BEBÊ BLW ESPECIALISTAS INTRODUÇĀO ALIMENTAR

Introdução Alimentar

12 de dezembro de 2018

A introdução alimentar (IA) é um momento marcante na vida da família. O lactente deixa de se alimentar unicamente do leite materno ou fórmula e passa a acompanhar os demais a mesa. Ele acontece por volta do sexto mês e é importante pois nesta época o leite se torna insuficiente do ponto de vista nutricional. Por ser um momento de muita expectativa, muitas dúvidas surgem nesta fase!

A IA tradicional, ainda muito recomendada pelos pediatras, envolve o uso de papinhas caseiras preparadas com vegetais puros ou misturados. As frutas também são oferecidas batidas. A comida costuma continuar em consistência de papa ou purê até o primeiro ano de vida, quando passa a ser oferecida amassada e posteriormente em pedaços. A comida “normal de casa” demora a ser introduzida. Nesse modelo o bebê não come sozinho e a comida é ofertada sempre pelo cuidador. Era o modelo dominante de IA até pouco tempo atrás.

O método BLW (Baby-led weaning ou desmame guiado pelo bebê), criado pela Britânica Gill Rapley, nos anos 2000, traz um conceito de oferta de alimentos em pedaços grandes e estimulando que o bebê segure o alimento com as próprias mãos. Nele é o bebê que “lidera o desmame” e as papas ficam fora do cardápio. É um método que estimula a curiosidade e a parte motora da criança.  

No Brasil, com base no Guia Alimentar para a População Brasileira, publicado em 2014, há a recomendação pelo Ministério da Saúde da introdução de frutas amassadas associadas a uma refeição completa desde o primeiro dia da IA. A refeição completa é composta de um carboidrato (arroz, batata, mandioca), uma leguminosa (feijão, ervilha, lentilha ou grão de bico), um vegetal cozido e uma proteína (carne, peixe ou ovos), assemelhando-se a um “prato feito”, que pelos pesquisadores do NUPENS (Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da USP – SP), apelidaram carinhosamente de “PFinho”. Resgatar o padrão alimentar brasileiro é importante não só do ponto de vista nutricional, mas também cultural, e pode trazer melhorias para a alimentação de toda a família.

Independente do método de escolha, deve-se estar alerta a responsividade do bebê, respeitando seus sinais de fome e saciedade, com paciência e atenção, evitando o uso de distrações. Acima de tudo, a alimentação deve ser baseada em comida de verdade, feita em casa, com alimentos que vêm da natureza, com pouco sal, nenhum industrializado e com variedade.

Não se pode dizer que um modelo de IA é superior a outro. Cada um traz consigo vantagens e pontos negativos. O importante é observar a evolução do bebê e a dinâmica familiar e passar por esta fase minimizando o estresse e curtindo o momento de descobertas da criança. É um momento de aprendizagem e troca de afeto, afinal, comida é amor.

 

Carla Vaz de Lima, nutricionista e mãe.

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