era assim que ele ficava, após uma boa mamada: dormia profundooooooo
AMAMENTAÇĀO BEBÊ MATERNIDADE

A amamentação pode dar certo!

28 de setembro de 2018

Desde que engravidei, procurei me informar bastante sobre amamentação, pois era algo que eu queria fazer. Não tenho muitas posses e recursos, então, contratar uma Consultora de Amamentação estava fora de cogitação.

Com muito custo paguei a doula e não sobrou nada pra este investimento. Mas, eu sou muito determinada! Quando quero algo, eu faço acontecer. Quem convive bem próximo a mim sabe disso. Meus chefes mais próximos sabem que eu sou aplicada para bater meta e entregar resultados. Quando me formei eu tirei 10 no TCC, pois, eu e meu time aplicamos pra isso!

Meu marido sabe que eu faço o dia multiplicar quando eu preciso dar conta de entregar encomendas de costura, jobs freelancer, cuidar do Samuel, passear, e cuidar da casa. É comum ouvir de outras pessoas que “ela não é tão boa quanto parece”, “ela não é tão legal quanto parece”, de quem não me vê todos os dias e me acompanha de longe.

Eu estou acostumada a ouvir esse tipo de comentário que, normalmente, chegam até mim, não pela pessoa que disse, mas por outras que gostam de mim; e é comum também que essas mesmas pessoas, com o tempo, digam “nossa, você é mais legal do que eu imaginava”, “te achava fake, mas você é bem bacana mesmo”.

Pois é gente! Podem acreditar! Tem gente bacana nesse mundo! Tem gente que acorda sorrindo sim! Tem gente que quer o bem das pessoas sim! Tem gente bacanuda no mundo sim! Não sou santa, nem vou pro céu, mas, eu sou boa no que faço e sou legal.

Desculpem o desabafo, mas, algumas coisas me deixam triste, como por exemplo, ter que provar pro mundo que a gente é legal não faz sentido algum pra mim. Ser bacana envolve atitudes, e não uma auréola em volta da nossa cabeça. Ser bom é o que basta! Não é necessário (ou não deveria ser) ter que provar nada pra ninguém.

Com a amamentação não foi diferente! Eu queria muito, e estava determinada a fazer acontecer. E eu sabia que eu ia conseguir!!! Li bastante sobre o assunto e li principalmente o grupo GVA – Grupo Virtual de Amamentação (você pode dar um Google para encontrá-lo).

Também me aproximei de mães mais antigas, que já tinham filhos adolescentes. Delas eu sempre ouvia: coloca o peito no sol, esfrega a bucha vegetal, coloca todo o peito na boca da criança, enfia o máximo que conseguir e se doer um pouco que seja, está errado. Tira o peito da criança e comece tudo de novo!

Sobre a bucha, esfreguei duas vezes apenas, pois achei que esfolar o peito não ia ajudar em nada. O restante das regras eu fiz todas. A partir do 6º mês, eu tomava sol todos os dias pela manhã. Eu trabalhava à tarde, então, isso facilitava o banho de sol matinal.

Também me aproximei de uma tia minha, a Vilma que é enfermeira e me deu ótimas dica. Sou muito grata a ela!

Quando Samuel nasceu, eu segui religiosamente a regra de retirar o peito da boca dele, caso eu sentisse dor. Afinal, eu sabia que se meu peito rachasse, a amamentação acabaria por ali.

O único desafio que eu enfrentei foi a demora da descida do leite. Meu leite demorou 5 dias pra descer. Isso desestabilizou um pouco a rotina de sono de casa. Eu não estava conseguindo descansar, pois, ele acordava berrando e decidi recorrer ao banco de leite.

Quatro dias após o nascimento do meu filho fui ao banco de leite. E fui muito bem atendida! Cheguei com ele nos braços, com fome! Eu, chorando, e implorando por um atendimento. Elas foram muito amorosas comigo, massagearam o meu peito com vigor, mas com muito respeito e sem machucar. E me garantiram que naquela noite, meu leite viria!

E veio!

Saí do Banco de Leite com a recomendação  de retorno em 3 dias, pois elas queriam me acompanhar, com relação a estabelecer a amamentação, corrigir possíveis pegas erradas e garantir o aleitamento. Naquela noite, fiquei com os seios cheios, enormes, um leve calor na região, mas não tive febre.

Em resumo: fiz um acompanhamento por 6 semanas. Eu ia uma vez por semana e lá encontrei várias enfermeiras bem humoradas, atenciosas, cuidadosas comigo e que sempre me faziam rir de alguma situação. Talvez essa seja a melhor recompensa por ser uma pessoa bacanuda: a gente acaba encontrando gente bacana por aí, também.

Resultado: não tive nenhuma fissura. Nenhuma, nunca em todas as fases da amamentação!

Pra mim, o segredo está na pega correta e as mães antigas com quem eu conversei estavam certas!

Durante 10 dias eu fiz translactação. Com a ajuda de uma sonda que fica no bico do peito, eu oferecia o peito pro meu filho e enquanto ele sugava o leite artificial, ele também mamava em mim; o que fazia com que minha produção melhorasse. Depois que senti que meu leite estava descendo, eu abandonei a sonda.

Hoje, amamento um bebezão de 1 ano e 2 meses. A intenção não era amamentar por tanto tempo, mas, o pediatra ajuda com bons conselhos, o pai do meu filho também está apoiando e assim estou seguindo. Tem dias que fico cansada e penso em comprar um LA, mas, ele não aceita mamadeira nem mesmo com o meu leite. Tem dias que eu acho super prático, afinal de contas o peito tá ali, não precisa esterilizar, nem tampouco, lidar com lavagens de mamadeiras.

Hoje, estou amando amamentar! Passou um pouco daquele sentimento de querer desmamar, e vou seguindo com o meu bezerro.

Para as mamães que estão grávidas, eu tenho alguns recados:

– não deixem que o bebê, ao sugar o peito, produza dor na região. Se doer, está errado! Retire o peito com o seu dedo mindinho e comece tudo de novo;

– não fique com dó de fazer a retirada da boca da criança do peito: amamentar com dor, produzirá uma fissura no seu peito;

– enfie o peito na boca da criança, para isso você deve utilizar a mão em “C”. O dedão ficará em cima da sua auréola, logo que começa a pele, e o outro dedo, o indicador, ficará na auréola, na parte de baixo, logo que começa a pele. Ali, vc vai fazer o “C”, apertando e vai enfiar tudo na boca do bebê. Isso garantirá a pega correta;

– se o bebê ficar com uma boquinha que não entra nem uma agulha, você espera ele chorar um pouco pra poder abrir a boca e enfiar o peito lá dentro, sempre com a mão em “C”.

Espero ter ajudado, e não tenham medo de amamentar! Nem sempre é difícil, nem sempre vai fissurar! Existe esperança!

 

 

Mara, 38 anos. Me entregando para a amamentação, e sonhando com um desmame gentil, apoiada pelo pediatra e pelo pai do Samuel.

 

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