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Puerpério: O vale do choro

31 de agosto de 2018

No meio da madrugada, uma amiga me manda uma mensagem:
“Amiga, você chorou muito depois que o Samuel nasceu?”
Aqui, se iniciava um papo profundo.
O diálogo seguiu mais ou menos assim:
“Ah amiga, eu não chorei pois sou forte pra desabar. Mas, eu fiquei muito triste e alguns pensamentos estranhos passaram pela minha cabeça sim.”
Eu pensava:
“Como posso estar triste se tenho em meus braços o sonho da minha vida? Acredito amiga que o combo ‘hormônios e a privação de sono’, deixe a gente assim. Existe também a carga do comprometimento eterno com o bebê. A gente se pega pensando que não poderá mais morrer, pois quem irá cuidar dele? E isso assusta. A gente olha para aquele ser tão frágil, e se pega pensando:
‘Como fui trazer a este mundo um bebê, pra sofrer neste planeta cheio de intolerância, crimes, falta de oportunidades, desigualdades? Só poderia estar louca!’”
Ao que minha amiga respondeu:
“Miga, me desculpa por não ter sido empática quando o Samuel nasceu?”
Eu retruquei:
“Por que?”
E ela:
“Porque eu disse que como eu teria ajuda (mãe, sogra, cunhadas e sobrinhas) durante meu puerpério, eu teria uma experiência diferente da sua. Afinal, você esteve sozinha, sem ninguém pra ajudar. Eu achei que você sofreu no seu puerpério por causa disso. Mas, ainda que eu esteja cercada de gente, me sinto muito solitária.”
Eu, procurei palavras pra ser doce. Procurei o que falar e disse:
“Poxa amiga, fica em paz. Suas palavras são muito carinhosas e eu agradeço de coração, mas, hoje, quem precisa de colo é você. E acredite, eu te entendo. Quer uma sugestão? Chore! Se entregue no seu puerpério. E não ouça os palpiteiros que insistem em dizer ‘o bebê sente sua tristeza’. Não, ele não sente. Chore e aproveite pra fazer uma reforma aí dentro do seu coração. O parto é um luto. Morre a mulher e renasce a mãe. Por isso que dói a dor do parto. Morrer não é fácil. Renascer, tampouco. Outro conselho:
O entardecer é potencializador dessa tristeza: o fato de a noite estar se aproximando faz com que a gente fique muito mal, pois a gente se pega pensando ‘tá anoitecendo e eu não sei se vou conseguir dormir meu Deus, será que o bebê vai chorar mais uma noite inteira?’”
Ser mãe é dolorido. É empresa que abre e não pode nunca pedir falência.
É viagem sem volta.
Como a gente dá conta de tanto amor?
Não temos opção!

Mara Badin – mãe do Samuel, não gosta de lembrar do puerpério e procura ajudar todas as mamães recentes a atravessar essa fase, e que faaaaaaase!

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