DOR MATERNIDADE PARTO

O PARTO

24 de setembro de 2018

Na manhã do dia dezessete de maio (40 semanas e 3 dias) percebo um sangramento rosa claro em pequena quantidade ao fazer xixi. Mandei logo uma mensagem pra Uy que pediu que eu fosse ao hospital. Fizemos uma cardiotoco, exame físico e estava tudo ok: colo estava “apagando” mas ainda não estávamos em trabalho de parto. Passei o dia querendo ficar quieta e praticamente apenas deitada. No fim da tarde um novo sangramento, um pouco maior, retornamos então ao hospital. Novo exame e tudo correndo bem e estávamos liberados para voltar pra casa.

Aquela noite foi estranha. Ao voltar pra casa, no carro, disse pro Rafa: “Eu tô diferente, acho que alguma coisa vai acontecer”. Chegamos em casa, comemos um caldo com meus sogros e apareceram as contrações. Doloridas, regulares, espaçadas. Fui pro chuveiro como era orientação da Uy. Banho de 40 minutos. Chuveirinho na barriga. Alívio!

Fui deitar e comuniquei a ela como estava. Ela pediu pra eu dar notícias ao longo da noite. Acordei à 1:30 da manhã com dores mais intensas. Avisei. Às 3:00 da manhã perguntei o que podia fazer pra aliviar a dor, ela entendeu que a hora estava chegando e foi pra nossa casa. Finalmente estava acontecendo!

Bola, chuveiro, bola no chuveiro, massagem, tentativa de dormir, café da manhã, mais bola no chuveiro, mais massagem… dilatação, dor. 10:30 da manhã ela disse que estávamos com quase seis centímetros e que era hora de ir. Banho, troca roupa, pega tudo. Demos entrada às 11:30. Um toque, oito centímetros de dilatação. Fomos internados. Mais bola, mais chuveiro. Fome! Quando o lanche chegou não descia mais nada. Bebi um pouco de suco e quis me deitar. Queria dormir, mas as contrações não deixaram.

Outro toque, nove! Quase lá!  Uma médica ausculta e diz que o bebê está alto, frustração! Em quatro apoios na cama, abraçada na cabeceira peço analgesia (por volta das 15:00) e Rafael tenta me encorajar a desistir de ser medicada. Começo a vocalizar. A anestesia não chega, nunca! Sinto uma pressão enorme, Raquel desceu dentro de mim. Grito: ela está saindo! Está nascendo! Correria! Um dos médicos olha da ponta da cama e vê ela coroando. “Chamem a pediatria”, ele diz. Em segundos o quarto se encheu. Meu marido segura a minha mão emocionado. Ela estava nascendo.

Uma médica pede que eu faça força segurando um pano. Me recuso fazer puxo dirigido. Em posição litotômica (ginecológica) digo que farei força quando sentir que é a hora. Jordana (uma médica incrível que se apresentou como parteira) me apoia e me abraça. A contração vem, faço força. Vejo o círculo de fogo, que me queima! Peço ajuda, mas ninguém ali poderia parir por mim.

Raquel vai e volta, duas vezes, em duas contrações. Mas a menina é generosa e me dá descanso entre uma e outra. Bebo suco, respiro. No terceiro puxo passa a cabecinha, marido me encoraja a fazer a maior força da vida. O puxo se mantém e eu solto um urro (digno de um viking guerreiro, segundo ele) e ela sai. Molinha, quentinha. Eu sem reação. Rafael me abraça, conseguimos! Raquel chegou!

 

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