BEBÊ CRIAÇÃO

Fazer Nada

7 de janeiro de 2019

Quando ouço as pessoas dizerem que não conseguem ficar paradas, fazendo nada, logo penso: “Ahhh, eu daria tudo para fazer absolutamente nada por longas horas”. Aí vem você e, claro, me critica, afinal, como assim não fazer nada? Isso é coisa de gente (desculpem o termo) ‘vagabunda’! Ai ai ai, até parece que você não aprendeu nada ao longo dessa vida proletária hein! (Eu me incluo nessa vida, tá?)

Já ouviu a expressão ‘ócio criativo’ (se nunca ouviu, vai lá e dá um Google agora!)? Ela existe exatamente para dizer, explicitamente, que é no ócio que criamos. O Google diz que ócio é o “espaço de tempo em que se descansa”. Mas, como assim Fabiana? De onde vem a ideia de que o ócio pode ser criativo?

Vamos lá! Pense em um dia seu de trabalho. Você acorda e faz todas aquelas coisas automáticas: escova os dentes, faz xixi (ou cocô ou os dois, sei lá!), oppppaaaa, espera lá se antes de tudo isso você já não tiver checado o wwaaazzzzzaaaaa! Continuemos: toma café, responde a pergunta do marido, da criança, escova os dentes de novo, ‘cai’ dentro da roupa de trabalho, liga o carro, segue até o trabalho, trabalha horas a fio, volta para casa, janta, toma banho (talvez o segundo do dia se você não for mãe), faz toda a rotina ‘mãe’, (talvez o banho venha só agora mesmo e a janta também) e deita! Ufa! Acabou!

Pergunta: em que momento você parou para fazer nada? Absolutamente nada? Enquanto lia suas mensagens? Não vale, estava fazendo algo. Pois bem, como ser criativo ou inovar se você não tem tempo para tal? Agora eu quero transferir este mesmo pensamento para o seu filho. Se ele vive cheio de rotinas e atividades intermináveis, em que momento do dia ele será capaz de criar algo por si próprio.

Todas as mães tentam, incessantemente, preencher a agenda dos filhos com idas ao parque, brincadeiras o tempo todo, atividades, atividades, atividades; todas guiadas, quero dizer, em momento algum à criança é dada a oportunidade de criar algo por si ou de, simplesmente, entediar-se. Pasmem: ambas são de extrema importância para o desenvolvimento.

Se eu direciono a brincadeira o tempo todo estou, automaticamente, transmitindo a ideia de que sempre haverá alguém guiando ou mostrando a direção a seguir. “Uaiiiii, e isto é ruim?” Claro! É o mesmo que dizer: “não se mexe, espera aí que eu já volto!” Se não houver o mínimo de reação ou curiosidade em se levantar de onde quer que esteja sentado; amigo, temos um problema.

A criatividade não é um dom, ao contrário do que muitas pessoas acreditam. Ela é algo que precisa de tempo, exatamente: ‘tempo’ para ser trabalhada, lapidada e conquistada. Ser criativo requer fazer nada! Dar tempo para que seu cérebro processe o mundo e seja capaz de interpretá-lo dando a resposta necessária.

Assistindo à uma palestra, ouvi uma excelente explicação que se encaixa perfeitamente aqui. A pergunta era: “quando você tem suas melhores ideias?” Várias pessoas responderam: quando estou no banho, antes de dormir, no meio da noite etc. Todas elas têm algo em comum: o fato de as pessoas estarem em momentos que são considerados de relaxamento. Nenhuma delas respondeu que tinha suas melhores ideias quando estavam no trabalho, por exemplo. E por que? Porque no trabalho não existe este tempo de relaxamento, de fazer nada.

Outro exemplo igualmente interessante foi o de quando discutimos com alguém. Após algumas horas da discussão, somos capazes de reavaliar o que dissemos e nos surpreendemos com pensamentos como “por que não disse isto?” “Nossa, devia ter dito isto, queria só ver o que ele ia me dizer!” Por que só depois temos toda esta lucidez? Porque somente quando estamos relaxados, somos capazes de ‘raciocinar’ de modo responsivo, portanto, criativo.

Você deve estar se perguntando: “Mas e aí Fabiana, cadê uma história da BBUrsa e ‘tals’?” Essa é a história amigos. Tem dias que a Ana Clara tem ‘n’ atividades, tem dias que eu não estou a fim de fazer absolutamente nada! E o que fazemos? Nada! É chato? Talvez… Entediante? Talvez… Mas me fala uma coisa: você tem vontade de fazer mil e uma atividades todos os dias? Tem? Oi? Fala mais alto? Pois é… eu também não. “E a Ana Clara, como fica?” Entediada uai! É nessas horas que eu vou atrás dela e ela está, por exemplo, passando uma pomada imaginária no ‘dodói’ imaginário do ‘cachorro’ (entenda como um saco cheio de areia que segura a porta).

Nesta hora, tenho a certeza que estou no caminho certo… ainda que entendiante.

 

Fabiana Paganini de Andrade, 36 anos, mãe da BBUrsa.

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