BEBÊ FIV - FERTILIZAÇĀO IN VITRO GESTAÇĀO MATERNIDADE SAÚDE TENTANTES

Entre o sonho e a concretização – A FIV (Fertilização in Vitro) bem sucedida

18 de abril de 2018

Sempre tive um sonho: ser mãe. Realmente era um sonho, casar com o amor da minha vida (aquele que imaginamos lá atrás ser o príncipe encantado) e logo depois ser mãe.

Minha história tem muitos contos, que hoje especificamente não vou contar. Hoje, me propus a escrever sobre quando decidi ser mãe.

Eu estava com 28 anos, uma relação aparentemente “estável” naquele momento, e um desejo enorme a ser realizado. Só para frisar: o desejo não era só meu, a princípio. Meu esposo também manifestava esse desejo, embora tenhamos tido, no início do relacionamento, uma surpresa (não tão surpresa assim) de um filho com outra mulher. Enfim, essa história é para outro texto.

Desde o início, eu não usava nenhum método contraceptivo, nenhum mesmo. Eu havia decidido que queria engravidar e que a partir daquele momento tentaríamos conforme possível. Como nós trabalhávamos muito, fazíamos as tentativas conforme iam surgindo as oportunidades. Nossa história de tentantes começou em 2008.

Passados 3 anos de tentativas e tendo feito todos os exames possíveis: eu não havia engravidado. A última opção seria a FIV, e anterior a ela  uma videolaparoscopia (nome feio pra uma cirurgia de caça ao problema), pra investigar se eu tinha endometriose.

Fui ao meu médico e ele sempre muito direto, disse: “Uyara, faça uma FIV ao invés de tentar uma cirurgia. Não perca tempo e dinheiro nessa cirurgia.” Bom, resolvi repensar e mesmo com a cirurgia marcada, eu desisti.

Parti para a consulta com o Dr. Marcos (meu médico da fertilização assistida). Elle me acolheu e me deu chances de que tudo correria bem. Claro que as chances são 50% de dar certo ou dar errado, mas eu preferi escolher a decisão divina e apostar todas as fichas na minha fé. O valor era bem considerável e eu não teria tão cedo mais uma chance de pagar por outro procedimento.

Fizemos a indução de ovulação e eu (Claro! A sorteada!), tive uma hiper-estimulação ovariana. O  que é isso?? Em suma: eu ovulei pra uma vida inteira ou mais. Foram 19 óvulos do lado direito e 17 óvulos do lado esquerdo. Hoje me pergunto, como pude ser tão doida?! Eu sinceramente não tinha a mínima noção do que era isso, até sentir toda a dor do mundo com as trompas quase explodindo. No dia da captação desses óvulos, eu pude ver que Deus ajuda, mas já passa o recado: “Não abusa!!!”

Tivemos intercorrências pela vasta produção de óvulos, mas optei por colocar dois embriões. Afinal, Dr. Marcos me dizia: “Quem tem um, não tem nenhum!” Ah tá! Realmente essa é uma daquelas escolhas que você tem que fazer, sabe como se você estivesse ali no juízo final?!

Pois bem, foi essa minha decisão, entre outras. E os dois embriões cresceram fortes e saudáveis. Mas, como se Deus não brincasse em serviço, ele decidiu me enviar um casal, um menino e uma menina para me ensinar a ser menos egocêntrica e preguiçosa.

A FIV era minha única alternativa, tenho convicção disso. Conheci muitas mulheres durante o tratamento que não conseguiram, outras que conseguiram a partir de muitas tentativas e desgaste emocional. Foi uma vitória e, sinceramente, a premiação ter vindo em dobro me mostrou que eu não estava preparada pra ser mãe, mas que já que tinha optado por isso, deveria desenvolver toda essa nova habilidade. Meu casamento foi pro espaço, a cada mês que se passava e eu me via mais sozinha, com meus medos e inseguranças, tendo que tomar o controle de uma situação que eu mesma desejei.

Mas, como toda mãe, eu superei. Foram dias de luta e dias de glória, e cá estou aprendendo com eles e tentando ser  melhor para eles. Uma nova família se formou e hoje, gratidão define minha jornada.

 

Uyara Januzzi, 34 anos. Mãe dos gêmeos Júlia e Miguel. Enfermeira Obstetra, apaixonada pelos filhos.

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