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Amamentação da Marinna-Branca-de-Neve

6 de agosto de 2018

Antes de engravidar, nunca pensei em como seria a vida com um bebê. Para mim, pelas experiências familiares que tive, não seria nada absurdamente complexo: bebês dormem, a mamãe fica lá em casa tomando canja; se tivesse cesárea o corte doeria e a recuperação seria mais lenta e todas as mães que conheço amamentaram seus bebês tranquilamente… nada além disso. A gravidez da Marinna foi planejada: parei de tomar remédio em dezembro de 2014 mas, continuei trabalhando em um ritmo frenético no primeiro semestre de 2015, sem tempo para nada. A médica ginecologista falou claramente: depois das férias, você vai engravidar. E foi dito e feito: engravidei em agosto de 2015.

Logo nos primeiros meses fomos pensar no quarto da Marinna, pois meu marido é neurótico com essas questões e queria pensar em tudo rapidamente. Em outubro já tínhamos comprado um berço lindo (que foi um investimento totalmente desnecessário no nosso caso), em novembro providenciamos o mini berço e em dezembro já tínhamos o projeto do quarto da Marinna todo desenhado. Faltava uma poltrona de amamentação e mais alguns detalhes de enxoval. Na minha cabeça, era óbvio que eu sentaria toda plena na poltrona de amamentação para desfrutar desse momento com a Marinna sem me preocupar com absolutamente nenhum outro ponto. Nunca li nada sobre amamentação na gravidez, mas lia tudo sobre parto normal, que era um sonho mais complexo diante das taxas elevadas de cesárea e as diversas desculpas dos médicos para a indicação do procedimento.

Tenho uma grande amiga dos tempos de escola que é enfermeira com especialidade em amamentação e logo conversei com ela para fazer os cursos que ela ministrava: cuidados práticos com o bebê e amamentação. Lembro claramente de, no curso de amamentação, eu falar que não sabia por que tanto mistério em algo que eu sempre vi como natural, como tranquilo. Afinal, todas as minhas primas, na minha lembrança, tinham amamentado sem maiores problemas, minha mãe amamentou os três filhos, por exemplo. Como poderia ser diferente? Mas, seguindo o ditado de que a gente nada no cuspe que jogou pra cima, eu nadei de braçada em absolutamente tudo o que falei!

Enfim, Marinna nasceu de 40 semanas através de uma cesárea. Tentamos a indução do PN mas a médica já havia alertado: ela havia deslocado a cabeça do canal vaginal e estava bem preso com o cordão passando pelas costas e pelo pescoço. Não havia risco para o PN, mas a chance dela descer era baixa. Eu tinha contrações constantes desde 35 semanas, com muita falta de ar, mas elas nunca ritmavam. Com a indução, as contrações ficaram ritmadas mas sem qualquer dilatação mesmo após 4 horas de soro. Chorei, frustrei e fomos para a cesárea. Tivemos um contratempo com o pediatra que receberia a Marinna, então não consegui conversar com ele sobre a amamentação na primeira hora de vida, mas, consegui ficar com as mãos livres durante o parto para poder abraçar a Marinna e toda a equipe foi muito respeitosa em todo tempo. Meu marido acompanhou cada segundo do parto e logo quando a Marinna foi levada para os procedimentos de medida e banho, ele acompanhou absolutamente tudo, sem desgrudar um minuto da filha.

Nos dias que se seguiram na maternidade, não notei nenhum tipo de dificuldade da Marinna para mamar. Ela aparentemente sugava, mas eu não sabia se estava tudo bem. O pediatra e a obstetra observaram que ela havia nascido com a cabeça um pouco torta, mas ambos foram tranquilos em dizer que essa situação era passageira e rapidamente tudo ficaria normal. Lembrando das orientações da minha amiga de que os bebês nascem e sentem muito sono e pouca vontade de mamar, eu ordenhava o colostro e oferecia na colher para a Marinna. E assim, tivemos alta.

Em casa, na primeira noite, a Marinna chorou muito. Muito mesmo. Eu tentava fazê-la pegar o peito mas não conseguia. Não achávamos posição. Meu marido tentava me ajudar durante toda a madrugada, mas nada dava certo. Ordenhei novamente e ofereci o leite na colher. No sábado de manhã, minha amiga já me ligou perguntando como estávamos e eu clamei por ajuda. Ela chegou no sábado a tarde e nossa saga começou: Marinna não mamava direito, não conseguia acordar, não tinha posição para amamentarmos. Usamos sonda, copo e a situação estava cada vez mais tensa. Perto das cinco da tarde conseguimos fazer Marinna pegar o peito: eu estava de pé, com ela no colo, em uma posição totalmente desconfortável. Aos poucos conseguimos nos ajeitar na cama e Marinna conseguiu mamar. A noite e a madrugada continuaram tensas. Eu chorava muito junto com a Marinna por não conseguir amamentá-la. No domingo pela manhã, minha amiga voltou em casa e nos avaliou novamente: nessa hora, ela conseguiu ver que a Marinna não projetava a língua de forma eficiente, o que dificultava a sucção. Indicou-nos a osteopatia e continuarmos com o uso do copo, da colher e tentativas para amamentar.

No domingo a tarde, tivemos a visita da osteopata que depois se tornou uma grande amiga. Realmente, Marinna não projetava a língua e não sugava corretamente, fazendo mais o movimento de mordida do que sucção. A cabeça torta tinha nome: flexão occipital. Com o tempo e as sessões de fisioterapia, descobrimos que essa forma da cabeça prejudicava o movimento da mandíbula e a abertura da boca, e ainda causava um desconforto para Marinna mamar, já que a posição a incomodava muito a ponto de chorar.

Por muitas vezes pensei em desistir, sobretudo porque a Marinna não ganhava peso efetivamente e teve que usar complemento de leite artificial até quase dois meses. Aliado ao puerpério e outras condições pessoais, eu descrevo os primeiros dois meses de vida da Marinna como um período cinza: não saia de casa, só chorava, as mamadas eram sofridas, tive fissuras muito doloridas que só cicatrizaram depois de dois meses. O peso da Marinna era acompanhado quinzenalmente e meu coração disparava em todas as vezes. Aliás, o monstro do peso nos acompanhou por muito tempo. Toda consulta com o pediatra era sempre tensa apesar de o ganho estar satisfatório. Ainda sofremos depois com hiperlactação (o leite saia em jatos fortes e dificultava a mamada tranquila), ductos entupidos com frequência, o retorno ao trabalho e o medo da mamadeira. Marinna não foi um bebê gorducho, ganhava peso mas nada de exagero. E meus pensamentos de que a amamentação era fácil e tranquila foram jogados no chão e pisoteados por mim mesma: entendo agora como tem mães que não conseguem amamentar. A situação é muito difícil!

Creio que se não fosse a experiência das pessoas que me acompanharam e o grande apoio que tive para amamentar, eu teria desistido. Eu falei que iria desistir e pedi por uma mamadeira, pedi por chupeta. Estava no meu limite! Mas meu marido me ajudou muito, minha mãe, minha irmã, minhas primas e amigas próximas; todos foram fundamentais para que eu continuasse no propósito de amamentar a Marinna. E assim fomos até 1 ano, 10 meses e 15 dias quando, em um desmame conduzido, encerramos nossa trajetória.

Lembro-me da sexta-feira em que a Marinna se despediu do tetê. Havíamos conversado muito nas semanas anteriores que o tetê estava acabando, que ela era grande, uma mocinha linda que já tinha uma cama e que agora poderia dormir abraçada com a mamãe. Ela concordou com tudo o que falei e combinamos em dar tchau para o tetê. Ela falou tchau, nos abraçamos e ela dormiu. E eu? Eu chorei mas fiquei feliz, pois nossa estória foi de muita luta juntas e de um final extremamente lindo.

Prometi à mim mesma que toda mãe que precisasse de ajuda, eu me colocaria à disposição para ajudar no que sei e dar o meu abraço. Vários fatores influenciam no sucesso da amamentação e são pouco difundidos, então procuro sempre ajudar no que ganhei em conhecimento.

Carina Stoppa dos Santos Davatz, advogada e professora universitária, mãe da Marinna de 2 anos, que adora absolutamente todo o mundo de princesas, tem certeza de que vive num conto de fadas apesar de escalar móveis. Mas quem disse que princesas não podem ser aventureiras, não é mesmo?

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