BEBÊ MAMÃES REAIS MATERNIDADE PARTO

Relato de parto 2/3 – Mara, mãe do Samuel

27 de maio de 2018

Dia 27/08/2017  (sábado)

Na madrugada de sexta para sábado fomos dormir e eu acordava regularmente tendo contrações e voltando a dormir entre elas.

Na noite anterior tinha avisado a minha doula Eleonora e ela deixou a doula back-up de sobreaviso.

Às 4h da manhã, levantei pra fazer xixi, e o tampão saiu.
Vermelho vivo, um muco melecado e consistente .
Pensei: “Então, é isso que é o tampão? Então a nossa hora tá chegando meu filho, pode vir forte que a mamãe está preparada!”

E voltei a dormir.

Às 10:15 da manhã do dia 27, falei com a Eleonora no WhatsApp, informei que as cólicas e contrações estavam ‘fortinhas’, mas eu ainda conseguia conversar entre elas. O que significava que eu não estava neeeeem próxima ainda da fase do “trabalho de parto ativo”.

Assim que acabei de falar com ela, assisti a um filme em casa com o Moyses (confesso que não lembro qual), dormi antes do almoço, acordei e almocei um pratão.

Meu apetite não estava alterado por conta das dores.

E durante este tempo todo: contrações espaçadas, e às vezes regulares… mas elas vinham e voltavam o tempo todo.

Às 16h avisei a minha GO. Contei a ela como estava me sentindo e o que havia acontecido. Ela pediu pra avisa-la a partir daquele momento sobre qualquer novidade.

As coisas do bebê estavam prontas: mala, berço (que nunca dormiu kkkk), o bebê conforto já estava no carro, documentos; tudo certo.

Nossa intenção era ir para o hospital só na hora que realmente fosse “o momento”.

De acordo com as coisas que tinha lido e estudado sobre o parto, existiria um momento em que eu entraria num estágio de “transe”, no qual eu precisaria de apoio para algumas tomadas de decisões. Então, quando este momento chegasse, eu precisaria de alguém para dizer “É hora de ir para o hospital!” Ou, não! “Espere mais um pouco.”

Eu confiava plenamente na doula, no Moyses e na doutora que só foi avisada as 16h do dia 27, pois não achei necessário importunar. Eu sabia que estávamos num ritmo que não era o trabalho de parto efetivo ainda, apenas as dores estavam fortes e eu tinha trabalhado bastante minha cabeça pra suporta-las.

Às 19h horas daquele dia, falei para meu esposo para irmos à igreja.
Ele disse que se eu estivesse me sentindo bem, iríamos!
Moyses sempre topou tudo comigo, e ele sabia que se eu estava me sentindo bem, é porque era verdade, e poderia confiar.

Ribeirão Preto é uma cidade que aos finais de semana é bem vazia (a gente fala que parece uma cidade fantasma) . Claro que essa visão é nossa, pois como vivemos muito tempo em SP, sabemos diferenciar o caos de lá com a tranquilidade daqui.
Estou falando sobre isso, pois,  afinal, se algo acontecesse na igreja, eu iria pro HC, sem problema algum. Era sábado e a cidade estava tranquila e sem trânsito, em 10 minutos ou menos, chegaríamos ao HC.

Lembrei de colocar um absorvente, pois se a bolsa estourasse, ele poderia ajudar um pouco. E peguei uma toalha também e deixei no carro .

Fomos, e chegando lá era dia de batismo na Congregação do Brasil.
Igreja lotada, gente em pé.
Ao chegar com aquele barrigão enorme, uma irmã logo me recepcionou e me apertou em um banco lá na frente.

A palavra foi sobre o nascimento de Jesus.

Lá no banco, tive algumas contrações (vááárias, fortes e doloridas).
A moça que estava ao meu lado me olhava e sabia que eu estava “passando mal”, mas eu estava bem; eram contrações com 30 segundos de intervalo e eu já sabia que era só aguentar esses 30 segundos que a dor ia embora e assim que acabavam, parecia que nunca tinham estado ali. Elas iam e vinham como uma onda mesmo.

Assisti ao culto até o final e voltamos pra casa às 21h.

Cheguei e mandei mensagem pra minha doula dizendo que as contrações tinham começado a ficar mais doloridas e ela me passou o telefone da Helena Junqueira, dizendo que, caso eu precisasse, era só chamar.

Também avisei a GO, que estava bem e que qualquer novidade eu avisaria.

Quando das últimas semanas de gravidez, nós decidimos não avisar a ninguém sobre o momento do parto, nem minha mãe, nem as irmãs do Moyses; ninguém.

Nós avisaríamos somente quando estivéssemos em Trabalho de Parto ativo.

Como eu resolvi me afastar do trabalho 25 dias antes do parto pra ficar em repouso e espera, eu recebia uma avalanche de pessoas me perguntando todos os dias:
“O bebê já nasceu? Ainda não? Olha cuidado pra não passar da hora, a vizinha da prima da daminha de honra do meu casamento passou da hora e ela morreu”
“Oi! Me avisa quando nascer, quero ser a primeira a saber”
“Você é louca de esperar, se eu fosse você marcava cesárea logo”
“Esperar é coisa do passado, hoje tem muita tecnologia, sofrer pra que?”
“Sonhei com você, e eu acho que nasce hoje”
“Corajosa você , te admiro”

Todas estas pessoas nutrem um carinho enorme por mim, mas confesso que estava me sentindo pressionada, então, nossa decisão foi estarmos, eu e meu esposo conectados com o nosso parto e não respondendo a what’s app durante este processo.

Combinamos que avisaríamos somente minha mãe e as irmãs do Moyses no momento dos ‘finalmentes’.

Sabíamos que seria muito aflitivo informar para nossos amigos e pessoas da família que “entramos em trabalho de parto” e se por acaso ele demorasse 3 dias para acontecer (como acabou ocorrendo), as pessoas iam ‘fritar’ nossos telefones em busca de informação e eu ficaria nervosa com tudo aquilo.

Por fim, foi uma decisão muito sábia.

Naquela noite, jantamos e fomos dormir.

As 00:54 do dia 28/5,  acordei com muita dor, e mais um pedação do tampão saiu.

Pedi para a Helena vir me ver.
Ela ficou comigo das 1:30 até as 3:30 da madrugada.
Monitorou minhas contrações e me ofereceu uma bolsa de água quente que foi um alívio imenso durante as contrações.

Notou que as contrações estavam espaçadas demais ainda e estavam de 8 em 8 minutos . Ou seja, longe ainda de irmos para o hospital.

Ela nos orientou para que fossemos dormir e assim o fizemos.

Eu dormi e acordei algumas vezes até as 7h da manhã. Tomei muitos banhos quentes que realmente foram muito bem vindos, pois aliviaram bastante.

Esses banhos também ajudaram a engrenar o parto e fomos assim até as 11h da manhã do domingo, quando percebemos que as contrações estavam de 4 em 4 minutos .

Moyses ligou pra Helena e avisou a GO.
Entramos no carro, e fui orientada a ficar em 4 apoios no banco de trás , mas eu estava muito louca e não lembrei disso, na verdade até lembrei, mas as dores eram tão fortes, que eu não conseguia me mexer pra trocar de posição.

O movimento do carro, quando estamos em contração é a pior coisa que eu tinha sentido até o momento.

Moyses dirigindo até o HC e eu pedindo para ir devagar e ao mesmo tempo para ir rápido…

Ao chegar lá, encontramos com a Helena, que avisou que Eleonora estava embarcando em Brasília para chegar em RP, e me acompanhar dentro do HC.

Moyses foi estacionar o carro, dei um beijo na Helena e fiquei sozinha por aproximadamente 40 minutos na sala de espera de internação.

Moyses era meu acompanhante. Depois que estacionou o carro, entrou no HC, foi até a sala de espera e não o deixaram entrar.

Enquanto isso, vi um médico chamado Pedro entrando e dizendo que para me internar ele teria que me examinar antes, para conferir se eu estava com a quantidade mínima de dilatação, que eram 4 cm.

E eu iria fazer o primeiro e temido exame de toque!

Continua amanhã.

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