FAMÍLIA MATERNIDADE

Nasce um filho… nasce uma mãe-soberba

23 de novembro de 2018

Tenho 19 anos de profissão. Assim que entrei na faculdade, comecei a lecionar, pois já era formada em Língua Inglesa. Ao longo dos meus anos de profissão e das diversas experiências escolares que tive e tenho, posso garantir uma coisa: o filho é reflexo dos pais! É claro e óbvio que cada qual vem com sua carga de personalidade etc, mas, o principal, o cerne, o “cuore” vem do pai e da mãe. São eles quem moldarão aquela criaturinha tão indefesa e a farão acreditar que ela é tudo aquilo que eles dizem. Opa! Espera! Vai que ela não é tudo aquilo… shiiiii lascou!

Nunca pensei em engravidar durante a faculdade e nem durante os primeiros anos após ela. Pensei em viajar, curtir a vida, quem sabe casar, curtir a vida mais um pouco e, quem sabe, ter filhos… só depois, sabe? Costumo dizer que quem é mãe jovem, não pode escolher, foi escolhida. Que me perdoem as mães jovens, mas, por mais que seu filho seja tudo aquilo que você sonhou, uma etapa foi perdida. “Não Fabiana, você está enganada, eu posso fazer tudo o que você fez quando jovem, só vou adiar um pouquinho. Não me arrependo nenhum dia do caminho que escolhi para mim…” “É… talvez! Mas os amigos se perderam naquela época, né?”

O problema maior nem sempre está na idade, mas sim na soberba. Ahhhh a soberba! Notem que soberba e orgulho são coisas diferentes. Entenda que o orgulho é um sentimento de satisfação pela capacidade ou realização ou um sentimento elevado de dignidade pessoal, já a soberba é o mesmo que arrogância, se sentir superior, autoconfiança em exagero. E o pior vocês não sabem? Tem mães que arrotam peru quando, na verdade comem chuchu! Mães que se sentem no direito de dizer o que querem sobre quem encontrarem pelo caminho pelo simples fato de serem mães! Repito: PELO SIMPLES FATO DE SEREM MÃES!

Desculpem, mas, ser mãe deveria mudar sim sua condição humana, mas, para aquela condição que a aproxima dos dizeres de Sócrates ao afirmar que “só sei que nada sei, e o fato de saber isso, me coloca em vantagem sobre aqueles que sabem alguma coisa”. Que mãe que sabe alguma coisa aqui? Só sabemos aquilo que cabe ao nosso filho e, cada dia, é um ‘upa lelê’ diferente. Quem aqui tem todas as respostas? Quem aqui sabe mais que o médico sem ter se formado em Medicina? (por favor, estou falando da grande maioria, ok?) Quem aqui pode afirmar categoricamente o filho é ‘especial sim’, diferenciado? (adoro esta palavra e adoro ouvir as mães dizendo “mas o Arthurzinho é diferenciado”. Só se for o cocô dele, né mãe?)

Ouço mães fazendo com que seus filhos acreditem que eles são diferenciados e especiais; muitas vezes, verdadeiros gênios, “princepizinhos” ou princesinhas com seus mandos e desmandos. Amiga, desculpe novamente, mas, vamos aos gênios. Mozart aos 4 anos de idade escreveu a partitura de sua primeira Sonata. Seu pai, ao se deparar com aquilo, ficou estarrecido e disse: “Parece bastante difícil”, ao que Mozart respondeu: “Não com um pouco de treino”. Isto sim é genial! Estamos diante de um verdadeiro gênio! Outro exemplo? A primeira palavra proferida por Pablo Picasso foi “piz”, forma curta da palavra lápiz em Espanhol. Amigaaaa, qual foi a primeira palavra do seu filho? Cocô, xixi, “maaaaa”, “paaaa”?

Brincadeiras à parte, não interessa quando seu filho começou a falar, andar, comer, engatinhar, dizer “mamãe” (que olha, cabe um parêntese aqui, tem dias que eu queria ter dito para a Ana Clara que eu me chamo Dorotéia. Assim quando ela falasse “Dorotéia”, eu fingiria que nem sabia com quem ela estava falando hahahahah); nada disso interessa. Interessa quem você está criando. Um ser humano ou um ser que acredita estar acima do bem e do mal porque sua mãe passa o dia todo dizendo o quão maravilhoso ele é, ‘princepizinho lindo da mamãe’, ‘fucutchuco da mamy’!

Certo estava Sócrates ao afirmar ignorância e reconhecer que há sempre algo a se aprender e, consequentemente melhorar. Se você tem piano em casa e seu filho ainda não escreveu uma sonata, relaxa amiga, ele é igual a quaisquer outras crianças. O perigo está em você fazer com que ele acredite que é um gênio só porque o primeiro dente nasceu aos 4 meses ou porque andou aos 9 meses. Cuidado mamães, vocês pode estar criando uma criança que pode não se ‘encontrar’ quando alguém disser a ele o contrário… Lembrem-se ‘menos é sempre mais’: opte por enfatizar menos para colher sempre mais!

Bom, pelo menos, eu acho…

 

Fabiana Paganini de Andrade, 36 anos, mãe da BBUrsa que ‘nada sabe e segue no fluxo’.

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