CRIAÇÃO familia MATERNIDADE

Minha mente, minhas regras?

24 de outubro de 2018

Eu tenho uma filha super fofinha, que me morde, me beija, me abraça, mas que, não faz escolhas sobre a roupa que eu coloco nela e, muito menos sobre eu ter furado a orelha dela. Respeito todas as opiniões sobre quem não o fez ou pensa em não fazê-lo depois que a criança nascer, se ela ainda não nasceu. Porém, vou relatar a minha opinião e tentar mostrar o quão relativa esta regra é diante de toda uma vida que ela terá.

Pensemos: somos nós quem decidimos se os nossos filhos usarão roupas ou não? Somos, não é mesmo? Somos nós quem decidimos que tipo de roupas nossos filhos usarão? Sim, não é mesmo? É justo? É justo decidir por eles? “Ahhh, mas Fabiana, furar a orelha envolve uma violência contra o corpo da criança. E outra, a sociedade quem impõe esta necessidade de se furar a orelha bla bla bla”, ok! Concordo… em partes. Vamos lá!

Ela pede para usar roupas ou você as coloca porque é assim que a sociedade dita? Não precisa responder agora não, espera mais um pouquinho. Você compra e veste a sua menina com quaisquer roupas ou a veste com roupas de menina? “Ahhhh, de menina, claro!” Pensou em esperar ela crescer para decidir se ela quer colocar aquela meia calça por cima da fralda e aquele sapatinho de verniz? Não, né? Mas, e aí, não é violência?

Bom, eu não quero ficar só nessa de furar a orelha, eu quero falar sobre violência mental. Sabe quando você a coloca para fazer aulas de Inglês, Kumon, reforço de Física, Mandarim, enfim, atividades que envolvam o intelecto? Perguntou se ela gosta? Se ela quer? “Ahhh, mas Fabiana, não me venha com essa! Eu pago um absurdo de escola pra ela ‘tirar nota’ e ela não sabe Inglês; vou matricular na escola sim!”

‘Ataaaaaaa!’ Entendi! Não pode a violência física, mas, a intelectual está ok! “Uai, Fabiana, quer que eu faça o quê?” Manooooo, try to walk on your daughter’s shoes! (‘tente andar calçada com os sapatos da sua filha’ = literalmente, ou melhor, pratique a ‘empatia’) Imagine você, odiando Matemática e tendo que fazer Kumon para ser melhor em Matemática. Vai passar a gostar? Vai, de repente, ganhar uma bolsa em Harvard e o Prêmio Nobel da Paz em Matemática? Não, não vai. Mas sabe o que vai acontecer? Ela vai passar a odiar mais ainda Matemática!

“Mas, ela precisa de Matemática para passar de ano!” Mas não precisa passar a vida fazendo Kumon e nem Inglês porque só vai ‘pegar ranço’ do negócio e passar a odiar mais ainda. Entendam, não estou dizendo para que sejamos permissivos e deixemos nossos filhos fazerem o que querem; só estou dizendo que seria bom ter um pouco de bom senso na hora de escolher as atividades extras que ele fará, decidir se é por prazer ou necessidade; evitar o diálogo do “gasto uma fortuna para bla bla bla e você tira nota baixa?”

Manoooo, não tem que ser bom em tudo nesta vida não! Saiba dosar… saiba colocar seu filho em atividades que permitirão uma melhor compreensão do ser humano que ele é; faça escolhas que, efetivamente, tragam algum benefício futuro para ele como pessoa não como a máquina que o mercado quer. O que mais vejo são pais frustrados querendo compensar no filho o que não foram. Não faça isso! Valorizem o que realmente importa nos seus filhos, valorizem quem eles são.

Agora, se você acha que um furo na orelha com dias de vida é mais importante do que todas as outras escolhas que você faz pela sua filha, manooooooo, a gente precisa conversar.

 

Fabiana Paganini, mãe da BBUrsa que jura que não va projetar suas frustrações nela… até porque não tenho nenhuma amigaaaa! OOOpssss! 36 anos e envelhecendooooo!

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