CRIAÇÃO MATERNIDADE

A importância da frustração

5 de novembro de 2018

Antes mesmo do nascimento da Ana Clara, eu e meu marido conversávamos sobre o quão importante seria que ela se entediasse, fosse contrariada e tivesse que argumentar para conseguir algo. Sorte a nossa que pensamos e já pensávamos da mesma forma quanto a isso (caso contrário, eu, a progenitora, teria pulado fora na mesma hora!).

Ana Clara, por vez, chora e se joga para trás sem motivo algum, esperneia e bate sem qualquer motivo. Não quero rotular como ‘birra’ porque conheço adultos que também fazem isso (dadas as devidas proporções) e ninguém rotula como ‘birra’; sendo assim, prefiro acreditar que seja uma ‘má hora’ e repito para mim mesma: “Ana Clara está passando por uma má hora!”.

Quando ela age desta forma, eu me certifico de coloca-la com a cabeça apoiada no chão (para evitar traumas maiores), olho para ela e digo: “A mamãe vai ali e, quando você se acalmar, pode ir até lá também”. Funciona? Às vezes sim, outras não. Mas, acho importante que ela tenha esse momento privado e que eu me afaste para evitar ficar zangada com uma criança que nem sabe o porquê do choro.

Ana Clara tem muita personalidade e detesta ser contrariada. Ela e a prima brincam muito. Muitas vezes, uma pega um brinquedo e a outra vai lá e pega de volta. Pronto! Instaurou-se o Armagedom! Quando não estou por perto, ela resolve o problema (geralmente, quem grita mais alto fica com o brinquedo), porém, quando estou por perto, ela vem pedir socorro e eu digo: “Vai lá, conversa com a sua prima, resolve lá!” Ela se volta para a prima e as duas esbravejam até entrarem em um consenso… e, geralmente, entram.

Como educadora, acredito que as crianças têm que ser capazes de resolver seus conflitos tanto escolares quanto pessoais. É claro que quando o conflito toma proporções dantescas, a interferência do corpo educacional e da família deve ser precisa e pontual para evitar que alunos cheguem ao extremo de cometer, por exemplo, suicídio por conta de bullying sofrido ao longo de um período de tempo ou de qualquer outro tipo de frustração.

Acredito que a criança deve saber que não dá para ser feliz todo dia apesar de tentarmos; é importante que ela saiba que podemos chorar às vezes e que está tudo bem; é importante que ela consiga se expressar, ainda que suscintamente, expondo seus conflitos e medos. É claro que quando a tristeza se torna hábito e o choro não cessa, algo anda mal.

Como mãe, acredito que minha filha precisa saber que nem sempre vai dar tudo certo, apesar de tentarmos fazer sempre com que tudo dê; que nem sempre ela vai ganhar o que pede sem ter um bom argumento para isso (quando puder argumentar, claro!); que nem sempre ela vai tirar nota 10 na escola porque, afinal, as pessoas têm habilidades diferentes e não precisam ser excelentes em absolutamente tuddooooo!

Enfim, quero que ela entenda que se não deu certo, ela pode tentar de novo; que se ela souber argumentar, ela aprenderá o valor das coisas e das conquistas; que se ela for péssima em Matemática e excelente em Artes, está tudo bem porque habilidades e competências são características muito individuais; mas quero, principalmente, que ela saiba que se cair, ela pode se machucar, o ferimento vai doer, mas, vai sarar e que, quando isso acontecer, ela pode tentar novamente.

Fabiana Paganini, 36 anos, mãe da Ana Clara.

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