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O que une as pessoas?

13 de maio de 2018

O que une pessoas? Será que procuramos pela alma gêmea ou pela alma que completa e acrescenta? E, quando falamos em tecnologia então, somos bombardeados pelo “quanto a tecnologia afastou e afasta as pessoas…”. Engraçado pensar que isto não se aplica aos envolvidos na criação e execução desta página.

Ano passado, fomos – eu e meu marido – agraciados com a chegada da nossa pequena Ana Clara (carinhosamente apelidada de “BBUrsa” pela prima). Alguns meses depois, uma amiga de longa data disse que me adicionaria a um grupo de WhatsApp de mães, cujo intuito era oferecer apoio umas às outras.

O grupo se propunha a oferecer dicas naturais para que as recém-mamães ou, até mesmo, às mamães de segunda viagem, pudessem cuidar do seu bebê sem que muitas intervenções artificiais e/ou medicamentosas fossem utilizadas.

O discurso era bonito e elas diziam que, apesar de o grupo propor métodos naturais, elas estavam dispostas a discutir e apoiar as outras mães que, por ventura, não tivessem conseguido ter um parto normal, não amamentassem ou que optassem por outros tipos de cuidado com seus bebês que fugissem ao natural ou “recomendado”. Aliás, sabemos que o natural é o ‘recomendado’ pelos órgãos de saúde, porém, e para mamães reais? Aquelas mães que se encontram em meio ao caos que é a maternidade diária: lições sem professor, sem manual, sem regras e com muita cobrança e culpa por todos os lados.

O lado ruim de virar mãe, é que muitas mulheres se utilizam do título para justificar quaisquer coisas que digam ou façam, acreditando que ao sair do hospital com o bebê nos braços, elas passam a ter a resposta para todas as coisas.

Infelizmente, algumas pessoas do grupo ao qual me adicionaram, acreditavam que a palavra delas era lei e ai de você se desse mamadeira para o seu filho, chupeta? Nem pensar! “Mas, você deu Tylenol© para o seu bebê? Usa Bepantol©?” Senhor coroado! (MORAES, E.). Enfim, esta não era a espécie de acolhimento que eu esperava.

Fiquei atônita quando uma pessoa do grupo crucificou uma mãe quando a mesma perguntou que mamadeira deveria comprar para um recém-nascido. Outra mãe deu um sermão dizendo que, se ela queria amamentar, ela não deveria nem pensar em mamadeira. Oi? E se a amamentação não desse certo?

A gota d’água aconteceu quando conversava com a Dani (vocês a conhecerão em breve) sobre a infância e a casa dos avós como sendo aquele lugar em que comíamos doce a qualquer momento. Fomos podadas com a cópia do discurso que era enviado a todas as novas participantes reiterando o intuito do grupo que era ‘abordar práticas naturais e bla bla bla’. Ah! Por favor! Mães recém-paridas, vivendo intensamente um puerpério, muitas sem dormir há dias, sem tomar banho, cabelo e autoestima igualmente no chão e ainda ter que ouvir sermão porque comíamos doce quando criança e acreditávamos que esta tinha sido uma infância feliz?

Enfim, como diriam muitos: ‘perdi o tesão!’ Resolvi abandonar o grupo, não sem antes deixar claro que não me sentia acolhida, pelo contrário, me sentia refém das minhas escolhas porque elas nunca eram adequadas, me sentia mal por ter recebido meu ‘pacotinho de amor’ através de uma cesárea, me sentia mal por não ter amamentado, me sentia mal por ter colocado a minha filha para dormir no berço desde o primeiro dia e, por fim, me sentia mal por ver tantas mulheres juntas querendo impor suas verdades! Faltava sororidade!

Percebi e acreditava que muitas se sentiam assim. Propus, às que quisessem, a criação de um grupo de mães de verdade, mães que sofrem, choram e, muitas vezes (muitas mesmo!), são elas quem precisam de colo, ‘Mamães da Vida Real’. Hoje somos um grupo com quase 90 participantes e a tecnologia só nos aproximou. Apesar de nunca termos tido a oportunidade de nos encontrarmos todas juntas, no sentimos como se fossemos uma grande família.

O nosso texto de boas-vindas é um convite para que as mamães saibam que não existe certo e errado, glória e culpa; é um texto que acolhe e resgata aquele carinho de mãe que abraça seu filho e diz: “vai ficar tudo bem”. Porque olha, por mais que pareça que não vai ficar, acredite: “vai passar”!

“O intuito deste grupo é apoiá-la independente da via de nascimento do seu bebê, do fato de você amamentar ou não e, principalmente, apoiá-la quando dá aquele surto e aquela vontade de sumir, gritar, chorar. Sintam-se à vontade para adicionar quem desejarem e que todas possamos agregar, acreditando que ideias divergentes promovem evolução. Sejamos tolerantes, empáticas, flexíveis e complacentes com as dores e alegrias do outro, tendo sempre em mente que não sabemos os caminhos que o outro trilhou, se foi cheio de flores ou espinhos. Enfim, falem sobre o que quiserem: vinho, cerveja, maridos, crianças, medicamentos, doenças… compartilhem experiências, textos, fotos e o que mais desejarem.

As palavras que regem este grupo são: tolerância, respeito e empatia. Sejamos felizes! Ok… não dá pra ser todos os dias, eu entendo!”

Hoje sei que o que une pessoas são ideias divergentes, almas que se completam. Espero que você se identifique com o nosso blog e que nos mande dúvidas, sugestões e contribuam para o nosso desenvolvimento. Espero que veja a mãe maravilhosa que é independente das suas escolhas desde que elas façam bem para você e para o seu bebê!

Sintam-se acolhida e sejam bem-vindas “Mamães da Vida Real”!

Fabiana Paganini de Andrade, 35 anos, mãe da Ana Clara (BBUrsa) de 1 ano e 2 meses, professora apaixonada por ensino-aprendizagem.

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3 Comments

  • Reply
    Mara Sartori Badin
    19 de maio de 2018 at 23:01

    Eu amo a Fabiana . E o Samuel também, já que a fez de cavalinho uma vez

  • Reply
    Fernanda Fischer
    12 de junho de 2018 at 06:36

    Super me identifiquei com as vozes desse grupo! Amo ler os textos publicados aqui! Sinto-me acolhida e mais feliz!
    Obrigada, mamães da vida real!

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