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Mãe de Gêmeos – Vivenciando uma grande mudança

9 de julho de 2018

Sempre afirmei que, um dia, quando fosse ser mãe,  gostaria de ter gêmeos. Eu sabia que haveria uma chance, afinal, na minha família temos vários casos e eu imaginava que não haveria nada demais ter dois bebês fofos ao mesmo tempo, não é mesmo? Olha que delícia! Dois bebês! Porém, acredito que na fase da adolescência fantasiamos tantas coisas que jamais paramos para refletir como seria se elas pudessem, de fato, acontecer.

Um dia (para quem leu meu relato da FIV vai entender, senão corre lá!) precisávamos decidir se correríamos este risco ou se decidiríamos ter apenas um embrião implantado. Eu decidi colocar dois embriões porque não haveria uma segunda chance tão cedo pois, o investimento financeiro é muito alto. Deus, que nunca falha, decidiu que sim, quando eu mesma estava insegura e com medo, ele decidiu por mim.

O positivo vem, às vezes com FIV outras sem FIV. Ser mãe de gêmeos é amar duplamente desde o primeiro ultrassom; desde aquele resultado do BHCg quantitativo (que estava nas alturas) e durante todo o repouso, que muitas vezes se faz necessário. É um amor que cresce sem medidas, é sentir-se especial por ter sido escolhida para uma tarefa que exige tanta dedicação.

Nossa tarefa é sempre dobrada. As pessoas me perguntam muito: “Nossa, é mesmo tudo em dobro?!” Sim, não teria como ser diferente, precisamos estar preparadas para dobrar a quantidade de tarefas que teremos: amamentar em dobro, trocar fralda em dobro, dar banho em dobro, dar colo muitas vezes em dobro e por aí vai!

Não sabemos de que forma será a gestação, às vezes tudo correrá da melhor forma já outras será uma grande correria. Devemos também nos preocupar com a prematuridade, com o nascimento e com tudo que envolve a maternidade. Eu digo sempre que o enxoval não é nem de perto a maior preocupação, porque às vezes você vai demorar bastante para usá-lo.

Está aí um tema que pouco se fala: a prematuridade. Devemos primeiramente escolher bem o profissional médico obstetra que vamos poder contar durante o pré-natal. Tal informação é pouco abordada nas consultas, mas, primordial na vivência. Muitas vezes, por medo de deixar a mulher insegura e com medo, os médicos protelam esse assunto e, quando menos se espera, o inesperado acontece e nos deixa sem estrutura.

Segundo dados do Ministério da Saúde no Brasil, aproximadamente 10% dos bebês nascem antes do tempo. No entanto, o avanço da medicina tem possibilitado que a grande maioria consiga se desenvolver e crescer com saúde. São considerados prematuros (ou pré-termos), os bebês que vem ao mundo antes de completar 37 semanas de gestação.

Cerca de 30 por cento das grávidas de gêmeos entram em trabalho de parto prematuro e cerca de metade delas dá a luz antes de 37 semanas. Os partos prematuros são mais comuns no caso de gêmeos univitelinos (idênticos), especialmente quando os bebês compartilham a mesma placenta e a mesma bolsa.

No meu caso eles estavam separados cada um na sua bolsa e com sua placenta; era um peso gigante e não consegui segurar mais que 32 semanas. Comecei com perda de líquido seguido de trabalho de parto, 4 dias de internação tentando segurar, porém, não conseguimos. Fui encaminhada para uma cesárea de urgência pois, o Miguel entrou em sofrimento fetal. Nessas horas gostaria de ter me preparado mais para a cirurgia e as possíveis complicações.

Eu sonhava em ter um parto normal, mas, sabia o quanto estava sendo pretensiosa já que meu obstetra nunca me apoiou. Já acolhi partos naturais e humanizados de gêmeos e sem complicações, mas, naquele momento de urgência, o que mais me preocupava eram os bebês e a cirurgia. Eu sentia muito frio no centro cirúrgico e hoje vejo o quanto a experiência e a informação que tenho me fizeram falta.

Poucas mulheres sabem, mas hoje podemos contar com o Plano de Parto tanto para o Parto Normal quanto para a cesárea. A UNICEF criou a campanha “Quem espera, espera” e na página Quem Espera tem um modelo de Plano de Parto com opção para ser preenchido e impresso para entregar para a equipe que lhe atenderá no nascimento. Temos a chance de mostrar antes do nascimento como gostaríamos de ser tratadas no centro cirúrgico, como, por exemplo, para não amarrarem nossas mãos durante o procedimento, não deixarem o ar condicionado muito frio principalmente na hora do nascimento, para abaixarem o campo cirúrgico para que você possa visualizar melhor o seu filho entre outras situações de acolhida.

Após o nascimento, assim como todas as mães, nos sentimos numa cúpula onde na maioria das vezes nos fechamos e enclausuramos nossos sentimentos, o que é muito comum e nesse período. Temos que afrouxar nossos laços e aceitar todo e qualquer tipo de ajuda que nos oferecem; não queira ser a mulher-maravilha que vai cuidar dos seus filhos sozinha. Eu sei que é difícil, sei que o pós-parto não é fácil, mas, ainda mais difícil é não ter ajuda. Não quer ajuda com os bebês? Peça ajuda com a casa, com as roupas e com tudo mais que for necessário.

Nossa rotina nunca mais será a mesma, nossas noites serão recheadas de muito leite, fraldas e colo, e isso fará com que essa experiência traga muito aprendizado. Aceite ajuda sempre, fale aquilo que você sente e comemore sempre por ter sido escolhida para essa missão tão atarefada e cheia de amor que é a de ser mãe de duas pessoas tão diferentes.

É por isso que nos sentimos muito especiais, porque realmente essa missão vem nos mostrar o quanto somos fortes e vencedoras. Vencemos a gravidez de alto risco, vencemos os altos e baixos do relacionamento, vencemos a prematuridade, vencemos o medo e às vezes até a falta de fé, somos carregadas por aquele que nos sustenta e nos ampara e não desistimos de lutar nunca.

Enfim, penso sempre que Deus nos oferece esse presente porque sabe que daremos conta. Minha dica é: prepare-se para enfrentar uma grande mudança na sua vida, prepare-se para sentir um amor multiplicado, prepare-se para errar e acertar inúmeras vezes, afinal, é assim que ganhamos a experiência, não é mesmo?

 

Uyara Januzzi, 34 anos, mãe da Júlia e do Miguel, enfermeira obstetra que ama os filhos mais que tudo nesse mundo.

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1 Comment

  • Reply
    Juliana
    12 de julho de 2018 at 21:39

    Lindas palavras Uy. Gratidão. Eu nunca tinha ouvido falar até pouco tempo sobre plano de parto. Gostaria de ter tido um.

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