BEBÊ MAMÃES REAIS MATERNIDADE

O papel do pai

22 de junho de 2018

Eu entendo que este é um assunto delicado para a maioria das formações familiares, eu, por exemplo, não tenho nem mesmo o sobrenome do meu pai, no meu registro de nascimento na parte à frente de ‘pai’ está em branco.

Mas aqui no Mamães da Vida Real, nos propusemos a contar a realidade da nossa vida, da nossa família; então, eu não posso continuar a falar da minha maternidade, sem contar o que me permite vivê-la da forma como eu escolhi.

Vou começar pela parte chata, porque “viveram felizes para sempre” combina mais com final de texto. Eu admiro as mulheres que lutam por igualdade, no entanto, no que diz respeito à maternidade, isso ainda não é possível em sua totalidade. Você menstrua, o que faz de você a pessoa preocupada e ansiosa por algo que está atrasado… feito o teste, com a sua urina, um risquinho a mais e já vem um enjoo, no meu caso veio uma diarreia daquelas (meu emocional age diretamente sobre o meu intestino, sempre!), para ter certeza, você vai fazer um exame beta, e taca-lhe agulhada.

Para a maioria das mulheres, os três primeiros meses de gestaçāo são terríveis, enjoos, sonolência, azia e medo; seu corpo “precisa” ser capaz de “segurar”o bebê. A essa altura você já parou de tomar café, cerveja, comer doces e pegar peso. Chega o segundo trimestre, a barriga começa a dar algum sinal de vida, e o pai começa a ver que algo está realmente acontecendo, eles adoram dar a notícia aos quatro ventos, como se isso fosse render uma estrelinha de bom pai rsrsrs… Mas é na sua barriga que as pessoas querem tocar (e muitas tocam sem ao menos te perguntar se pode). No terceiro trimestre, você está acabada (imagina eu, que quase entrei pro quarto trimestre kkkkk) é dor pra todo lado, você não dorme direito, não consegue comer uma ervilha sem parecer que comeu um boi, e o pai é o primeiro  ficar ansioso, começar a sofrer…

Gente, não adianta mudar de sexo, mudar a denominação de gênero, ser um ‘paizāo da poha’, só quem nasceu com útero, é que vai ficar grávida e sofrer com as férias hormonais (Sim!! Na gestaçāo, todos os chefes hormonais tiram férias, aí fica aquela zona). Nascido o bebê, você pode optar por amamentar, ou não; pode conseguir amamentar, ou não; se der tudo certo, quem pode fazer isso? Só a mãe…

A parte boa, é que tudo isso pode ficar mais leve, quando tem alguém que te ajuda e te apoia.

Aqui em casa, fizemos tudo juntos, reformamos o quarto, eu fiz o enxoval enquanto ele e meu sogro fizeram os móveis. Juntos escolhemos o nome, as cores da decoraçāo, os padrinhos, a fonte da tag da lembrancinha, desde coisas simples até as mais complexas.

Amamentar nunca foi fácil pra mim, mas o Rudney (meu marido, pai do Pedro) foi essencial para que eu conseguisse seguir em frente. Ele não me deixou desistir, mas sempre me lembrava que se não desse, não tinha problema, ele dizia: “estamos juntos”. Quando o Pedro nasceu, ele conseguiu ficar em casa por 20 dias, o Pedro vivia no ciclo de 3 horas entre mamar, dormir, acordar, trocar fralda e começar de novo. Eu mal conseguia ir ao banheiro mas , enquanto eu dava mamá, o Rudney preparava o café da manhã e tantas vezes colocou na minha boca, pois já passei 2 horas com o Pedro pendurado no peito…

O bebê nasceu, saiu da barriga, mas o que li sobre a exterogestaçāo fez muito sentido pra mim e eu fiz questão de estar com o Pedro o máximo que eu consegui. O Rudney trocava fralda, segura na hora da cólica, de arrotar, dava banho, mas, ele passava a maior parte do tempo comigo, só dormia se fosse no colo, mas podia ser o meu ou o do pai, então nós nos revezávamos.

Terminados os 20 dias, o Rudney voltou ao trabalho e cá estávamos nós (eu e Pedro) sozinhos, não sei como me virei. Foram longos quinze dias sem o papai (que trabalha em outra cidade). Eu, que já havia me acostumado a ficar 15 dias sozinha, agora tinha que aprender a ficar quinze dias sozinha, com um bebê. Não foi fácil, fui dormir sem tomar banho um dia, e prometi que nunca mais passaria por aquilo. Banho é sagrado!

Eu vivo duas vidas distintas, uma parte do mês eu fico sozinha com o Pedro e na outra parte eu tenho com quem dividir absolutamente tudo! Quando o Rudney está em casa, o banho é do papai, as trocas de fralda, colinhos e brincadeiras são divididas, por igual, sem pesar pra ninguém, agora que o Pedro já mama bastante na mamadeira, até o mamá… deveria ser assim em todas as casas, mas não é! E são raros os casos em que o pai assume mais responsabilidades que a mãe, apesar de estarmos em 2018. Existe também uma parcela de mães (em algumas situações, eu sou dessas) que acham que o pai não sabe fazer, e pegam a responsabilidade pra si e tira do pai a oportunidade de aprender… todo mundo é capaz, basta querer e ter oportunidade.

Quando estou sozinha com o Pedro, me desdobro para dar conta, mas não deixo o papai de fora, graças à tecnologia, tem vídeo fofo todo dia, fotos de todos os ângulos. É o trabalho do papai, lá longe, que nos possibilita estar juntos. Quando o papai está de folga, fazemos o máximo de coisas juntos, tentamos viver o presente e curtir muito cada fase pois sabemos que o tempo voa.

Espero que com o nosso exemplo, o Pedro, se um dia se tornar pai, seja mais que presente, seja o braço direito e esquerdo da mamãe do filho dele.

Espero continuar deixando que o pai faça o papel dele, do jeito dele, mesmo que eu ache que o meu jeito é melhor. Espero que eu saiba respeitar as diferenças, porque quem ganha é meu filho, ele saberá que pode contar com duas pessoas para o que precisar!

E espero ficar velhinha dividindo os netos com o vovô mais bacana do pedaço.

 

Dani Prado, 34 anos, mãe do Pedro (10 meses). Apaixonada por livros, corridas emuito mais.

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