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Cianose em recém-nascido

28 de maio de 2018

Desde quando me tornei mãe da minha segunda, meu vocabulário médico aumentou consideravelmente.
Com 6 dias de vida, estava naquela vibe de ficar olhando para a pequena, começando acreditar que lá estava ela, perfeita, dormindo, na minha frente, quando noto que ela estava azul da cabeça aos pés, mas dormia feito um anjo.
Por instinto, a peguei, esfreguei-lhe as costas com intuito de que sua coloração voltasse. Voltou. Isso era umas 8 da manhã.
Mais tarde, às 10h, minha sogra em seu momento de zelar o sono da pequena, me chamou e falou: “Tati, olha ela, parece que está meio roxinha.”
Aí me preocupei, a peguei de novo e esfreguei as costas, ela voltou.
Liguei para as parteiras, pois Elis nasceu de parto domiciliar e as parteiras são “responsáveis” por nós nos primeiros dias de vida, no sentido que eu deveria informá-las das coisas que acontecessem.
Expliquei o ocorrido e elas pediram que eu entrasse em contato com a pediatra.
Detalhe, no dia anterior Elis havia feito sua primeira consulta médica e estava tudo perfeito!
A orientação dela foi que ficassemos atentos e, caso ocorresse novamente, para irmos na emergência hospitalar.
Independente do que fosse, a pediatra gostaria rever Elis no dia seguinte, no primeiro horário.
Até que às 17h lá estava a pequena, novamente roxinha.
Pedi para meu marido e minha mãe, que estavam comigo, ver se estava mesmo, porque às vezes a gente fica tão encanada que acaba vendo coisa que não existe.
Sim, ela estava.
Três vezes, no mesmo dia, ela ficou roxa da cabeça aos pés. Não esboçou falta de ar, nem nada, mas parecia que não estava mais em nosso plano e, aí, meu coração apertou.
Fomos nós para a emergência, com medo de ela pegar alguma coisa pior, afinal, ela tinha apenas 6 dias de vida.
Chegando lá, descobrimos que quando se tem um recém nascido, ele passa na frente dos atendimentos.
Na triagem, estava tudo certo: batimentos cardíacos, temperatura.
No exame clínico também.
A médica que nos atendeu não entendia como aquilo tinha acontecido. Nem nós.
Mas descobrimos que o que ela teve, essa história de ficar roxinha chama cianose.
A plantonista ligou para a pediatra dela e elas conversaram sobre o caso.
Decidiram realizar alguns exames para ter certeza que estava tudo ok.
Foi então que, daquele tamanhinho, minha pequena teve que tirar sangue e fazer exame de urina (que dó foi ver os enfermeiros procurando a veia dela).
O resultado demorou e não pudemos levá-la para casa, pois eles só liberam depois que os exames forem liberados e passar pelo médico.
No final, no resultado teve alterações esperadas para um recém nascido.
Um parêntese aqui: quando um bebê nasce, ele sai dos meio aquático para o meio terrestre, são muitas mudanças para aquele corpinho, por isso algumas alterações são esperadas.
Então aguardando os resultados dos exames, demos um Google e descobrimos que a cianose ou doença azul ocorre que a pele da criança apresenta uma coloração azulada, geralmente devida à falta de oxigênio no sangue.
A ideia da médica era deixar a pequena em observação no hospital, mas como estava muito cheio e “perigoso” para uma recém nascida, ela nos liberou, mas fez com que nos comprometessemos a se revezar e ficar de olho 24 horas por dia na pequena, para ver se o episódio se repetiria.
As noites mal dormidas passaram a ser não dormidas nos dias que seguiram.
Então, no dia seguinte estávamos lá no consultório para a avaliação da pediatra.
Lá ela revirou Elis clinicamente e estava tudo normal.
Foi então que ela nos encaminhou para realização de um doppler do coração, um ultrassom do crânio e passar por um neurologista pediatra.
Confesso que com os papéis das guias em mãos, meu coração ficou apertado, com medo, pois tudo o que mais queria naquele momento era ficar em casa, curtir aquela adaptação da nova família que se formara.
Entre os serões na madrugada, revezando com o marido, em uma semana conseguimos realizar os exames e consultas.
O resultado sempre era: “aparentemente está tudo bem, com alterações normais para um bebê recém nascido”.
Elis continuava linda, não ficou mais roxinha, estava dormindo e mamando direitinho.
O diagnóstico: a cianose foi uma forma que o corpo dela teve para se adaptar da vida intra-uterina para esse mundão louco aqui fora.
Fica aqui a dica: caso perceba seu bebê petico na colocação roxa/azulada, procure seu pediatra, pois pode ser nada, mas também pode ser sinal de alguma doença cardíaca ou neurológica.

Tatiana Moreno

37 anos, mãe do Ale (2 anos) e da Elis (8 meses), mãe em tempo integral, apaixonada por aprender coisas novas!

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