APLV BEBÊ MATERNIDADE NUTRIÇĀO

Aqui “teta” se chama “mamadeira”

8 de agosto de 2018

No dia em que a Ana Clara nasceu e nos dias seguintes ao parto, enfermeiras e cuidadoras iam incessantemente até o quarto apertar meus seios na esperança de que meu leite descesse. Ana Clara nasceu na madrugada de uma quinta-feira e eu saí do hospital no sábado à tarde depois de ter retirado o ovário esquerdo e ter feito um bloqueio porque tive cefaléia pós raqui. O sol estava se pondo e os dias pareciam promissores.
Chegamos em casa e seguimos a luta: peito, suga, suga, cansa, complemento, mama, grita, dorme. E o ciclo se repetia de 3 em 3 horas. No domingo, brinco, porque digo que todo o leite de todas as mulheres grávidas no hospital desceu nos meus seios e eu fiquei igualzinha àquelas vacas leiteiras holandesas. Se eu pudesse mandar um recado para elas, eu diria, “amigas, que dó de vocês. O próximo que vier te ordenhar, manda um coice na cara dele”. Depois de uma ida frustrada ao banco de leite de Ribeirão Preto (vide relato “Quando a dor é na alma”) e de um dia todo de sofrimento, dor e tristeza, tomei 2 comprimidos menores que minha unha do dedo mindinho, mas, com a potência de uma bomba atômica que, aparentemente, resolveram meus problemas. Meus seios desincharam em uma semana e a mamadeira reinou!
Foram dois meses até descobrir que minha bebê era APLV e tinha refluxo por ter nascido prematura (possivelmente) ou pela imaturidade intestinal. Talvez o caso dela tenha sido fisiológico e, possivelmente, paciência e a chegada dos 3 primeiros meses teriam resolvido. No entanto, não me agradava vê-la gritando e sofrendo a casa mamada. Tomou remédio para refluxo e passou por inúmeros tipos de leite até chegar ao Neocate. Pensa “num trem caro afffeeemmmmaaarriiaaa multiplicaaaa!” A boa notícia era que o governo fornece o leite mediante laudo médico por 2 anos. Ufa! Deu certo e Ana Clara mama Neocate até hoje.
Eu, particularmente, não acho que deixamos de criar vínculos pelo fato de ela só ter mamado mamadeira. E outra, só posso afirmar isso se tiver um outro filho que, talvez, eu amamente. Mas vai que o que seria amamentado não tivesse assim, tantoooo vínculo; como explicar? Personalidade? Enfim, muito complicado esse lance de “criar um vínculo ‘sobrenatural’, olho no olho e tals”. É claro: não tenho aquela foto fofa dela mamando e acariciando meu seio. Mas, tenho lembranças igualmente boas. Sinto não tê-la alimentado, única e exclusivamente, pelos benefícios que o leite materno traria a ela, no entanto, fico feliz quando penso que aqui não teve sofrimento para começar a mamar, bico de seio ferido, não teve “nossa, amamentar nunca foi prazeroso, mas, era o melhor a ser feito”, não teve dificuldade para voltar a trabalhar e a necessidade de estocar leite, não teve dificuldade para pegar a mamadeira quando foi para escolinha porque já mamava, não teve dificuldade para desmamar porque nunca mamou!
Você pode estar pensando: “ahhhh isso é porque não deu certo de ela amamentar! Você está com inveja” Amigas, de verdade, acreditem: eu as considero heroínas por todos os motivos que eu acabei de mencionar acima. Paradoxal não? Mas, é a mais pura verdade! Vocês são foda e eu as admiro demais! Eu não teria metade do peito (na verdade, não tive qualquer peito hahahahaha. Desculpe o trocadilho hahahahaha) que vocês tem. Quando ouço mães dizerem: “passei o dia com ela no peito”; eu penso: “CreiInDeusPai” e agradeço ao Criador por não ter amamentado! Egoísmo? Talvez!
Queria ter feito pela BBUrsa, porém, não deu certo… sigo confiando que não existe acaso e que tudo acontece por alguma razão. Se eu saberei a razão no futuro? Não sei… mas, como diz minha amiga Estela Moraes: “segue o baile” porque culpa, já disse né gente? É pra carregar por todaaaa uma vida!

Fabiana Paganini de Andrade, 36 anos, Mãe da BB Ursa.

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