AMAMENTAÇĀO BEBÊ DOR INTRODUÇĀO ALIMENTAR MATERNIDADE PUERPÉRIO

Amamentacão do primeiro filho: Alexandre

2 de agosto de 2018

Amamentação: aquela cena tão linda, com troca de olhares entre mãe e bebê que até parece uma coisa natural, que acontece facilmente e bebês e mães ficam felizes.

Mas, infelizmente, para algumas mães não é bem assim. Pelo menos, para mim, não foi!

Não vou dizer que foi fácil chegar aos seis meses de amamentação exclusiva, por isso, respeito imensamente todas as mães que conseguiram, as que tentaram e as que não quiseram.

Nos primeiros dias, até acertar o fluxo de leite, pega e posição correta das mamadas teve muito choro (meu e do meu filho), dor, ordenha, apoio e visitas ao banco de leite.
Meu companheiro e minha doula, também consultora de amamentação, foram peças fundamentais para que eu não desistisse.

Quando melhorou e estávamos pegando o jeito da coisa, veio a mastite bilateral.
Mastite é uma inflamação na mama, que geralmente dá de um lado. No meu caso foi nos dois ao mesmo tempo.
Então, tive que tomar antibiótico e, no penúltimo dia de remédio, me apareceram manchas que coçavam o corpo todo.

Até tempos atrás, pensava ter sido uma alergia à medicação, mas, descobri que estava com o Zika vírus. Na época, os sintomas da doença se confundiram com o puerpério, a mastite e eu nem desconfiei, mas, sobrevivi.

Quando passou, chegou a Candidíase (vulgo sapinho), que se aproveitou da baixa imunidade do meu corpo, devido stress por estar com a casa em obra, para se manifestar.

Trata-se de uma infecção por fungo e sentia dor ao amamentar, como se estivesse levando algumas agulhadas dentro da mama.

Nesse momento, Ale ficou com o bumbum todo cheio de manchas vermelha que, num primeiro momento pensei ser assadura, mas, nada resolvia e em consulta com a pediatra foi diagnosticado a Candidíase. Tinha sido ele o primeiro a contrair e eu manifestei no seio através das mamadas.
Melhorado do sapinho, uns dias de folga, e lá estava ela, a danada da mastite novamente. Mas dessa vez, reconhecendo seus sinais iniciais, consegui controlá-la com muita ordenha e água.

Importante aqui agradecer um anjo, chamado Ivana, do postinho do SUS, que veio num sábado e num domingo me auxiliar. Gente, tem horas que o SUS funciona e essa foi uma delas!
Aqui faço um parênteses: se você perceber que suas mamas ficam muito cheias, ordenhe, mesmo que esteja cansada, pois mastite é terrível.

Em seguida, veio uma sequência de picos de crescimento, saltos de desenvolvimento (que exige mais mamadas e deixava o peito sensível) e muitos palpites.
Ale sempre teve uma pega doída, não tinha uma mamada que ficava confortável sem eu ter que arrumar a pega dele. Além disso era muito esfomeado. No começo ficava torno de 1h/1h30 no peito e quando acabava, passada 1 hora, queria mamar de novo.

Em contrapartida teve muita coisa boa: o reconhecimento do olhar, o sorriso de satisfação a cada mamada, a observação de cada aprendizado que se fazia e faz presente enquanto mama, descobrir a mãozinha e olhar os dedos em movimento, perceber o pé e fazer alongamento ou querer pular durante as mamadas; entre outras tantas coisas tão simples e tão encantadoras ao mesmo tempo.
Começamos a introdução alimentar aos 6 meses, as mamadas diminuíram para 3 durante o dia e algumas à noite.
Hoje, com dois anos e oito meses, ele mama somente quando acorda e quando vai dormir. Há dois meses consegui tirar uma mamada que tinha antes da soneca da tarde.

Me sinto feliz por ter conseguido.

Seguimos com a amamentação e assim será até quando ele quiser ou meu corpo permitir.
O resultado disso é uma criança saudável, forte e que poucas vezes ficou doente ou que se recupera muito rapidamente quando acontece.

A lição que eu tiro dessa fase?

A de que a amamentação não acontece naturalmente para todas as mães; é preciso querer, é preciso se informar, é preciso ter apoio, é preciso ter muita paciência e persistência; e que toda mãe faz o que acredita ser melhor para seu filho e que, às vezes, por algum motivo, ela não consegue seguir seus planos e tudo bem.

É preciso respeitar, é preciso acolher.

 

Tatiana Moreno

Mãe em tempo integral do Alexandre e da Elis, emocionada com essas lembranças que, mesmo com tantos perrengues, me trouxe uma sensação de dever cumprido e boas lembranças.

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