BEBÊ CRIAÇÃO

Nunca diga nunca

25 de janeiro de 2019

        Acho que eu sempre fui na contramão do que todos desejavam para seus filhos. Enquanto todos diziam: “Não vou deixar chupar chupetas porque estraga os dentes”, eu pensava: “Ahhhh, acho tão bonitinho criança chupando chupeta, antes a chupeta que o dedo que estraga o céu da boca”. E a Ana Clara? Não quis chupeta até cerca de 1 ano e meio quando eu já cansada de resolver as acordadas durante as mudanças de fase de sono dela com mamadeiras, resolvi espalhar chupetas pelo berço.   

            Na primeira acordada, fui até o berço e, gentilmente, coloquei a chupeta na boca dela. Parecia que ela tinha ganhado um frasco (é frasco ou caixa, pessoal? Porque eu, sinceramente, não sei!) de Rivotril. Pegou no sono de novo. Passadas mais umas 2 horas, acordou novamente. Lá fui eu e peguei a chupeta. Ela disse: ‘Qué tetê mamãe’. Dessa vez, não contrariei e dei a mamadeira.

            Quando da terceira vez que acordou, dei a chupeta novamente e tudo bem. Hoje ela mesma procura a chupeta e, quando não a encontra, me chama: “Mamãe, vem aqui! A pepeta amarela”. Eu que não acendo uma luz nem  que um gato cruze na madrugada no meio das minhas pernas, pego qualquer chupeta do berço e digo para ela: “Aqui filha, a amarela”. E ela segue feliz no sono até a mamadeira do café da manhã.

            Hoje em dia, ela mesma procura a chupeta no berço e só me chama quando quer tomar o tetê que, geralmente, acontece somente uma vez na noite. É claro que eu invejo aquelas mães que ensinaram os bebês a não mamarem a noite. Mas, eu cometi o grave erro de dar mamadeira todas as vezes que ela chorava. Não me ative para a ideia de acalentá-la, fazer um carinho e colocá-la novamente para dormir. Achava que ela estava com fome o tempo todo.

A pediatra já me alertou que teremos que tirar essa mamada da madrugada. E eu me pergunto: “Mas como, Seeeemmmmm OOOOrrrrrr?” Ela disse que fará da melhor forma possível para que a Ana Clara não sofra. Hahahaha! Mal sabe ela que quem está sofrendo desde já sou eu.

            Outra coisa que me deixa lá na fila das mães desnaturadas é o fato de a Ana Clara ter ido para a escola com 5 meses e meio. E, para ser sincera, eu não via a hora disso acontecer. Sempre fui bem clara quanto à minha opinião de os filhos irem cedo para a escola ou, no meu caso, devido à minha necessidade de voltar ao trabalho e a minha crença de que na escola ela estaria mais apta a desenvolver suas habilidades do que ficando em casa ou sendo cuidada pela avó que cuida maravilhosamente bem dela.

            A questão é que eu não gosto muito de pedir ajuda. Não acho que os avós (ou quem quer seja) tenham que ficar com as crianças para a mãe ou o pai irem trabalhar. Acredito que eles possam me fazer um favor, mas, ter isso como obrigação, na minha opinião, não é legal. E isso vai contra o que muitas mães e pais acreditam.

            Eu dizia que, por exemplo, eu não gostaria que ela assistisse qualquer coisa no celular em quanto comesse. Funcionou bem até, mais ou menos, 1 ano e 3 meses. Depois disso, ela pede para assistir “massinha” todas as vezes que vamos fazer alguma refeição. Acredito que o fato de eu não cozinhar e de a comida dela ser diferente da nossa, a deixa sem alternativa. Os horários em que comemos também são diferentes então acho que ela fica meio entediada, sei lá! Massssss, se está comendo, vai com fé!

            Ainda com relação à alimentação, eu também dizia que jamais iria ficar correndo atrás de criança para comer. Amigaaaaaaaaaaa, eu já desci elevador com a comida no prato, andei o playground todinho só para ver a criança comer tudo. Hoje ela já senta na cadeirinha com um assento elevado e, aparentemente está muito feliz com essa mudança. No entanto, tem que estar assistindo “massinha”.

            Eu disse e gostaria que ela só tivesse comido algo com açúcar aos 2 anos de idade, mas, isso não foi possível. Minha mãe e irmã, que são pessoas a quem devo todo meu afeto e gratidão, achavam que tudo bem se ela experimentasse algo antes dos dois anos. Então, não deu muito certo por aqui. Ela não pede chocolate de sobremesa, mas, já comeu. Hoje mesmo minha irmã me disse que ofereceu chocolate para ela e ela disse: “Qué suco!”. Bem, amém, né?

            Particularmente, eu nunca disse que “Ana Clara não vai comer/fazer/beber isso nunca”. Sou bastante flexível e acho que ela vem fazendo tudo na medida do normal. Ofereço tudo o que esteja comendo para ela, exceto aquilo que sei que possa fazer mal por conta do tempero. Evito comer ‘porcarias’ na frente dela mas sei que, inevitavelmente, ela as comerá algum dia.

            Acredito na flexibilidade: um dia brigadeiro, no outro manga. E seguimos!

 

Fabiana Paganini de Andrade, 36 anos, mãe da BBUrsa, com um olhar bem Zeca Pagodinho para vida: “deixa a vida me levar… vida leva eu”!

 

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