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Mãe de menina: de princesa à super-heroína

10 de agosto de 2018

No começo da gravidez senti que seria mãe de uma menina, claro que não me importava com o sexo, apenas com a saúde dos bebês, mas, acredito que todas nós temos um sexto sentido e na gestação ele fica mais aflorado ainda. Por ser mãe de gêmeos, sonhava em ter um menino e uma menina e por saber que isso seria um presente especial demais, não criei muitas expectativas.

Para descobrir o sexo da minha filha demoramos 6 meses. Foram 6 longos meses fazendo ultrassons a cada mês e sentindo sempre aquele frio na barriga, já que havíamos descoberto o sexo do menino primeiro. A expectativa só aumentava e o médico responsável pelos ultrassons era sempre o mesmo, ele frisava que só me contaria quando tivesse certeza. Até que esse dia chegou. Saí do exame com a certeza de que a intuição da mulher é algo extremamente sensível e verdadeiro.

Desde então descobri que teria uma companheira, um mundo que não precisava ser cor de rosa mas que deveria representar o lado delicado e doce de uma menina. Ela chegou assim, com os traços delicados, boca bem rosada e choro forte, me surpreendendo com sua força e seus cabelinhos castanhos. Eu imaginava que ela nasceria loira, com os traços do pai, mas não, ela veio surpreendendo mais uma vez.

A experiência de ser mãe de menina é algo que me faz reviver todos os dias a minha infância, ela não sabe quais eram as minhas brincadeiras na idade dela, mas, ela gosta exatamente das mesmas coisas, cito um exemplo: ela ama bonecas, ama trocar as roupas e fica um tempão criando cenários para brincar. Agora que está com 6 anos, já revelei a ela que era a brincadeira que eu mais gostava.

Embora ela seja delicada e meiga, é atrapalhada como a mãe e adora bancar a super heroína nas brincadeiras que criamos, ela gosta de capa, gosta de espada e volta todos os dias da escola mais suja que o irmão. Com 5 anos de idade foi apresentada aos jogos virtuais e tornou-se uma fã de MineCraft, um jogo de montar personagens e cenários com blocos. A influência veio do pai, eu nunca gostei de jogos, mas acredito que estamos muito sujeitas a tecnologia e isso apesar de ser regrado aqui em casa, é uma opção.

Nunca fui um exemplo de vaidade e ela veio cheia de atitude e ama usar minhas maquiagens. Minhas roupas nunca foram escolhidas pensando na combinação e ela veio para me falar sobre moda e estilo. Não consigo me imaginar sem esse lado doce e criativo que ela tem, dou muito apoio e estimulo que continue tendo esse talento para desenvolver. Hoje após 6 anos, estamos no processo de alfabetização. Revejo todos aqueles momentos que passei com minha mãe tentando me ensinar a ler e escrever, o quanto o carinho e cuidado dela fizeram e fazem a diferença na criação dos meus filhos.

Com o tempo aprendi algumas coisas importantes sobre ser mãe de menina e vou listar 5 delas para vocês:

  1. Meninas não precisam gostar de cor-de-rosa e isso não tem problema algum;
  2. Sou a referência dela e 100% das minhas atitudes vão refletir sobre seu comportamento;
  3. Ela gosta de unir o super-herói com a princesa: não interfira nos sonhos dela;
  4. Elas são meigas e carinhosas, mas não se engane com esse rostinho que te fala verdades;
  5. Ganhamos uma cúmplice e confidente: ela guarda o segredo da mamãe com prazer.                                                                                                      Minha maior dica é: apoie sua menina, mostre a ela o quanto ela é forte e poderosa para enfrentar essa sociedade machista que ela nasceu, e se você tem orgulho da mulher que se tornou, com certeza ela seguirá seus passos, mesmo que você não deseje.

Uyara Januzzi, 34 anos, mãe da Júlia e do Miguel, enfermeira obstetra que ama os filhos mais que tudo nesse mundo.

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