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Eu me anulei

25 de junho de 2018

Como professora, tenho o hábito de analisar a formação das palavras. Pois bem, a palavra anular é, teoricamente, composta por um prefixo – a – que, frequentemente é utilizado para negar a palavra que o segue. Por exemplo, normal / anormal. Fica claro e evidente a ideia do “não”.

Com base nesta linha de pensamento, seria sensato que a palavra anular fosse o contrário do que significa. Porém, não existe o verbo nular, assim sendo, ela não é formada pelo prefixo de negação; ela não é o oposto de “não nulo”; ela tem significado em si: deixar de existir para si, esquecer-se!

E foi isso que eu fiz!

Pouco tempo depois de saber da minha gravidez, tive que abandonar as atividades físicas que tanto me davam prazer. Aos poucos as dores gestacionais foram se tornando mais intensas e acabei por abandonar também os sapatos de salto. Com o passar dos meses, a única coisa que permaneceu foi a vaidade gestacional: cabelo e pele estavam maravilhosos! Nem mesmo essa permaneceu…

Durante a gestação, fazia mil planos para depois que a bebê nascesse: controlar a alimentação, voltar a praticar atividades físicas assim que a GO liberasse, enfim, voltar a ser quem eu era em 6 meses! Se tivesse uma câmera escondida lendo cada pensamento meu, ela suspiraria e diria: “Atá!”

Eu até tentei no início: comer moderadamente, evitar doces, caminhava bastante até porque a BBUrsa odiava andar no bebê (des)conforto, estava cuidando da minha pele e cabelos que, por mais ou menos três meses, contrariava os palpiteiros que diziam: “espera só o bebê nascer que esse cabelo vai cair tudo e sua pelo vai ficar ‘u ó’. Naquelas horas eu pensava: “ahhh Senhor, que bom seria se à algumas pessoas lhes fosse cortada a língua!”. Pensava, mas, sorria e acenava hahahaha

Pois bem, o prognóstico do infortúnio se concretizou: passados os quarenta dias de resguardo, eu só pensava em dormir, sexo nem fazia (faz?) parte da minha rotina, comer deixou de ser prazeroso e passou a ser algo ‘necessário de se fazer em pé na pia mesmo naqueles 5 minutos em que o bebê se distraiu com um barulho de passarinho’, doces? “Ahhhh que delícia! Vou comer só até começar a me exercitar novamente” …

Quando as futuras mamães dizem: “minha vida não vai mudar nada, o bebê quem se adaptará à minha rotina”. Eu juro que penso: “coitada! Que Deus tenha piedade desta pobre alma e revele aos poucos seus planos para não a assustar demais!” Eu juro que desejo que tudo aquilo que elas almejam, de fato, aconteça, mas, sei que não será assim… infelizmente.

Pode ser que você tenha e conte com o auxílio de outras pessoas; pode ser que tenha babá à disposição, um marido maravilhoso que a ajude em tudo (e se for este o seu caso amiga(o), nem comente com ninguém porque o resto do ‘mundo dos maridos’ não é assim); pode ser que tudo conspire para que nada te abale, mas, acredite: o puerpério te abala, o cansaço, a solidão, a falta de tempo, o tempo que passa a ser medido de 3 em 3 horas e o sono eteeeeeerrrrrnnnnnooooo, ou melhor, a privação dele!

O recado que eu tenho para te dar é: não se anule! Lembre-se deste texto! Lembre-se de como pode ser difícil a maternidade e lembre-se de quem você é e de quem quer continuar sendo. Não estou dizendo isso para que fique triste; só estou tentando alertá-la para uma realidade que poucas pessoas comentam porque acreditam que o fato de quererem ter se tornado mães as impede de reclamar, sentir cansaço e vontade de chorar.

Acredite! É possível ter um bebê e ainda assim adaptar-se à nova realidade. Peça ajuda, reclame, grite enfim, busque o equilíbrio necessário para que se sinta bem e feliz. Eu não fiz isso, eu não busquei ajuda, eu me anulei em vários sentidos e… eu ainda preciso de ajuda!

 

Fabiana Paganini de Andrade, 35 anos, mãe da Ana Clara (BBUrsa) de 1 ano e 2 meses, professora apaixonada por ensino-aprendizagem.

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1 Comment

  • Reply
    Juliana
    12 de julho de 2018 at 21:25

    Já disse q sou sua fã? Eu sou!

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