MATERNIDADE

Pós Parto

5 de outubro de 2018

Após o parto um sanduíche de pão francês com presunto e queijo e um suco geladinho me animam enquanto Raquel recebe os cuidados sob olhar atento do papai. Vou direto pro banho (de chuveiro, uma benção) e saio com pijama limpo e creme cheirosinho.

Raquel chega logo em seguida, lindinha  demais. Somos encaminhadas para o quarto por volta de 17:30 e Rafael me dá a notícia que ela nasceu pequena para idade gestacional (PIG), com 2850 kg e 48 cm, e que nossa alta ocorrerá apenas após 48 horas.

No quarto somos acomodados conjuntamente. Rafael tem uma poltrona com apoio para os pés, temos um armário e Raquel um bercinho ao nosso lado. O banheiro dividimos com a outra parturiente. Ele terá de usar o banheiro do corredor, mas, opta por ir em casa tomar banho. Minhas refeições são completas e bem saborosas, mas ele tem que se satisfazer com um sanduíche em todos os horários.  

A assistência é impecável. A todo momento somos avaliados e reavaliados. A limpeza também é excelente. Acabamos passando 72 horas no hospital pois a mamada não estava adequada e só tivemos alta depois que ela foi bem estabelecida. Durante um dia todo as mamadas eram, literalmente, assistidas pela enfermagem.  

O horário da alta foi, ao meu ver, inadequado. Saímos do hospital às 20:30 de uma segunda, o que causou uma primeira noite em casa inesquecível (leia com bastante sarcasmo).

Avaliando a experiência, após quase um mês, conseguimos ver os pontos positivos e o que gostaríamos de mudar em um outro parto.

 

Parte boa:

  • O SUS já está embutido no valor dos nossos impostos, não há conta de hospital a pagar no final;
  • Hospitais escola são muito detalhistas no cuidado (tudo é examinado e reavaliado). Isso pra gente que trabalha no SUS não incomoda, mas acredito que algumas pessoas podem ficar insatisfeitas com perguntas repetidas feitas por profissionais diferentes;
  • Fui plenamente respeitada e encorajada a ter meu parto natural. Uma das residentes fez massagem em mim por um bom tempo e a médica assistente entendeu exatamente o que eu queria e me auxiliou de uma forma surreal;
  • O pai participou de tudo. Não foi privado de nada. Não fiquei nenhum momento sozinha;
  • A equipe de enfermagem é sensacional;
  • A comida é boa;
  • O quarto é limpo;
  • O chuveiro era ótimo;
  • Hospitais amigos da criança realmente investem em amamentação;
  • Pude discutir o caso (Raquel precisou de complemento) com a médica pediatra com toda a liberdade e fui respeitada.

 

Coisas que eu consideraria em um novo parto…

  • Uma das residentes não foi muito respeitosa (não tinha paciência para esperar eu mudar de posição para me avaliar e quis fazer puxo dirigido no expulsivo). Gostaria de pedir que ela sumisse. A médica assistente percebeu a inconveniência dela e a colocou de lado;
  • Privacidade no quarto. Eu pagaria para ficar sozinha. A minha companhia foi ótima, conversamos muito e rimos até, mas, durante a noite não ter enfermagem entrando para cuidar do outro leito seria bom.
  • Comida do acompanhante. Após 72 horas comendo sanduíche Rafael não aguentava mais.
  • Horário da alta. Ao meu ver ela deveria acontecer pela manhã ou início da tarde.

 

Não, eu não acredito que o SUS funcione em todo lugar no Brasil. Sei de lugares em que a assistência é sucateada e lamentável. Mas eu acredito no SUS. Sempre acreditei. Trabalhei nele por seis anos e sou apaixonada pelo modelo. Não, eu também não me importo de comer a comida que vier, de dividir o banheiro, de não saber “a procedência” da pessoa ao lado. E sim, eu me informei muito sobre o parto, li inúmeros relatos, estudei como se houvesse um teste de vestibular para este momento. Essa combinação de fatores me permitiu chegar segura para receber a Raquel na UNAERP. Eu sabia o que esperar e o que não esperar. Eu conhecia o modelo da equipe, o que tornou a experiência bem positiva. Em um novo parto, o  SUS é sim minha primeira opção.

 

Carla Vaz de Lima, Nutricionista, mãe da Raquel.

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