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Como foi a nossa IA (Introdução alimentar) – A saga (parte II)

25 de julho de 2018

Lembram da parte I? Pois então, a criança parou de comer. Não aceitava mais nada, tomava a mamadeira normalmente, comia a fruta, mas, chegava na hora do almoço ou jantar, eram duas, leia bem, duas colheradas e mais nada. Travava a boca e não comia de jeito nenhum!

Eu chorava, chorava mesmo… me martirizava… foram dias assim! Até que resolvi fazer um ovo mexido, pois bem, comeu! O que eu pensei? Ufa, passou, voltará a comer, quer comida mais sólida… e, eu fazia de tudo, ela só comia o bendito ovo.

Fui à pediatra diversas vezes, ela me dizia: “não se preocupe, ela voltará a comer”. Porém, pra mim não era o suficiente. Eu fazia diversas comidinhas, tinha dia que fazia 3 cardápios distintos, porém, mais uma vez, terminávamos nossa sina no ovo mexido. Ela se recusava a provar; não experimentava nada de novo!

Foi assim por cerca de três longos meses, só ovo mexido, fruta e leite. Até que meu marido teve um surto, deu uns gritos lá e falou: “Isso tá errado (e estava mesmo), essa menina vai ter que comer outras coisas, nem que coma duas colheres e vai ficar sem mamar por umas duas horas depois do horário do almoço até aprender comer!”

Pensem no meu coração! Ela não comia, ele falava que não podia ver desenho (porque sempre comeu vendo desenho), mas não comia e chorava pedindo a mamadeira… e eu morria por dentro e por fora!

Foi um ano de aprendizado meu e dela; dos 2 até os 3 anos! MUITA paciência, MUITA insistência e MUITO amor!

Eu fazia o prato básico: arroz, feijão, legume e uma carne bem picadinha (ou moída) e ia dando com muito jeito. Ela SEMPRE comeu pouco (a meu ver), comia de 6 a 8 colheres no máximo, mas, sempre foi um pouquinho acima da média na estatura e um pouquinho abaixo no peso. Porém, a médica sempre me dizia: o importante é crescer, não queremos uma criança que no futuro sofrerá com sobrepeso, ser magro é sinal de saúde!

Durante este um ano, aprendemos a mastigar (cada almoço durava de 40 minutos a 1 hora). Pensem o que é ficar 1 hora alimentando alguém!

Ah… também trocamos de pediatra porque eu nunca quis uma criança gorda, me entendam, mas eu queria uma criança normal. O que é normal pra mim? É ver as outras pessoas comendo e sentir pelo menos curiosidade, querer provar o alimento, perguntar o que é… mesmo que experimente e não goste!

Nessa nova pediatra pedi que ela me ajudasse e prescrevesse algo para que a Malu sentisse vontade comer as coisas, provar… ela não precisaria encher um prato. Fizemos um teste e ela tomou um polivitamínico por um mês… e eu vi, pela primeira vez em três longos anos, minha filha abrir o armário de mantimentos, pegar um alimento e dizer: “Mamãe, o que é isso? Posso experimentar?”. Me lembro dessa cena como se fosse hoje, meus olhos ainda se enchem de lágrimas e, a partir desse dia, começamos a trilhar um caminho um pouco diferente. Não pensem que a Malu enche um prato e come nem que se enche de porcarias; ela é regrada por natureza, entretanto vivemos uma fase nova… vou te contar isso num próximo texto, ok? A parte III.

 

Fernanda Paganini, formada em Química e Pedagogia, é a mãe da Maria Luiza (Malu) de 3 anos e 9 meses. Divide seu tempo entre as aulas no ensino médio e os cuidados com a filha.

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