MAMÃES REAIS MATERNIDADE REDE DE APOIO

Falta Colo

22 de agosto de 2018

Hoje durante o bate papo diário do nosso grupo de whatsapp, as meninas falavam sobre as visitas no puerpério e sobre a falta de apoio à recente mamãe. Uma das conversas que me lembro e que quero citar aqui foi há alguns dias quando alguém disse que se a gente olhar para a maternidade de forma diferente, ela vai ficar mais leve…
Esse grupo é sensacional! Se não fosse por ele esse blog não existiria. É incrível como mais de setenta mulheres conseguem conversar sobre assuntos diversos e sempre com respeito. Às vezes, eu apenas observo e é interessante demais.
Enquanto observava a conversa sobre as visitas, me lembrei, com pesar (que ainda se faz presente) sobre as perdas que a maternidade me proporcionou. Eu não culpo as pessoas por agirem diferente comigo após o nascimento do Pedro. Por um lado eu entendo que as pessoas acham que uma mãe recente e seu bebê podem ser um fardo, afinal, eu, por exemplo, não sou mais pontual como sempre fui – agora demoro pelo menos 10 minutos para colocar tudo dentro do carro e mais dez para tirar de lá. Eu preciso dar mamadeira, água, comida na hora certa; preciso parar para trocar fralda; se tiver muito barulho prefiro não ficar; se for muito tarde ou muito longe prefiro não ir, mas, me entristece quando as pessoas não me chamam para um evento que, com certeza, me chamariam antes. Engraçado, né?
Recentemente participei de uma corrida. Após a corrida, meu antigo ‘grupo’ combinou de ir tomar café da manhã juntos. Ninguém me convidou e isso me machucou muito. Quando Pedro nasceu eu não quis um monte de visitas, não queria na minha casa pessoas que não faziam parte do meu cotidiano, mas, como me fez falta as amigas; como eu gostaria de ter alguém para conversar sobre outros assuntos que não fosse a maternidade; como isso faz diferença na nossa vida. Mas, ninguém te pergunta isso… ou talvez as pessoas não estejam interessadas na resposta. E é aqui que entra a segunda conversa que citei no começo do texto.
Eu, mais uma vez, entendo que, por um lado, existe verdade em “olhar de forma diferente para maternidade”, sim, ajuda as coisas a se tornarem mais leves, mas, pode trazer uma culpa a mais para a mamãe que já está cheia delas… Algumas mães não tem ajuda alguma. Eu, por exemplo, nos primeiros quinze dias depois que meu marido voltou a trabalhar, não tive mãe, sogra, amiga, que me ajudasse. Eu estava com uma cicatriz, com um bebê recém-nascido, com hormônios enlouquecidos e sozinha. Como posso acreditar que o problema foi o meu jeito de olhar pra situação? Como posso achar que o problema era eu? Não! O problema é a vida moderna que tirou de nós a rede de apoio que as nossas mães e avós tiveram. Eu raramente encontro meus vizinhos; antigamente as vizinhas cozinhavam para a família da recém parida, as irmãs e primas moravam perto e lavavam a roupa, limpavam a casa, cuidavam dos outros filhos… E hoje? Hoje a pouca, porém valiosa ajuda que temos, vem do aparelho celular, vem virtualmente, de outras mães que, na maioria das vezes, passaram ou estão passando pelos mesmos perrengues que nós.
Eu acho que devemos sim olhar mais e falar mais da parte boa e doce da maternidade, mas, sinto-me na obrigação de avisar às futuras mamães que pode ser que as amigas desapareçam antes que a barriga do pós parto, pode ser que a sogra fofinha, deixe de ser tão fofa depois do nascimento do bebê, que o marido prestativo jamais troque uma fralda… Devo informá-la também que pode ser que ela tenha a sorte de contar com uma rede de apoio e não passar por nada do que eu passei e que torço para que isso aconteça ao maior número de pessoas, mas infelizmente não é o que acontece…
Estou em uma semana de trabalho e reconexão comigo mesma e o que quero levar dessas duas conversas? CUIDADO! Quero cuidar para que as minhas amigas mamães não sintam essa falta a meu respeito, quero cuidar para que eu não seja omissa com minhas amigas como foram comigo, quero cuidar para que não falte uma comidinha gostosa, um livro interessante (mesmo que ela não consiga ler) e um colo, como disse nossa amiga Selma hoje pela manhã.

Dani Prado, 34 anos, mãe do Pedroca e artesã.

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2 Comments

  • Reply
    Fernanda
    22 de agosto de 2018 at 17:05

    Dani,
    Sério! Posso falar exatamente o que escreveu! Hoje estou em minha segunda filha e, antes que ela viesse, certifiquei-me de que, desta vez, teria minha teia! Minhas mulheres comigo! E isso fez toda a diferença! Ainda assim, sou sozinha para milhões de coisas. E sinto uma solidão sofrida quase sempre. Saio muito de casa, vou tomar meu café da tarde comigo mesma e minha bebê. Lembro-me de quantas vezes fiz isso com amigas. Hoje, pela vida corrida, por todas trabalharem, isso se perdeu. Ensino minhas duas garotinhas a tomar “café de meninas”, como diz a mais velha. Sem isso, fica muito mais difícil ser mãe.

    • Reply
      Daniela Prado Tomaz
      9 de setembro de 2018 at 22:28

      Ahhhh Fer, como dói essa solidão, sinto como se a “vida antiga” tivesse me abandonado, com tudo o que fazia parte dela. Tenho a impressão de que poderia ser menor, se as amigas que são mães se lembrassem dessa sensação e se as que não são soubessem como é. Beijinhos.

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