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Amamentação em Tandem

7 de agosto de 2018

Quando comecei a escrever este texto, fui procurar o significado da palavra TANDEM, já que no que se refere à amamentação, sei que tem a ver com amamentar filhos de idades diferentes, mas por que “tandem”? Baseado em quê?
Segundo o dicionário online Priberam, “tandem” tem os seguintes significados:
1. Velocípede com dois ou mais selins e outros tantos pares de pedais para ser montado e movido por duas ou mais pessoas;
2. Cabriolé descoberto, puxado por dois cavalos atrelados um atrás do outro;
3. Conjunto formado por duas unidades, geralmente uma atrás da outra (ex.: assentos em tandem);
4. Que é formado por duas unidades, duas partes ou dois lugares, geralmente um atrás do outro (ex.: bicicleta tandem, paraquedas tandem).
Ou seja, uma relação que alguém em algum momento fez dos assentos da bicicleta ou cavalos com as mamas de uma mulher…
Estava feliz (ou quase) amamentando Alexandre grávida da Elis. ‘Feliz’ porque não sentia incômodo no ato amamentar e ‘quase’ porque o final da minha gestação foi cansativo por me sentir pesada e por ele dormir mamando e, muitas vezes, eu ter que colocá-lo na cama (cama Montessori no chão = agachamento dos bravos) era um pouco trabalhoso, mais pelo fato de ter que carregá-lo do que por amamentá-lo, mas ok.
Então Elis chegou!
Junto a ela, no dia seguinte, o leite desceu e quando isso aconteceu Ale entrou num estado de euforia e quis tirar todo o atraso do leite escasso e ralo que vinha mamando, como comentei no texto sobre amamentação na gestação.
Afinal, quem é mãe que teve leite vai entender. Quando o leite desce, os peitos triplicam de tamanho e jorram leite sem dó do bebê que, por vezes, engasgam.
Eu achava que ia tirar as coisas de letra com o segundo filho, mas não foi bem assim.
Quando Elis nasceu, fiquei perdidaça! Tinha medo de Ale se sentir esquecido, mas, tinha uma recém nascida que precisava de toda atenção. Não sabia o que fazer nem como revezar as mamadas; qual lado do peito eu dava para quem, pois Elis mamava e sugava muito menos que Ale e as mamas ficavam muito cheias.
Toda vez que Ale via Elis no peito, Ale também queria. E eu colocava os dois juntos num ato muito louco de atender a demanda das crias e me deixar para depois (alguém conhece essa história de fazer tudo pelos filhos e esquecer de si mesma?).
Com o tempo, fui percebendo que era mais interessante amamentá-los em momentos diferentes, pois a troca entre eu e eles era mais inteira por outro lado, mas, amamentar os dois juntos e vê-los interagindo me dava uma sensação muito boa, uma tranquilidade apesar de ser um pouco incômodo para mim.
Os dias foram passando e, no nosso tempo, conseguimos nos ajustar. Quando tinha mama empedrada, o mais velho esvaziava, mas também era importante Elis mamar tanto o leite anterior (aquele primeiro leite que sai quando o bebê inicia a mamada, pois é ele que hidrata e mata a sede) quanto o posterior (que deixa o bebê satisfeito e ajuda a engordar). Conseguimos chegar num acordo e meu corpo entendeu o que estava se passando.
Aqui, acho interessante contar de uma situação que passamos. Quando Ale teve uma gastroenterite das bravas e eu não sabia como lidar já que poderia contaminar Elis. Foi quando eu tive um clique e deixei uma mama para cada um. Mesmo com Ale mamando muito mais, não podia correr o risco de ter duas crianças doentes, então, por alguns dias, trocava o lado de dar de mamar depois de tomar banho.
Aos poucos, fui tirando as mamadas do Ale e hoje ele mama somente na hora que acorda pela manhã e na hora que vai dormir à noite.

Elis, depois que começou a introdução alimentar, diminuiu bastante as mamadas. Eu sou daquelas mães que espera o filho pedir para mamar, não fico oferecendo o peito o tempo todo ou a toda hora que eles reclamam de algo.

Amamentação é legal e com Elis tem sido uma experiência totalmente diferente: ela nasceu com a pega boa, hoje está com dois dentinhos e nunca me mordeu e mama em menor quantidade e tempo que o irmão. A única coisa desconfortável tem sido ela querer mamar em pé, praticamente plantando uma bananeira.

Se me perguntarem se é bom amamentar dois digo que, para mim, é cansativo. Mas, estamos felizes, acredito que os três. Ale com suas duas mamadas e Elis com as que precisa.

Quanto à mim, brinco que amamentar dois é uma mistura de loucura com doçura. Tem horas que curto demais os momentos a dois ou a três porque quando o bicho aperta, deixo mamarem simultaneamente pois sei que é uma fase e que deixará muita saudade.

Tatiana Moreno

37 anos, mãe em tempo integral, do Ale (2 anos e meio) e da Elis (11 meses) e adora um desafio.

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