BEBÊ CRIAÇÃO MAMÃES REAIS

A mãe que eu gostaria de ser x a mãe que eu sou

26 de setembro de 2018

Durante toda a minha vida nunca tentei imaginar como eu seria como mãe, afinal, a maternidade não fazia parte dos meus planos. Mas, isso mudou durante a gestação. Eu decidi ser mãe e precisava estar preparada para aquilo. Comecei a estudar, a me preparar para o que estava por vir, entrei  para o grupo de estudos de Montessori (método pelo qual sou apaixonada) passei a ler diariamente as postagens do grupo Montessori para Famílias no Facebook, li livros e blogs, vi vídeos no YouTube, procurei saber o que era extero  gestação, disciplina positiva e tantas  outras coisas.

Com bases nessas informações, projetei a mãe que eu seria.

Ao entrar no décimo mês  de vida do Pedro eu me sentia perdida, precisando organizar muita coisa dentro e fora de mim. O que mais me incomodava era a distância que existia entre a mãe que eu gostaria de ser e a mãe que eu realmente estava sendo.

Me esqueci que a mãe que eu projetei não conhecia o Pedro, não sabia o que era não dormir por mais de duas horas seguidas, não sabia taaaaaanta coisa.

Gostaria de ser uma mãe calma o tempo todo, daquelas que entendem que tudo é aprendizado, que ele é só um bebê, mas, às vezes estou realmente exausta e não sou essa mãe… e como isso me deixa triste!

Gostaria de ser uma mãe com a casa inabalada, com as decorações, aparelhos eletrônicos e móveis todos no mesmo lugar de antes, mas, não sou. Todos os porta retratos foram guardados, os controles remotos foram acondicionados em gavetas, a TV acaba de ser pendurada na parede, bibelôs de viagens que ficavam na prateleirinha do lavabo deram lugar à barquinhos e livros de plástico.

Eu gostaria de ter rotina, de cantar musiquinhas, de levá-lo à natação e à musicalização. Gostaria de fazer atividades de encaixar, de ler livrinhos diariamente e de orar antes de dormir. Gostaria que ele adormecesse em meus braços enquanto leio um livro.

Mas não sou essa mãe.

Meu filho não é essa criança.

Mas o que eu não posso é sentar aqui e ficar me lamentando. Decidi agradecer pelo que tenho e fazer uso disso.

Tenho um filho saudável e ativo: ele quer mexer em tudo, explorar tudo e acaba de descobrir meu armário de panelas.

Deixo a casa segura com coisas que ele possa mexer sem se machucar e vou aos poucos mostrando o que pode ser perigoso. Aos poucos também estou devolvendo as coisas aos seus lugares.

Me lamentar pelo que eu não consigo ser não me trará benefício algum. Por isso, resolvi que devo olhar pra mãe que eu projetei como forma de inspiração apenas, mas, para a mãe que eu sou, com respeito e admiração. Estou fazendo o que posso e estou sempre atenta para fazer o melhor na próxima vez.

Hoje, próximo ao seu primeiro aniversário, eu só queria voltar no passado e dizer pra mim mesma: pare de reparar no que aquela mãe faz ou deixa de fazer, pare de dizer que se fosse seu filho seria diferente, você não tem como saber!

Aos poucos tenho conseguido me aproximar da mãe que projetei, tenho conseguido oferecer atividades educativas, vivências na natureza. Na última semana, consegui ler todos os dias antes de dormir. Ele está mudando e eu também e essa constante transformação nos enriquece, nos fortalece e nos molda.

Gratidão imensa por ter esse professorzinho diariamente.

 

Dani Prado, 34 anos

Mãe Real do Pedro, em tempo integral.

 

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