MAMÃES REAIS

Outubro Rosa

30 de junho de 2018

Outubro Rosa de 2015, eu estava com 32 anos, foi nesse mês que tive certeza que o que estava acontecendo com meu seio esquerdo não era normal!
Descobri minha gestação em Abril de 2013, foi um período muito tranquilo, a única coisa que sentia era uma coceira sem fim no seio esquerdo, e com 24 semanas de gestação começou a sair uma secreção apenas no seio esquerdo, o que minha médica disse ser normal, que já era produção de colostro, mas eu pensava ‘só em um seio’, enfim eu sou daquelas que se o médico disse é lei. Fiquei assim durante toda a gestação, meu mamilo esquerdo estava super machucado e sensível e eu pensava como vou amamentar? Mas Deus é muito sábio!
2 de dezembro de 2013, dia do nascimento do Caio, jamais esquecerei a primeira vez que ele mamou, e foi bem no seio esquerdo que a essa altura já estava cicatrizado, vou sempre me lembra da boquinha dele cheio de casquinhas, seguimos na amamentação, o seio como por milagre curou-se!
Dezembro de 2014, meu seio esquerdo voltou a coçar e sair a mesma secreção, já faziam 6 meses que o caio tinha parado de mamar, procurei minha G.O. e ela me disse que era normal, que muitas mulheres demoravam até um ano para o leite secar. Mas não era leite! Ela fez o exame de toque e não encontrou nada, saí de lá um pouco encanada, conversei com algumas amigas, e uma delas me disse que realmente havia demorado um ano para secar o leite. Mas era leite, branquinho! E uma outra amiga essa teve bebe no mesmo dia que eu, havia parado a amamentação no mesmo período também, disse que ainda tinha leite, diante dessas informações fiquei mais tranquila.
Outubro de 2015, sim fiquei todo esse período com seio desse jeito, coçando e saindo secreção! Vi uma campanha do Outubro Rosa com uma imagem que tinha vários seios e alguns sintomas e eu me encaixava em quase todos os quadrinhos.
Procurei outra G.O, na noite anterior a consulta acordei com o seio muito inchado, e com dor, pela primeira vez, fui para o banho e apertei até sair sangue, com isso esvaziou e não senti mais dor, contei toda a historia para a médica, e ela me disse q não tinha nada de anormal no que eu estava falando, fomos para o exame, ela não encontrou nódulo algum, mas no exame ao apalpar viu a secreção, e no momento do exame também questionei a diferença gritante que meus seios estavam, e o diagnostico foi: Deve ter um ducto mamário aberto, com medicação ele fecha e a diferença das mamas é normal, mas eu não estava convencida e fiquei insistindo nos sintomas e ela pra se livrar de mim (foi isso que senti) me pediu um US de mama e a Mamografia, me indicou um mastologista ao qual eu deveria levar o resultado dos exames!
Fiz os exames que ficaram prontos em uma semana, não fui buscar, não queria ficar procurando na internet o resultado dos exames, e o médico mastologista estava marcado para dali um mês.
23 de novembro de 2015, fui conhecer o anjo disfarçado de médico Mastologista Dr. Rafael Perloca, entrei na sala e contei toda essa historia pra ele, ele não havia aberto os exames, estava atendo ouvindo minha história, e a cada novo episodio a expressão facial dele mudava, quando abriu os exames logo se levantou, me explicou que realmente tinha um ducto aberto, algumas calcificações, que teríamos que fazer uma pulsão pra saber melhor, pediu para que u fosse para maca que ele me examinaria, e ele foi o único médico que passei que examinou minhas axilas e lá estava o nódulo, ele ficou sem reação, perguntou se eu sentia e sim eu senti! Ele pediu que eu me vestisse e chamou três enfermeiras, disse á elas! Ela não sai daqui sem os exames agendados! E me informou que não faríamos uma pulsão e sim uma Core Biopsia, que era um pouco mais invasivo, mas necessário, porque o nódulo era grande 5cm!
Fui para uma sala aguardar que as enfermeiras marcassem meus exames e ali desabei!!! Fiquei mais de 1 hora chorando e não me lembro na vida de ter chorado tanto! Era um filme de terror passando pela minha mente, eu só pensava no meu filho, ele não tinha nem 2 anos, eu estava tão animada organizando a festa dele! Como eu contaria isso para minha mãe! Meu marido não teria estrutura pra receber essa noticia (a mãe dele teve câncer quando ele era criança, e isso marcou demais a vida dele), tive dimensão da gravidade quando marcaram todos os exames para a semana seguinte, uma core biopsia pelo plano demoraria pelo menos uma semana para ser marcado, e por mais que as enfermeiras me diziam: Tenha fé, os resultados podem dar negativo, eu sabia lá no fundo que não dariam, eu sabia!
26 de novembro de 2015, meu aniversário, todos me esperando para comemorarmos, mas um ano de vida, mas eu tinha uma core biopsia para fazer! Não poderia ir sozinha então pedi para o meu marido me acompanhar, mas não disse a ele, o nome do exame e nem porque estava fazendo, só falei que o médico pediu para investigar o que estava acontecendo com meu seio. Precisei guiar o médico que faria o exame, pq meu US de Mama não tinha sido feito da maneira correta, o médico quando localizou o ducto aberto, não subiu para a axila. Então ali na sala do exame mesmo fizemos outro US rápido, onde foi localizado o nódulo, foram retiradas três amostras, na primeira o médico disse: É realmente tinha que fazer! Ali tive QUASE certeza que eu tinha Câncer de Mama! Esse exame demora 10 dias para sair o resultado, saí dali pensando meu Deus 10 dias são uma eternidade! Fui para a casa e nesse dia chorei muito também, minha mãe foi me ver pq afinal era meu aniversário, e eu não disse a ela o que estava acontecendo, só disse q o exame tinha sido doloroso e por isso eu estava chorando. No final desse dia eu me olhei no espelho e disse em voz alta. Chega de chorar, você tem uma festa para organizar!
Isso tudo aconteceu na quinta-feira e dia 1/12, terça-feira, dois dias uteis após o exame recebi ligação do mastologista que eu deveria comparecer no outro dia ao consultório, porque meus exames estavam prontos. Ali tive certeza. EU TINHA CANCÊR DE MAMA!
Dia 2/12/2013 eu entrava na sala da G.O. para marcar minha cesárea, e 2/12/2015 eu entrava no mastologista que me confirmaria que eu tinha um câncer de mama, de grau 4 de alto risco, recebi essa noticia com uma serenidade que não me pertencia até então, eu sempre fui muito nervosa e muito brava, meu médico me perguntou se eu havia entendido tudo, se estava ciente da gravidade, de tão tranquila que eu estava, e eu disse a ele: Dr eu tenho uma filho que completará 2 anos amanhã, uma gravidez desejada e planejada então Deus não permitirá que eu não o veja crescer, vamos lá, qual é o procedimento agora?
E nesse dia eu já tinha feito um roteiro na minha cabeça, dia 6/12 seria a festa do Caio e eu não queria ninguém me olhando com pena, e me fazendo perguntas, decidi que se até ali eu não tinha contado nada a ninguém, esperaria passar a festa para então contar a todos, e assim eu fiz. Deixei essa informação de lado, vesti um personagem e acabei de organizar a festa e recebi todos os meus convidados, com um lindo sorriso no rosto, e vendo toda a alegria do meu pequeno com sua tão esperada festa.
O pessoal do meu trabalho acompanhou de perto cada procedimento e eles eram os únicos que sabiam do meu diagnostico, lembro que foi uma comoção junto com admiração, pois eu já estava bem fortalecida, nesse 1 mês de exames eu fui trabalhando minha mente, para o baque ser menor e assim foi.
Primeiro tive que decidir o que faria primeiro, as sessões de quimioterapia ou a cirurgia, que seria de retirada total da mama, decidi iniciar pela quimio, pq meu Caio ainda dormia no colo. O inicio do tratamento foi marcado para o dia 6/01/2016, então eu curti a festa do Caio e na semana seguinte fui conversando e contando para as pessoas que eu teria que passar pelo tratamento, aos meus amigos eu fiz uma festa de pré-Natal, e nessa festa disse que nossos churrasco estariam suspensos por todo o ano de 2016, eu já havia contado a eles.
Dia 6/01/2016, fui conhecer a tão temida quimioterapia, nesse dia a ficha do meu marido caiu, e nesse dia choramos juntos, choramos pelo desconhecido, choramos por não saber o que nos esperava, e ali na sala onde eu ficaria 4 horas tomando medicação na veia, eu fui acolhida pelas enfermeiras, pelos pacientes muitos com um diagnostico bem pior que o meu e que mesmo assim me davam força pra seguir. Nos dias que se seguiram, vi que o tal monstro não era tão feio assim, minha força mental e espiritual eram tão grandes que eu criava mantras pra mim mesma, sempre que um pensamento negativo me acometia, eu falava em voz alta, nada disso e pensava exatamente o contrario do que estava sentindo e assim fui enganando a mim a mesma, mas era o melhor a fazer.

Tirada com Lumia Selfie

21/01/2016 foi o dia da tão temida queda dos cabelos, eu sempre tive uma relação de amor com meus cabelos, sempre cuidei como se fosse um filho, e um dia brincando com o Caio ele puxou meu cabelo e saiu aquele tufo gigante na mãozinha dele, não pensei duas vezes, iria raspar, peguei uma máquina de cortar cabelo com o meu colega da trabalho e á noite quando cheguei em casa fui para o banheiro com o Caio e passamos a maquininha eu e ele, pena que não tenho isso registrado, foi uma farra boa!!! Liguei para o marido e avisei que me encontraria careca, para ele não assustar! E minha autoestima era tão grande, que me achei muito mais bonita!
Passei 6 meses em tratamento quimioterápico, ficava com a resistência bem baixa e o animo também, mas o ânimo durava uns três dias, porque eu trabalhava minha mente, e nesses dias descobri que o melhor era falar do câncer.

Tirada com Lumia Selfie

Todos tinham receio de tocar no assunto comigo, mas eu fazia questão de falar dele, eu andava carequinha (e linda gente!?), só cobria a cabeça com lenços quando saia em público, porque afinal eu não queria nenhum estranho me questionando!
Mas aqui estou eu dois anos pós quimioterapias e pós-cirurgia, que são as piores fases do tratamento, ainda sigo com a hormonioterapia que terá duração de 5 anos, nesse período não posso engravidar, na verdade nem é indicado uma gestação, mas isso é assunto para outro relato, meu enorme desejo de ter outro filho!

Beijo enorme meninas, e obrigada ao Blog Mamães da Vida Real, que realizaram um desejo de fazer esse relato.

Gislene, mãe do Caio.

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2 Comments

  • Reply
    Lucia
    1 de julho de 2018 at 20:52

    Lindo seu relato, e novamente eu me emociono com vc Gi!!

  • Reply
    Juliana
    13 de julho de 2018 at 22:59

    Parabéns pela garra Gi…aprendo muito cm vc. Parabéns pelo seu lindo Caio.

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