BEBÊ DOR MAMÃES REAIS MATERNIDADE PARTO

Relato de parto 1/3 – Mara, mãe do Samuel

28 de maio de 2018

Dia 26/05/2017

Antes de iniciar contando sobre este dia, preciso dizer que minha gravidez foi extremamente tranquila: tive enjoos apenas da 8a semana até a 13a. Não tive uma cãibra sequer, não tive azia.
Na 30a semana, agachei em casa para fazer uma tarefa doméstica, e ao levantar com aquele barrigão pesado, tive uma tendinite no glúteo. Fiquei em repouso por 7 dias.
Com exceção a este episódio, não tive mais nenhum desafio.

Desde que peguei o resultado positivo, eu corri pra fazer compras! De roupas de bebê, enxoval?
Não!
Fui à livraria.
De lá sai com três livros:
– “O que esperar quando você está esperando”: um clássico, pra saber tudo o que acontece com o seu corpo, mente, emocional na gravidez e pós-parto (puerpério).
– “Maternidade e o encontro com a própria sombra”: livro tapa na cara, pra gente largar mão de ser besta.
– “Grávida, manual de instruções”: um livro bem humorado sobre a gravidez, acho que foi escrito pra mamães designers e publicitárias. Super fofinho e bem ilustrado.

A minha intenção era estudar o que aconteceria nos próximos meses, e principalmente buscar informação sobre o parto.

Pra mim, o parto nunca foi temido. Nunca tive medo, nem da dor, nem de nada.
Meus exemplos eram minhas avós que tiveram seus filhos em casa, e minha mãe que teve 3 partos (um fórceps e dois normais).

Quando terminei de ler o livro da Laura Gutman (“Maternidade e o encontro com a própria sombra”), fui atrás de outros, específicos para o parto, e devorei o “Parto Ativo” de Janet Balaskas.

Li com muita atenção todas as fases do parto, e cada vez mais tinha certeza que meu parto iria ser normal, e com o tempo fui acreditando verdadeiramente que eu poderia fazer aquilo.

Mentalizava muito sobre o que eu tinha lido e acreditei verdadeiramente que o “corpo da mulher foi preparado para aquilo”, “que a mulher sabia parir”, “que o bebê sabia nascer”.

Além disso minha mãe e avós fizeram isso com todos os filhos. Então, eu coloquei na minha cabeça que eu iria parir!

Eu tinha tanta certeza que iria parir naturalmente, que nem li nada sobre cesárea.

E essa busca pelo parto natural acontecia pelo medo à cirurgia. Eu nunca tive uma boa relação com hospitais. Morro de medo de cirurgias. E graças a Deus, sempre tive boa saúde, então, nunca precisei de internação , e tenho pavor de tudo isso!

Tempos mais tarde, por volta da 18a semana, fizemos eu e meu esposo, um curso voltado para o parto na ‘Despertar do Parto’ em Ribeirão Preto. Lá, conheci minhas duas doulas.

Neste curso, ficamos encantados e decidimos que iríamos buscar cada vez mais informações para conseguirmos ter o parto buscávamos: o natural, sem analgesia, e respeitando todas as nossas vontades.

O parto humanizado é, em resumo: respeitar a mulher em todas as suas decisões. Sejam elas quais forem.

Quando estamos com 30 semanas, procuramos a Eleonora que foi minha doula, e ela aceitou a missão com muito carinho.
Ela iria me acompanhar em casa, e quando estivéssemos num ritmo bom, partiríamos para o HC-USP Ribeirão Preto.
Ela me deixou avisada que próximo da minha data provável de parto ela estaria em um congresso de Doulas em Brasília e me perguntou se eu aceitaria ter a Helena Junqueira como doula back-up.
Aceitei de pronto.

Com relação à minha GO, costumo dizer que foi um presente em minha vida: doutora Tatiana Rocha Prandini.
Sempre muito pratica, objetiva, me respeitou em todas as minhas decisões, e sempre muito atenta e preocupada com minha gestação.

Sabendo de todas estas coisas: parto natural, GO atualizada e moderna, doulas, marido informado, eu com a certeza que buscaria um parto natural, vamos ao relato.

No dia 26 de maio de 2017, sexta-feira, eu estava com 40 semanas e 5 dias.
Tirando o cansaço, a vontade de dormir o dia inteiro e o caminhar de pinguim, eu não estava sentindo nada!
Apenas umas pontadas (leia ‘facadas’) no baixo ventre e uma pressão.
Fora isso não sentia que estava em pródomos. Dizem que você sabe quando entra em trabalho de parto. E é verdade! A gente sabe rsrsrs

E eu não estava!

Vale mencionar também que aquela vontade de arrumar a casa que algumas mulheres sentem, eu não senti não . Queria dormir, comer e só.

Desta forma, com 40s+5d, a gestação começa a ter um acompanhamento mais próximo, e fomos às 19:30 fazer o exame de cardiotoco.
Minha GO estava no plantão do Sinhá Junqueira e o resultado foi bem tranquilo: bebê fortão, mexendo bem, batimentos ok, e nada de contrações.

A orientação da GO: vai caminhar !

E assim fizemos: fomos eu e meu esposo ao Iguatemi Shopping Ribeirão Preto e caminhamos. Ali, com as caminhadas o metabolismo acordou e comecei a sentir as primeiras contrações. Fiquei feliz! Apesar das dores, eu não fiquei assustada e nem pensei em desistir em nenhum momento.
Decidimos ir pra casa. No caminho para o estacionamento e eu caminhava e parava e me apoiava nas vitrines esperando a contração parar. Genteeee, é impossível fazer qualquer coisa quando a contração vem.
Aí caminhava mais um pouco e contraçãooooo.

No caminho para a casa, ao chegar na Av. Fiusa, vimos um jovem agachado, e usando a luz do celular pra ver o pneu. Carrão importado e o abençoado no escuro com celularzão dando sopa. Pensei: que anta!

Falei pro Moyses: amor para pra ajudar esse trouxa se não ele vai ser roubado.

Ele olhou pra mim, e disse:
Tem certeza?
(mas ele queria dizer, na verdade: “Mano você tá com contração, quer que eu ajude o moço mesmo?”)

E eu disse: “Sim, vai lá! Tá tranquilo.”

E enquanto ele estava lá ajudando o moço – demorou uns 10 minutos mais ou menos – eu tive 4 contrações dentro do carro.

Mas, se ele não parasse eu ia ficar preocupada com o cara. Às vezes, a gente é colocado nas situações pra ajudar as pessoas, nunca deixo esses sinais passarem. E se a gente não fizesse isso eu ia ficar com aquele moço na cabeça.

Mas, as contrações estavam tranquilas. Duravam uns 15 segundos cada uma delas .

Bom, o marido ajudou o moço, e seguimos pra casa.

Chegamos, jantamos e comi uma cremogema de sobremesa, e fui dormir.

Naquela madrugada de sexta pra sábado eu acordava regularmente tendo contrações que duravam pouco, cerca de 20 segundos , e eu voltava a dormir. Eu não monitorei quanto tempo conseguia dormir entre as contrações mas, acho que uns 30 minutos ou 15 não sei mas acordei milhares de vezes naquela noite.

Bolsa intacta, sem perda de tampão.
Também não avisei a GO. Eu sentia que ainda não estava próximo da hora, pois eu havia lido tudo lembram-se?
Sabia exatamente qual fase eu estava, eram os pródomos… e o parto eu sentia: estava bem longe de acontecer.

Continua amanhã…

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