CARREIRA GESTAÇĀO MATERNIDADE

Como me tornei a mãe do Pedro

13 de maio de 2018

Sou bahiana, habitando terras paulistas a tempo suficiente para falar com um ‘R’ beeem goRdo. Da terra onde nasci, trago a calma e a vagareza características, mas também o sorriso sempre presente no rosto e a fé de que tudo pode dar certo.

   Na minha certidão de nascimento, consta apenas o nome da minha mãe. Sou grata a ela, por ter escolhido me colocar nesse mundão, porque eu adoro viver!! E sou grata, porque no instante em que ela resolveu transferir minha criação para outra pessoa, não poderia ter escolhido pessoa melhor. Fui criada pela minha bisavó materna, Joana, e me lembro dela em todos os momentos importantes da minha vida, e às vezes nos momentos mais simples também. Aos 6 anos, decidiram (não sei ao certo quem foi) que ela não deveria mais cuidar de mim, e me trouxeram para Ribeirão Preto, vim morar com meus avós maternos, em uma casa onde moravam nove adultos e uma criança de um ano. A mim, durante toda infância, nunca coube poder opinar, escolher, gostar e muito menos discordar, eu só podia ACEITAR.        

   Cresci nesse ciclo, de fazer o que outras pessoas me dissessem para fazer. Morei com a minha mãe dos treze aos dezessete anos. Nessa época, fui fazer natação na Cava do Bosque, e lá conheci o Rudney, que dezenove anos depois se tornaria o pai do Pedro.

   Comecei a trabalhar bem cedo, e aos dezessete anos, fui morar com uma amiga, a experiência durou pouco tempo, e eu acabei voltando a morar com a minha mãe. Na época saí do emprego e iniciei dois cursos técnicos, administração e design de interiores, mas não concluí nenhum dos dois. Voltei a trabalhar, fui morar com a minha tia, e comecei a fazer o terceiro curso técnico, o de edificações. Na época em que me formei, morava sozinha e já namorava o Rudney a quatro anos.

  Trabalhei alguns anos na construção civil, como desenhista, projetista, vendedora e supervisora de obras.

  Em 2011, após seis anos de namoro, me casei. Compramos nosso primeiro apartamento, viajamos dentro e fora do país.Curtíamos bastante um ao outro, e achávamos isso ótimo, não queríamos ter filhos. Em 2016, comecei a notar em mim, traços de algo que poderia se tornar um transtorno psiquiátrico, eu comecei a sentir medo de coisas que não sentia antes, comecei a achar que estava doente, que morreria em breve, que poderia ficar doente…. procurei ajuda, fiz terapia e me cuidei a tempo. Maternidade não era meu foco, mas foi um assunto longamente discutido em praticamente todas as sessões. Terminei a terapia em setembro, em outubro engravidei, não planejamos, mas também não evitamos.

 Não me lembro de ter ficado tão feliz e ter agradecido tanto a Deus por algo como fiz ao ver aquele risquinho a mais no teste de farmácia. Era uma terça-feira, na quarta-feira fui a um laboratório, fiz o “beta hcg”, peguei o resultado na quinta-feira. Eu estava sozinha em casa. Meu marido estava em São Paulo, fazendo um curso e só voltaria no meio da outra semana. Eu não poderia esperar para contar, não conseguiria esconder dele por tanto tempo, e também não poderia contar por telefone. Comprei passagem, mas me deu uma dor de barriga tão forte, que precisei adiar para a sexta-feira. Lá fui eu e nos encontramos à tarde. Como ele estava com alguns amigos, não consegui contar. À noite, no hotel, enquanto ele tomava banho, tirei da mala, uma caixinha de presente, com os dois exames e um par de sapatos de bebê. Deixei sobre a cama e antes que ele acabasse de abrir, eu já estava chorando. Choramos juntos. Naquele dia e em tantos outros… durante os nove meses de gestação.

 O Pedro nasceu com 41 semanas e 6 dias, pesando 3,760kg e 51 cm. Nós? Nascemos de novo, nos descobrimos com novas habilidades e também novas fraquezas e medos. Me tornar “A mãe do Pedro” não me anula como Dani Prado, pelo menos ‘Eu’ não me sinto assim, visto que ele é minha obra de arte mais perfeita. Para ele dou minha calma, meu sorriso mais sincero, o ‘Eu te Amo’ mais puro, dou meu seio ferido, mas cheio de amor e de um leitinho porreta. Ele acabou de completar nove meses e eu não consigo me imaginar sem ele. Eu devo o que sou hoje, aos 34 anos vividos antes, mas o que fiz nesses oitos meses foi o que, de fato, fez valer todos os feitos anteriores.

  Escolhi Ser mãe do Pedro, no momento em que descobri que ele havia me escolhido para habitar, por nove meses. E venho construindo a minha morada eterna em seu coração, dia a dia, a cada mamada, a cada fralda trocada, a cada chupada banguela que ele me dá no queixo.

 Não é fácil, ou pode ser que seja, vou reformular: para MIM, não foi fácil e os primeiros quinze dias pareceram ter durado um ano. Ainda assim, eu tenho pedido ao tempo que passe mais devagar, diariamente e, fácil ou não, só o que é bom nos dá essa sensação de passar voando.

 Muito prazer, eu sou a Dani Prado, mas pode me chamar de Mãe do Pedro, porque tenho muito orgulho disso.

 

Dani Prado, 34 anos. Mãe do Pedro de 9 meses, artesã, apaixonada por livros, corridas e viagens.

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2 Comments

  • Reply
    Fernanda
    17 de maio de 2018 at 12:52

    Linda sua história Dani, vc é forte e guerreira, admiro muito isso e me identifico!!!
    Também não deixei de ser a Fernanda Sanches para ser a mãe da Maria Flor e como psicóloga acredito que isso seja saudável .
    Eles são nossa obra de arte mais perfeita.

    • Reply
      Daniela Prado Tomaz
      18 de maio de 2018 at 19:44

      Obrigada Nanda! Eles são demais né, apesar de ser difícil a maternidade nos presenteia diariamente, cada sorriso fofo, cada carinho gostoso. (Cada mãe coruja kkkk). Beijinhos pra você e pra florzinha.

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