BEBÊ MAMÃES REAIS MATERNIDADE PUERPÉRIO

O que todo mundo evita falar

11 de abril de 2018

Sabe, quando eu tinha 17 anos, eu sofri de Síndrome do Pânico. Eu tinha um medo imenso de morrer e achava que isto iria acontecer a qualquer momento. Eu dizia para minha mãe: “Olha, deixa eu dormir na sua cama porque eu acho que vou morrer”. Bem, eu não morri. Tomei remédios, fiquei bem e acho que, até agora, tenho dado certo.

Minha cabeça é muito louca. Ela fervilha pensamentos o tempo todo; ela quer resolver todos os problemas; ela faz mil planos, cálculos, cria milhares de conversas que nunca existiram e as arquiva em uma caixinha porque pensa “vai que um dia eu preciso desta conversa e é só eu abrir esta caixinha aqui e plim! lá estará o diálogo”. No entanto, depois que eu virei mãe, meus pensamentos quase sempre são cheios de culpa e pedidos de perdão.

Preciso esclarecer algo para que todo o resto faça sentido: sou uma pessoa extremamente sociável! Adorooooo tomar um cafezinho em algum lugar com amigos ou uma cerveja num fim de tarde. Tenho um prazer imenso em conversar com as pessoas e me alegro sempre quando sei que minha companhia é bem-vinda. Tenho uma ânsia de viver tudo, passar por todas as situações possíveis e imagináveis, enfim, tenho prazer enorme em viver e estar viva!

Engravidar foi (e tem sido) o maior desafio da minha vida. Abandonar meus ‘saltos 15’, colares, academia, os cafés e cervejas do fim de tarde doeu, mas, não mais do que engatar na árdua tarefa de ser mãe. Entendam: a maternidade é plena de sentimentos opostos. Sentir raiva e felicidade no minuto seguinte é tão comum como uva passa na maionese no Natal. Porém, a uva passa a gente tira, já a culpa de ter pensado de determinada forma ou agido de maneira irracional fica registrada em uma outra caixinha; aquela com título em negrito e itálico Para se lembrar até o fim da vida… e além.

Durante os primeiros meses de nascimento da minha filha eu chorei copiosamente (estou me debulhando em lágrimas agora), chorei porque sentia sono, tristeza e uma solidão que dilacerava o peito. Os dias não existiam; existia algo chamado “de três em três horas”. Eu acredito que cheguei a desejar a minha morte e me perguntei dezenas de vezes porque tinha escolhido trilhar aquele caminho. Ao mesmo tempo eu pensava: “Não dá pra voltar atrás!” e no mesmo instante dizia: “Meu Deus, o que eu estou dizendo? Senhor me perdoaaaaaaa!”

Estou certa que no dia do juízo final, aquela energia na qual acreditamos, aquele Deus, Oxalá ou o que ou quem quer que seja, vai ligar o projetor e começar a passar todos aqueles flashes e a cada olhar que ele me lançar eu irei sumindo, sumindo, sumindo até chegar próximo a um grão de areia. Então, ele olhará para mim e dirá: “Serás, a partir de hoje, um grão de areia e rolará por toda a eternidade a esmo!”

Minha formação católica me incita hoje a pensar e refletir sobre algo que não acredita ser possível. Quando frequentava as aulas de catecismo, ouvia a professora dizer que pecávamos por pensamento. Eu logo revirava os olhos em pensamento e divagava: “Atá! Que coisa mais impossível! Não se peca assim!” Hoje eu penso: “Torne-se mãe e seus pensamentos e a culpa que carregarás por tê-los pensado, te apunhalarão até o último dos seus dias.”

Tem dias que eu peço para Deus me arrebatar porque eu não vou dar conta! E aí, esse ‘carinha’ muito esperto me conta a história de alguém que sofre ou sofreu infinitamente mais do que eu (tipo a ‘psoríase’ da Dani – não leu? Corre lá!), alguém que luta porque acredita em algo e se mantém determinado a cumpri-lo e nestes momentos eu me sinto tão infinitamente pequena e imensamente envergonhada…

Nestes dias, eu prometo que nunca mais irei reclamar, prometo que serei paciente, prometo que poderá ‘cair meu braço’ mas eu vou ficar lá no berço até que ela pegue no sono sozinha e… eu faço tudo isso e aprendo a cada dia que eu preciso me perdoar para que ela, minha bebê, também me perdoe porque ela vai ser minha por pouco tempo… e depois vai ser só dela… mas, sobre isso, todo mundo evita falar…

Fabiana Paganini de Andrade, 35 anos, mãe da Ana Clara (BBUrsa) de 1 ano e 2 meses, professora apaixonada por ensino-aprendizagem.

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2 Comments

  • Reply
    Juliana
    13 de maio de 2018 at 05:41

    Fabi q lindas palavras…. me identifiquei em todas….obrigada por dividir conosco. Vc é uma mãe porreta e a Aninha vai se orgulhar muito d vc. Bjos cm carinho. Ju.

    • Reply
      Fabiana Paganini de Andrade
      19 de maio de 2018 at 01:02

      Juuuu, obrigada pelo carinho! Tem dias que o peso nas nossas costas é tão grande que achamos que não vamos suportar, não é mesmo? Obrigada demais pelo carinho mesmo! Que possamos a cada dia nos identificar e reconhecer no outro nossas forças e fraquezas e, acima de tudo, compreender que vamos passar por tudo isso e sermos muito felizes!

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