MAMÃES REAIS MATERNIDADE PUERPÉRIO

O powerpério

5 de setembro de 2018

Eu li alguns textos (muitos) na internet que falam sobre o fim do puerpério.
Alguns dizem que o auge do puerpério é o 4° dia após o nascimento do bebê, e ele começa a diminuir após o 14° dia.
Eu não sei onde estão as evidências científicas de que esse período tem data certa pra acabar.
Eu passei pelo puerpério e, às vezes, nos dias mais cansativos, ele retorna.
E essa fase mais intensa dele durou até mais ou menos o 8º mês pós parto.
Eu quero falar sobre essa fase que não tem nome, que não é o puerpério, mas que também não não achei um nome pra ela. Talvez seja uma fase inominável mesmo .
Eu a chamo de powerpério.
Quando não temos nenhum minuto do dia pra existir sem estar cuidando de outra pessoa, aparece aqui um sentimento muito ruim.
É um sentimento indigesto que às vezes não dá pra extravasar, mas, também não dá pra ignorar .
É cansaço? É! Mas é algo além.
Pois cansaço você “mata” descansando, no entanto, como ter tempo pra descansar quando você precisa estar 100% ligada pois precisa cuidar de outra pessoa?
É raiva? Não!
Raiva do que?
É culpa? Não!
Culpa de que?
Na maternidade não existem culpados, mas os sentimentos ruins existem e a necessidade de lidar com eles também!
Teve um dia em que não dormi bem. Acordei, e iniciei a minha função de mãe: trocar fralda, alimentar, brincar, distrair pra não se machucar, dar banho, trocar de roupa, colocar fralda num bebê que se contorce e tem mais força que você, lidar com choro, com brinquedos descontrolados vindos na minha direção.
Era domingo, meu marido estava em casa e foi preparar o almoço.
Durante a semana tudo tem horário estabelecido. Fui eu quem fiz estes horários? Claro que não, minha amiga! Foi o bebê . Ele dita as regras e eu, como boa funcionária, só sigo as ordens.
O almoço no final de semana, sai tarde. Quem pilota a cozinha é o marido.
O horário passou do estabelecido pelo meu patrãozinho e o choro se estabeleceu. Levei pro quarto, dei mamá e ele ficou naquele pique de sono que passou do horário.
Resumo: 1 hora depois não dormia, nem parava de chorar. Fomos pra sala.
Almoço ficou pronto e aqui em casa a gente se divide pra comer, enquanto um come, o outro olha o bebê. Isso só acontece aos finais de semana, pois na semana eu como sozinha com meu filho ou então comemos juntos.
Eu sempre como na velocidade da luz. Hábito que adquiri e que não gosto. Mas, infelizmente, é o que tem pra hoje, já que meu marido fica cuidando do nosso filho em cima de mim. Então, tenho que me desviar de mãozinhas que tentam puxar meu prato, meus talheres, meu copo de suco etc. O quanto antes eu terminar minha refeição é melhor até mesmo para minha sanidade mental.
Neste dia eu estava extremamente cansada, o que por hábito, tenho facilidade de esconder com um sorriso.
Já meu marido também estava cansado e eu percebi pelo mal-humor-capricorniano estampado em sua cara, o qual não faz questão nenhuma de disfarçar.
Eu estava terminando de comer quando meu filho caiu e bateu a cabeça no chão. Meu marido estava cuidando dele, estava na frente dele e não conseguiu evitar a queda.
Comecei a chorar. Chorava e comia. Eu sei o quanto é dolorido bater a cabeça e isso dói em mim.
Esse episódio foi o suficiente pra acabar com o resto de bom-humor que havia em mim.
Terminei de comer, peguei meu filho e fui trocar a roupa e a fralda que já era àquela altura a 3ª fralda do dia.
Deitamos na cama, amamentei ele no meio de um choro sentido, de partir o coração.
A culpa bateu: porque eu não deixei pra almoçar mais tarde e fui cuidar do meu filho? Se eu estivesse cuidando ele não teria batido a cabecinha no chão.
E estou aqui, com aquele sentimento descrito no início do texto.
Não sei se é cansaço, raiva, culpa.
Pode ser que seja um mix de todos eles.
Ou pode ser o powerpério. Uma versão mais forte do puerpério, que aparece quando o cansaço vira raiva, e a raiva vira culpa.

Mara, uma mãe que tem bastante bom humor, mas às vezes chora de cansaço, de raiva e de culpa.
A foto bonita é pra lembrar que existem mais dias bons do que este que acabei de relatar.

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