CRIAÇÃO MATERNIDADE

Brinquedo de menina X brinquedo de menino

3 de outubro de 2018

Dias atrás, fizemos um post no instagram que perguntava se você acredita que existam brinquedos para menina e brinquedos para menino. Algumas mães responderam que ‘sim’ e nem se estenderam sobre o assunto, outras disseram que ‘não’ e argumentaram, outras ainda disseram que ‘sim’ e depois mudaram de ideia; e eu, inevitavelmente, fiquei pensando sobre o assunto e a dimensão que ele tem mas que nem percebemos.

Ana Clara logo menos completará 1 ano e seis meses (na verdade, acredito que quando você for ler este texto, ela já o terá completado) e brinca de bola, carrinho, trenzinho, caixa com formas que encaixam, fogãozinho com ‘panelinhas’, ‘geladeirinha’ cheia de ‘comidinhas’ (ok! Ela mais coloca os ovos de plástico na boca do que os ‘cozinha’) e de bebezinha. Muitas vezes, ela joga a bebezinha no chão e deita em cima dela. Eu digo que não pode e, acreditem: ela não está imitando um comportamento meu! Ela também dá bronca e repete que “não pode”. Enfim, será que a Ana Clara não deveria brincar de carrinho?

Quando eu fui para faculdade, pedi para minha mãe que me ensinasse a cozinhar, ao que ela, imediatamente, me respondeu: “Se quiser aprender a cozinhar, não precisa ir estudar fora, pode ficar aqui em casa mesmo. Quer um conselho? Estude fora, trabalhe e, quando precisar, compre a comida!” Será que ela estava certa? Hoje, penso que ela poderia ter me ensinado, mas, deixado bem claro que eu não precisaria fazer aquilo se tivesse como pagar pelo que eu quisesse comer. Mas, o que isso tem a ver com a Ana Clara ter brinquedos de menina e de menino?

Bem, eu quis falar sobre a minha mãe para dizer que eu fui criada para ser independente; para não depender de nada e nem de ninguém e que, certamente, passarei muito desse aprendizado para a Ana Clara. Bem, é aí que entram os brinquedos. Eu sempre fui muito ‘arteira’ e a BBUrsa parece estar seguindo os mesmos passos. Para mim, ela pode brincar do que quiser: ela deve brincar de boneca para que, se um dia, quiser ser mãe, que ela seja uma boa mãe. Não é assim que pensamos?

Se sim, então me diga: por que um menino não pode brincar de boneca para ser um bom pai? Por que não pode brincar de ‘comidinha’ para, quem sabe, se interesse por cozinhar; por que não pode fingir que lava a louça, arruma a casa, passa roupas para que, no futuro, faça o seu papel de COOMPANHEIRO e/ou PAI? Por quê?

Sabe por quê? Eu vou te responder. Porque nós, mulheres, fomos criadas ao longo dos anos para sermos donas de casa e recebermos ‘ajuda’ de nosso companheiro quando ele bem entender; fomos educadas para aceitar que os homens chegam cansados do trabalho, mas, que nós, temos que assumir a jornada tripla depois de um dia de trabalho tão cansativo como o deles porque é o nosso papel; fomos obrigadas a ouvir de nossas próprias mães: ‘nossa, mas agradeça porque na sua época, seu pai não trocava nem uma fralda!’

Entenderam o porquê da necessidade de mostrarmos às nossas filhas que não existem brinquedos de meninas e brinquedos de meninos? É preciso que elas entendam que elas podem fazer exatamente tudo que os homens fazem e que é dever deles, se não sabem, aprender a fazer tudo o que elas fazem também!

Bom, eu penso que assim ela não irá se sujeitar a ganhar menos do que um homem ganharia para exercer o mesmo cargo, ela não irá hesitar em dizer ‘não’ quando sentir que essa é a resposta certa e que ela, certamente, terá um COMPANHEIRO e não um AJUDANTE; até porque ‘companheiro’ a gente escolhe; ‘ajudante’ a gente contrata!

 

Fabiana Paganini, Professora, mãe da Ana Clara.

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