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Ajudando meu bebê a liberar o stress

19 de dezembro de 2018

Eu jamais deixei Samuel sozinho chorando, embora eu saiba que chorar e esbravejar pode ser benéfico quando dou o apoio emocional apropriado. Eu procuro não ter soluções para o fim do choro, ao contrário, eu permito que ele tenha uma experiência de ter seus próprios sentimentos e poder expressá-los.

Quando ele chora, eu avalio se todas as suas necessidades básicas foram atendidas. Mas, quando as solicitações são infundadas, quando incorrem ao perigo, ou quando sei que pode incomodar a alguém (quando ele quer bater aos murros a porta da minha vizinha), nesses momentos eu considero que ele está passando por um momento em que esteja precisando liberar suas emoções reprimidas.

Tenho lido bastante que bebês e crianças que já andam, passam por momentos de muito estresse ao se ajustarem às próprias habilidades e circunstâncias, pois tudo está mudando a cada minuto. Chorar e esbravejar são os únicos mecanismos que eles têm de colocar o estresse pra fora.

Se ao chorar, um dos pais (ou os dois) impede que ele esbraveje ou chore, tanto ignorando ou cedendo ao capricho (como deixar bater na porta pois quer evitar a fadiga de deixar com que ele chore depois de retirá-lo), a criança pode concluir que suas emoções estão erradas, e vai continuar a fazer o ato para que agrade ao tutor.

É muito comum ver pais e mães que evitam que suas crianças chorem, mas, ao fazer isso bloqueamos o meio que ele tem de liberar o estresse.

Lendo um artigo do doutor Solter, seguem algumas recomendações em casos de choro:

  • pegar o bebê no colo, olhar bem nos olhos dele, sentar-se e abraçá-lo. Sinta o seu filho. Não precisa se mexer ou balançar. Fique ali, até o choro passar;
  • respirar fundo e tentar relaxar. As crianças têm um nível de percepção absurdo, elas se acalmam, conforme sentem que estamos calmos também;
  • dizer: “estou aqui, mamãe te ama, fico com você até tudo passar, pode chorar o quanto quiser”;
  • se ele não quiser te olhar, diga: “ olhe pra mim, quero te dizer que estou com você”. Toque levemente a mão dele ou o braço. E não se assuste se isso provocar um choro mais alto ainda. É que ele está liberando todo o estresse neste momento, e não pense que o seu toque ou fala o irritou mais. É comum achar que “icheee agora piorou”. Não é isso! Ele está liberando o estresse com a pessoa que ele mais confia. Sabe quando alguém toca nosso ombro e pergunta “ está tudo bem?” E a gente desmorona de chorar? É exatamente isso que acontece com eles .
  • se o choro ficar pior, já no colo, fale como se tivesse falando com um adulto, e não se utilize de voz ridícula: “você está tendo um dia difícil? Conte pra mim o que aconteceu?, por que você quer bater na porta da vizinha? Acho que hoje fizemos muitas coisas! Vamos entrar e ler o seu livro favorito?” E você vai se afastando do local e cumprindo as promessas que fez. Você vai notar que ele começará a prestar atenção em você , e se acalmará.

Os bebês precisam chorar pra liberar emoções e você pode e deve estar com ele neste processo. Um grande erro é dizer, mesmo que com voz carinhosa “ não chore, não precisa chorar”, ou qualquer outra frase que negue os sentimentos do seu bebê.

Nada disso é fácil. Na verdade é muito difícil, é estressante, da vontade de pegar o primeiro avião pra Paris e ir embora do Brasil . E tem dias que dá vontade de colocar ele de volta pra minha barriga.

Mas, quem disse que vida de mãe é fácil?

 

Mara, mãe do Samuel .

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