MATERNIDADE PUERPÉRIO

Dualidade

14 de dezembro de 2018

Há tempos venho buscando algo de que sinto falta, mas, não sei ao certo o que é. Sinto que preciso evoluir, mudar, mas, não sei qual o caminho, qual a escolha… na verdade, não sei nem ao certo quais são as opções…

Em trinta e quatro anos, passei por dificuldades e alegrias que moldaram quem eu sou hoje, mas, venho buscando uma maneira de aprimorar a obra por conta própria, de tomar as rédeas da situação.

Cresci em uma família evangélica e participava dos grupos de louvor e jograis. Me lembro de épocas próximas aos congressos de jovens em que eu ia à igreja de segunda a segunda, mas, não fazia aquilo por escolha própria, fazia por não conhecer outra alternativa.

Fui apresentada a um Deus superpoderoso e inacessível, ao qual eu precisava buscar prostrada, de joelhos, na madrugada… um Deus ao qual eu temia, se eu errasse havia o medo de que a “Ira de Deus” se voltasse contra mim… e eu errava muito, o tempo todo. Errava, inclusive, por escolha, como forma de chamar atenção porque me sentia incapaz de fazer isso de outra forma, porque me sentia inferior e me sinto ainda em muitos momentos…

Aos poucos, com o passar dos anos, fui me afastando da religião e me aproximando de Deus, fui percebendo que buscá-lo ao acordar pela manhã é muito mais prazeroso e eficaz, ao respirar e encher o corpo de ar e de vida é o momento em que sinto o quando Deus é amor e o quanto ele me ama.

Hoje acredito na energia do Universo, na energia que rege tudo e sei de seu poder, porque pude experimentá-la em diversas fases da minha vida.

Ainda tenho um caminho longo a trilhar, sei que é um passo de cada vez, mas, quis vir aqui, compartilhar com quem nos lê, que tudo se encaixa e se resolve no momento certo.

Eu estou lutando contra a psoríase, já falei disso em outros textos, mas sei que preciso lutar batalhas distintas em vários campos da minha vida. Percebo que ao olhar com tristeza para mim, atraio mais tristeza, que ao olhar com dó, com raiva, com qualquer sentimento ruim, mantenho-me em um círculo vicioso de energia pesadas e decidi parar, decidi que chega!

A maternidade nos traz um turbilhão de emoções diárias. Me derreto toda com o melhor abraço do mundo (que o Pedro me dá sem motivo aparente algum) e minutos depois me irrito por ele ter se jogado para trás ao ser contrariado. Peço diariamente que Deus me dê saúde para viver longos anos e ver meu filho crescendo, formando sua família e naquele mesmo dia, lamento não poder ir ao cinema (ou ao banheiro) sozinha.

Mas, uma das guerras mais terríveis que a maternidade me trouxe, foi a da alegria x tristeza… Eu me sinto feliz em inúmeros momentos do dia, seja ao rir de um pum que o Pedro solta, de uma caretinha nova que ele faz ou ao pegá-lo nos braços e me sinto profundamente triste ao perder a paciência com ele, apesar de saber que a culpa é de um cansaço sem fim, de noites mal dormidas (mesmo quando ele dorme bem) e de coisas que a gente perde com a chegada do filho.

Comecei esse texto há uns dois meses e hoje, ao retomá-lo, cheguei à conclusão que a maternidade vai ser sempre assim, mas, não é uma dualidade, é tudo um todo acontecendo ao mesmo tempo; e cada coisa distinta é apenas um julgamento que fazemos daquilo.

Descobri que sim, preciso agradecer a Deus diariamente pela saúde do meu filho, mas, posso reclamar do fato de tomar 578 sustos neste mesmo dia. Preciso agradecer a cada hora, por ele ter todas as funções motoras perfeitas, mas, posso ficar irritada com o litro de sabão derramado no chão. Preciso agradecer todos os minutos pela saúde do Pedro, mas, posso (e talvez deva) reclamar, entristecer, chorar por todas as partes difíceis da maternidade.

Essas reclamações tem o poder de mostrar para outras mulheres, mães, que sim elas são reais; elas também choram e também sentem raiva apesar de serem capazes de dar sua própria vida por aquele serzinho lindo ao qual chamam de filho.

 

Dani Prado, mãe (em construção) do Pedro.

You Might Also Like...

No Comments

    Leave a Reply