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Equilíbrio para tudo e com todos

16 de julho de 2018

Eu me considero uma pessoa bastante impulsiva; chego a ser diferente na minha casa como pessoa e no meu
ambiente profissional. Você pode dizer: “Ahh, mas Fabiana, isto é perfeitamente normal…” e eu sei que é, mas, me
preocupa, muitas vezes, não saber dosar este equilíbrio. No ambiente de trabalho sou compreensiva, pensativa e
ponderada; em casa, sou, muitas vezes, explosiva, dona da razão e pouco complacente. Mas, penso que tudo na
vida tem que ter certo equilíbrio.
Quando se trata de bebês então, “CreiInDeusPai”! Dia destes, conversando com minha mãe, discutíamos o quão
corajosas eram as mães do passado que tinha onze, treze, quinze, enfim, uma penca de filhos. Minha mãe logo
retrucou dizendo: “Mas é que antes não tinha todas essas frescuras que hoje tem não, criança não era assim bem
tratada não. Tinham um monte de filhos mas eram todos judidados!”
Fiquei pensando e dei razão a ela. Hoje temos um filho e ficamos pensando em cada coisa que ele vai comer, se a
fralda é o que está dando assaduras, se a quantidade de frutas é exata, qual é o cardápio da semana?, será que ele
está mamando pouco ou muito?, será que está na hora de começar a escovar os dentes já?, mas quem foi que deu
doce para ele sem o meu consentimento?
No quesito alimentação “as mãe tudo pira”! Lembro-me de um dia, minha irmã ter dito que minha mãe tinha dado
pirulito, aqueles que se parecem com uma chupetinha para a Ana Clara experimentar. Ela não tinha nem 1 ano de
idade. Fiquei Putaçaaaaaaaaaaaa! (Acredito que esta palavra nem exista no dicionário) Disse que não podia confiar
na minha mãe, que não mais deixaria a Ana Clara sob os cuidados dela, que onde já se viu dar pirulito para a
menina se ela nem sabe o que é aquilo e bla bla bla.
Minha mãe ficou visivelmente chateada. Liguei, pedi desculpas, expliquei que achava desnecessário já que dali a
algum tempo ela estaria pedindo chocolates e tudo mais porque saberia o que eram aquelas coisas mas que, neste
momento, já que ela não sabia o que era, eu não via necessidade de ela passar por aquela experiência tão
precocemente. Enfim, não queria que ela ingerisse doce excessivamente doce sem qualquer fim benéfico para a
saúde; muito pelo contrário, maléfico.
Pouco tempo depois comecei a dar Cremogema© para Ana Clara. E colocava uma colherinha de açúcar demerara
porque a mistura era e ainda é feita com o horroroso-leite-que-ela-toma-porque-ela-é-APLV Neocate. Só com o
Neocate parecia água oxigenada grossa. Enfim, ela amava e amou o Cremogema© por muiiiiiiiito tempo. Eu
comecei a fazer e mandar para a escola. E depois veio a gelatina e a papinha da Nestlè©. E aí acabou.
Eu parei para pensar e descobri que eu não estava dando o pirulito de chupetinha, estava dando doses
homeopáticas de açúcar que, depois de um tempo se transformariam no pirulito de chupetinha. Mas, por que eu
estou dizendo tudo isto?
Bem, respeito quem não queira dar doce algum (ou qualquer tipo de alimento que fuja do “saudável e
recomendado”) e quem dá o que tiver à mão. Respeito porque conheço histórias de crianças compulsivas porque
não podiam comer nada nas festinhas dos amigos porque as mães não deixavam; conheço histórias das crianças
que comeram moderadamente e estão bem melhores de saúde do que as outras e conheço histórias das crianças
com sérios problemas de saúde porque comiam de tudo e das que os pais só davam o que queriam comer e estas
também têm sérios problemas de saúde.
O que eu quero dizer é que é difícil “pakaralhoooo” ser mãe. Atualmente, eu e minha mãe somos vizinhas de porta.
Quase todos os dias, quando a Ana Clara acorda, ela vai bater na casa da vovó e do vovô e toma café com eles. Lá
ela come: bolacha maisena molhada no café, toma Ades© e come sequilhos. Quando eu vou pegá-la para ir para a
escola, ela gruda no pescoço dos meus pais e não quer ir. Na bolsa da escola dela tem 1 fruta, uma panqueca de
banana que eu fiz, biscoitos (de polvilho comprados no mercado mesmo) e o almoço que minha mãe faz.
Sabe o que eu acho? Que está ótimo. Ela terá, assim como eu tive, boas lembranças da casa dos avós e eu quero
mais que ela seja feliz. Sim! Ela está com saúde e esses deslizes, na minha opinião, não trarão qualquer malefício,
pelo contrário, trazem bastante felicidade. Apesar de tudo, ela ainda não comeu chocolate… eu… acho… espera aí
“Manhêeeeee, deixa eu te perguntar uma coisa…” hahahahahaha

Fabiana Paganini de Andrade, professora e pedagoga, 36 anos e com o primeiro cabelo branco.

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