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Mãe de menino: como nasceu a mãe do Miguel

27 de agosto de 2018

Quero começar esse texto contando como descobrimos que seria um menino. O médico que fazia o ultrassom passou várias vezes o aparelho e numa delas eu vi, um pequeno-grande “pipi” posicionado na imagem. Comecei a rir, pensando como seria possível aparecer tão nitidamente um pipi tão pequeno, mas ali na imagem parecia enorme. O médico riu também e congelou a imagem, dizendo que ele “estava armado” para fazer xixi, e que foi muito fácil e certeiro afirmar o sexo. Trago a foto para vocês entenderem o quanto isso é real.

Fiquei muito feliz com a notícia e lembrando o quanto sempre fui arteira e um tanto “moleque” na infância já comecei a pensar na quantidade de artes que iria vivenciar. Escolhemos o nome depois de muitas pesquisas. Queria um nome simples e que tivesse um bom significado. Escolhemos Miguel que significa aquele parecido, mas, não igual a Deus. Um arcanjo símbolo de humildade.

O nascimento foi às pressas, ele precisava nascer pois estava em sofrimento fetal. Quando nasceu não chorou e não pude vê-lo. Correram com ele, mas, logo se recuperou e me trouxe aos batimentos novamente. Eu senti exatamente isso: como se tivesse parado o mundo e o meu corpo naquele momento até que, pude ouvir seu choro e me despencar em lágrimas também. Mas me trouxeram ele já com gorrinho e todo sujinho como um clássico prematuro: chorando baixinho e tentando respirar. Em seguida, o levaram para a tão temida UTI Neonatal e fiquei por horas sem vê-lo.
Não houve nada em minha vida até hoje que tenha sido capaz de me trazer emoções tão distintas em tão curto intervalo de tempo. Nasceram no mesmo minuto, sem direito a esperar, pois, Miguel precisava nascer. Seguimos assim até hoje: ele é emergente, traz uma doçura e um carisma incalculável quando deseja alguma coisa. Sabe como solicitar atenção e por vezes me deixa doidinha com sua teimosia. Sabe conquistar sua mãe, sua irmã e todas as mulheres que encontra pelo caminho.
Na amamentação sempre foi o mais faminto, mas também, o que mais me acariciava enquanto mamava, me olhando bem no fundo nos olhos. O tempo foi passando e fui aprendendo a ser mãe de um menino, embora esse menino nunca tenha se interessado por carrinhos, sempre foi apaixonado por super-heróis. Crescendo com a irmã como referência, tinha dificuldade de se socializar quando ela não estava por perto, mas, a defendia nos conflitos com os amiguinhos.
Eu me vi verdadeiramente mãe de menino quando um dia após a separação minha e do pai dele, ele me olhou nos olhos com apenas 2 anos e meio de idade e disse: “Mamãe, papai não mora mais com a gente?” Eu respirei fundo e disse que não. Ele logo me abraçou e disse: “Agora eu sou o homem da casa”. Naquele momento o abracei e agradeci por ser mãe de um menino; me senti acolhida e segura nos braços dele que, apesar de tão pequeno, mostrou uma sabedoria gigante.

Aprendi e aprendo todos os dias com ele e nunca imaginei que fosse ser tão vaidoso. Aos 3 anos já queria escolher a roupa de sair e adorava o corte do cabelo. Daqui uns anos se alguém quiser fazer piada por conta do cabelo ‘tijelinha’, tenho certeza que ele não vai colocar a culpa em mim porque ele gostava muito mais do que eu desse corte que não deixava de ser lindo.
Quando iniciei um novo relacionamento, minha primeira preocupação foi em como seria a reação dele como “menino-homem da casa”. Para minha surpresa, meu atual esposo, o conquistou com uma facilidade notável, como se fosse um encontro de almas. Eles brincaram juntos no primeiro momento e após nosso encontro ele disse ter gostado muito do “titio”. Confesso que foi uma surpresa muito boa, porque os meninos tendem a nos proteger mais e vejo amigas que tem muita dificuldade em lidar com esse processo. Eu garanto para vocês que não houve um só momento de dúvida que eles seriam amigos; meu coração se encheu de amor e orgulho mais uma vez de ser mãe de menino.

Após a separação ele continuou a ter contato semanalmente com o pai e isso fez toda a diferença na aceitação desse processo. Formamos uma nova família sem quebrar o que havia sido construído. Ele nunca presenciou uma briga entre nós e tenho certeza que as memórias que ele traz consigo são muito importantes para a construção de um homem no futuro.
Aprendi com o tempo que todos os meus problemas por menores que sejam, refletem no comportamento dele. Aprendo todos dias com os ensinamentos que ele traz, seja de uma brincadeira nova, de uma nova habilidade na escola, sobre um esporte que ele aprendeu a gostar ou até uma discussão que ele tenha enfrentado com um amigo. Ele me pede atenção o tempo todo! Gosta que eu deixe tudo para trás para brincar com ele, mas, aprendeu a respeitar quando eu preciso trabalhar. Ele me pede calma nos dias que estou agitada, me faz desenhos e adora jogar xadrez comigo porque sabe que eu sou péssima e que ele vai ganhar. É competitivo e gosta de ganhar sempre e eu vivo o ensinando que as coisas não são bem assim, mas, gosto do quanto se esforça quando quer ganhar alguma coisa.
Eu não sou a mãe perfeita, mas, fui a escolhida para ser a mãe dele. Eu erro e tento acertar todos os dias, mas estou aprendendo ainda que a felicidade dele está nas coisas que eu considero simples demais. Eu aprendo a ser a mãe do Miguel graças a todo conhecimento que ele me apresenta, e passei a entender que tenho mais a aprender com ele do que o contrário, apesar de ter demorado a entender isso.
Estamos no processo de alfabetização e estou amando ouvir ele juntar as letras e formar as palavras com tanta facilidade. Ele fica muito feliz com os elogios e hoje se mostra bem mais maduro e confiante. Agora com 6 anos, quase 7, tenho convicção do quanto um bom exemplo molda um bom menino. Espero viver muito tempo para ver esses pequenos ensinamentos o tornarem um grande homem.

Uyara Januzzi, 34 anos, mãe da Júlia e do Miguel, enfermeira obstetra que ama os filhos mais que tudo nesse mundo.

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