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Por que quem gera é a mãe e não o pai? (além do motivo biológico óbvio!)

2 de julho de 2018

Quase todos os dias me lembro de algo que minha irmã costuma dizer desde que se tornou mãe: “O filho é da mamãe!” Ok! Ele é do pai e da mãe, mas, você entende o que eu quero dizer? Quero dizer que, com raras exceções (e pelamoooorrrr, se o seu marido, amigado, namorado é a exceção, guarda e cuida bem dentro de uma caixinha porque olhaaaaa, vou te contar, homens que são “pais” estão cada vez mais raros!), os homens cumprem verdadeiramente o papel de pais. Não estou falando de “ajudar” não. Porque ninguém aqui está me fazendo um favor; pelo contrário, está fazendo a sua parte, afinal, eu também trabalho, também tenho pepino para resolver e chego em casa e continuo trabalhando porque a criança está lá me esperando.

Às mães que não trabalham fora então, SeeemmmmOoorrrr, vocês mereciam ganhar um troféu porque, antes eu ia para o trabalho para trabalhar, hoje, juro, eu vou para descansar. Eu sempre gostei de trabalhar e nunca me vi abandonando tudo para ficar por conta da minha bebê, por isso mesmo admiro, incondicionalmente, quem o fez ou faz… eu não consigo.

É engraçado (leia-se ‘trágico’) mas também real outra afirmação da minha irmã atestando que se a criança tivesse somente pai, provavelmente não sobreviveria à primeira gripe com febre alta, morreria de frio nas noites e teria que aprender fazer a própria mamadeira ou comida!

Minha mãe, por vezes, fica admirada e diz: “Nossa, mas o ‘Fulano’ faz muito mais do que seu pai fazia, seu pai nunca trocou uma fralda!” Minha vontade é dizer: “O que? E a senhora aceitou tudo isso passivamente? Não surtou, não enlouqueceu?” Manoooo, eu não aguentaria. E olha que, por vezes, surto e enlouqueço. Choro e grito! Será que o problema sou eu ou é a falta de atitude deste bando de homem que acha que amamooooossss esta jornada tripla?

Na minha casa o marido dá banho quando chega cedo do trabalho; nunca deu janta porque nunca chegou em tempo; nunca a fez dormir porque das vezes que tentou, ela deu um baile tão grande nele que eu desisti; nunca arrumou a bolsa do berçário porque, muito provavelmente, nem sabe o que colocar lá dentro; já a levou algumas vezes para a escola, mas, não faz parte da rotina dele e não a busca porque não consegue ir pegá-la naquele horário; raríssimas vezes acordou na madrugada exceto nos 2 primeiros dias de vida porque tem que trabalhar no dia seguinte, enfim, fim.

Mas aí, você pode virar e me dizer: “Ahhhh, mas também, você não deixa ele fazer! C O I T A D I N H O!” Ahã, tá! Olha só, quando você tem que dar banho na sua filha, alimentá-la, colocar para dormir etc, alguém fica falando pra você: “Olha, está na hora de dar banho, olha, agora vamos trocar a fralda, agora mamadeira…”. Alguém fica falando essas coisas para você? Alguém fica te dizendo o que você tem que fazer? Não né? Então, eu também não quero pedir, não quero ficar explicando (até porque eu já expliquei milhares de vezes) como seria bom se ele arrumasse um tempo ou jeito de ir buscá-la na escola, chegar para dar a janta, não! Eu não vou ficar repetindo a mesma coisa 8754478 vezes porque cansa. Simplesmente cansa! Aí o que a gente faz? A gente, simplesmente, vai lá e faz. Pronto.

E sim, é cansativo, desgastante, deixa a gente de mau humor etc. E ainda, diante de tudo isto, muitas vezes, ouvimos: “Você está sempre estressada, mal humorada, não dá para conversar com você!” Geralmente você ouve isto depois de ter ficado no quarto da bebê 1 hora e meia tentando fazê-la dormir e, se reclama que as costas estão doendo, ouve: “Claro! Mas devia ter pegado o outro banco” até porque ele sabe, né? Já fez isso tantas (nenhuma!) vezes.

Pais, maridos, amigados e namorados, vocês precisam saber que não é fácil ficar um dia todo de pijama e sem escovar os dentes, com o cabelo preso sem pentear, que é difícil fazer cocô com um bebê no colo e, muitas vezes se alimentar em 5 minutos porque é o tempo que sobrou e o bebê está para acordar; que é foda lavar roupas, louça, comprar frutas e garantir que na segunda (no meu caso) as aulas estejam planejadas, as provas corrigidas, os arquivos enviados, a geladeira abastecida, o remédio da criança separado ali no canto, opa, espera, tenho que comprar fraldas, acabou a pomada, nossa o dia dela levar a fruta no berçário é hojeeeee!!!! Affffff! Tem dias que eu brinco (mas é um pouco verdade) e digo que queria ter um mini infarto só para ficar uns três dias no hospital sendo cuidada!

Pois é mamães, “a rapadura é doce, mas não é mole”, como diria minha avó! Eu acredito e desejo que, um dia, os homens possam entender que não é ‘frescura-estresse-mau humor’ que chama; chama maternidade de verdade e responsável. Tem dias que eu só queria que alguém me abraçasse e dissesse: “Eu te enxergo e vejo o quanto é difícil!” Muitas vezes eu só queria a empatia. Acredite: a pior coisa do mundo é ouvir: “Mas você não quis? Agora aguenta!” Esta é a pior frase que alguém pode dizer, P I O R! Especialmente quando ela vem de algum familiar.

Portanto, amados maridos, amigados, namorados, entendam de uma vez por todas: mulher não faz corpo mole, mulher não pega uma gripe e o mundo para por conta disso, mulher não assume responsabilidade e depois delega pros outros, mulher não precisa de ‘ajuda’; mulher precisa de companheiro, mulher precisa de carinho, afeto e empatia. Entenda de uma vez por todas que você não está fazendo nada além daquilo que o intitula ‘pai’.

Assim como minha irmã salienta, morro de dó de criança que perde um dos pais, mas, tenho aflição de quem diz que perdeu a mãe quando criança porque, infelizmente, não foi cuidado com o zelo que toda criança merece! Quando eu encontrar com Deus (se isto acontecer porque né? Affff só Ele sabe a santa que fui/sou nesta vida!), vou olhar pra Ele, dar aquela piscadela e dizer: “Eu entendi porque são as mulheres que geram e agradeço por isto!”

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