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Desculpa, o filho é meu…

6 de abril de 2018

DESCULPE, O FILHO É MEU…

Há tempos essa frase ecoa em minha cabeça.

Talvez por algumas situações do dia a dia que, há 2 anos e meio, me levaram a perguntar o que é isso o que fazem com a gente quando nos tornamos mãe, e por que?

Às vezes penso: será que é egoísmo ou estou sendo possessiva demais?

Outras vezes me vem: mas fulano só quis ajudar, vamos tentar ver pelo lado bom da vida.

Tenho certeza que é uma mistura dessas duas hipóteses e vou tentar explicar o motivo de eu estar aqui, escrevendo para vocês.

Quando estava grávida do meu primeiro filho, como de costume, recebi “carinhosamente” muitas dicas e conselhos de como deveria agir.

Primeiro parênteses: estava com a casa em obra, prevista para acabar 1 mês antes da data prevista para o parto, mas a Lei de Murphy sempre foi muito forte em minha vida, e isso só aconteceu depois que meu filho completou 6 meses de vida.

Então, naquele caos de obra, final de gravidez e na ânsia o canto do meu filho, a humanidade, pouco empática, resolveu entrar em ação.

Meu filho nasceu e eu no corre-corre, tinha que atender os prestadores de serviço para terminar tudo o quanto antes.

Então, em sua primeira semana de vida, um dia amamentei meu pequeno e o deixei com pessoas de minha confiança. Fui na obra, verificar uns detalhes, não fazia 5 minutos que havia saído e meu celular estava bombardeado por mensagens, inclusive de voz (com o menino aos berros), dizendo que que já haviam tentado de tudo, mas que o menino não parava de chorar.

Respirei fundo e voltei, em menos de 2 minutos estava lá.

Ao que vou pegar meu filho, uma das pessoas olha para mim, faz um shhhhh com a mão na boca, seguido de um ‘tchauzinho’, para que saísse de perto.  Me retirei. Mas ficou a mágoa de não ter tomado meu filho nos braços, já que seu choro, possivelmente, era por sentir falta de mim, do meu cheiro, do meu corpo… Coitadinho! Deve ter dormido por exaustão.

Dias mais tarde, meu filho dormindo no sling no meu colo, vem novamente a mesma pessoa e fica pegando nos pezinhos e passando a mão na cabecinha, eu, naquele fervor de hormônios e sentimentos, mais uma vez fiquei quieta, mas ainda hoje ficou algo não resolvido por não ter falado um: shhhhhh, deixa ele dormir, não encosta nele, acenando com um belo ‘tchauzinho’.

Sem contar às vezes que vi pessoas tentando acordá-lo das sonecas para que dormisse bem a noite.

Então, veio a Introdução Alimentar e, eu, depois de muito pesquisar, optei por dar coisas orgânicas e saudáveis, através do BLW (Baby Led Weaning), que pode ser traduzido como desmame guiado pelo bebê, que consiste em permitir que a criança explore o alimento e coma o que quiser, na velocidade que quiser e por ela mesma. Mas, toda vez que alguém via era um tal de: ele vai engasgar, na minha época peneirava as papinhas, blá blá blá…

Agora, com 2 anos, ele come de tudo, confesso que evito doces e industrializados, mas estou bem mais flexível. Porém, continuo não gostando quando pessoas oferecem coisas sem perguntar.

E esse incômodo tem explicação. Meu filho é um avestruz, ama comer. Mas, se exagera, desanda o intestino, assa o bumbum e quem tem que cuidar? Quem aguenta o choro? A chata da mãe, porque pegar ele bonitinho, simpático e desfilar por aí é bom demais!

Mas, cuidar na hora do aperto, controlar horários dos remédios, verificar fralda ou temperatura e oferecer água já é outra história.

Ah, se o tempo voltasse, naquele dia em que pediram para eu sair de perto, hoje, fortalecida, delicadamente falaria, pode deixar que eu cuido dele, ele deve estar com saudade da MAMÃE.

Por essas e outras, de um tempo para cá, quando me fazem propostas que eu não gosto ou vejo oferecer algo que não acho ser uma boa, faço o que quero, finjo demência e respondo internamente: “Desculpe, mas o filho é meu.”

 

Tatiana Moreno

37 anos, mãe em tempo integral, do Ale (2 anos) e da Elis (8 meses), apaixonada por aprender coisas novas!

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2 Comments

  • Reply
    Juliana
    13 de maio de 2018 at 05:53

    Totalmente apoiada Tati….o filho é seu e tenho certeza que vc sabe melhor do que ninguém o que é melhor pra ele. Bjus

    • Reply
      Tatiana Moreno
      14 de maio de 2018 at 22:28

      Obrigada Juliana!
      Acredito que toda mãe sabe o que é melhor para seu filho e que nosso radar funciona melhor quando não há interferências. Beijo

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