparando.

Nesse dia, eu, com muito esforço, tentava ordenhar manualmente meu seio, a fim de esvaziá-lo e também de ter LM para oferecer ao Pedro. Estava frio, por isso, sentei no sofá, coloquei uma manta sobre o meu colo e em momentos que cansava e parava, apoiava o copinho sobre a manta. Estava escuro, pois o sofá estava no quarto em que o Pedro dormia. O Rudney entrou e, não me lembro por qual motivo, puxou a manta, em um momento que o copo com 10 ou 15ml de leite estava nele. O leite caiu e ele também. Chorou, por mais de uma hora, parecia naquele momento que ele havia derramado a vida do Pedro no tapete.

E eu me perguntava por que aquilo precisava ser tão difícil?

Nós nos perguntávamos quando é que conseguiríamos curtir aquele bebê e aquela nova vida.

Hoje! Só agora. Não está fácil e acho que nos primeiros quarenta anos não serão rsrsrs, mas, está mais gostoso, temos muito mais momentos curtindo, rindo e brincando com o Pedro.

Não pense que passamos por um ano todo terrível, sem curtir nosso filho em nenhum momento, de jeito nenhum… curtimos muito, em diversos momentos, mas fomos meio no modo “pororoca” arrastando o que tinha pela frente, sem fazer planos, sem pensar direito nas coisas, apenas fazendo, resolvendo o que era mais urgente e indo a médicos (se você está grávida e acha chato ir ao obstetra todo mês, espera só até o bebê nascer!).

Foram milhares de: “Como ele é lindo né Dô?!” e de: “Ele é mesmo de verdade?”; centenas de: “Acho que estamos acertando, né?”, mas, existiram muuuuitos: “Eu sou uma bosta de mãe”, “Não faço nada”, “Não estou fazendo as coisas direito”. Que estranho, só agora, percebi que considero os sucessos “nosso” e os fracassos “meus”.  Mas, tenho refletido muito sobre isso, e buscado evoluir.

A Fabi, costuma brincar que toda mãe acha que seu filho é um gênio, eu não! (Eu tenho certeza hahahha) Passamos por um ano cheio de vacinas, mas, graças a Deus e talvez também ao colar de âmbar que ele usa, nenhuma reação. Tivemos alguns episódios de virose, duas idas ao Pronto Atendimento. Tivemos cólicas que passaram assim que a amamentação exclusiva foi estabelecida. Tivemos três pediatras até chegarmos à doce Dra. Kelly Infante (em minha orações, agradeço sempre a Deus, por tê-la encontrado).

Tivemos fotos caseiras, fotos em estúdio e fotos maravilhosas ao ar livre com os queridos Tiago e Camila do Areia Belleza.

Tivemos cama compartilhada, ninho, colo, berço, cama no chão.

Tivemos certeza de que ele seria filho único… “não, péra, vamos guardar as roupinhas, vai que vem outro”…. “ahhh eu vou vender tudo no Facebook, se vier outro a gente compra de novo”… “eu quero muito outro”… “afff você é louca, eu não quero não”…

Tivemos época de álcool gel, de mão no chão e de chinelo-pirulito.

Tivemos leite materno, desmame gentil (dentro do possível) e mamadeira.

Tivemos IA: nossa que prato lindo, “olha, ele pegou o brócolis, que fofo”… “esfregou no chão”… “aff vou desistir do BLW, faz muita sujeira”. “Ele quer comer de colher, não, ele prefere o garfo”… “hoje pegou com a mão”… “parou de comer, voltou a comer”.

“Nossa acho que os dentes dele vão nascer super cedo, ele está babando demais, dissolve o comprimidinho e passa na gengiva”… “nossa, todo mundo com dente, menos ele”… “ai Gzuis tomara que os dentes não nasçam agora, meus seios não aguentariam”…

Tivemos caras e bocas, agora com dentes, que mordem.

Tivemos taaaaaantas coisas, que parece difícil acreditar que couberam em 365 dias.

Me lembro de falar pro Rudney no comecinho: “Queria tanto congelar esse momento, essa carinha que ele está fazendo, porque sei que ela vai mudar e sei que vou esquecer”. Foto não adiantaria; não retrataria com fidelidade o que víamos.

Tivemos tantos medos e tantas dúvidas.

Tantos erros e tantos acertos.

Tivemos o nascimento de um amor inexplicável, imensurável.

Morremos, nascemos de novo, geramos e estamos criando um ser humano incrível, boa gente, simpático e principalmente feliz!

Peço todos os dias a Deus que ele se conserve assim. Claro que, ao crescer, responsabilidades e tristezas virão, mas, que sua essência seja sempre esse Pedro de hoje.

Hoje, ao deitar na minha cama (pois agora é 1:20h) não terei nada para pedir, apenas agradecerei a Deus por ter sido tão generoso conosco.

 

 

Dani Prado, 34 anos, artesã, mãe do Pedroca.

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