BEBÊ DOR MAMÃES REAIS MATERNIDADE PARTO

Relato de parto 3/3 – Mara, mãe do Samuel

29 de maio de 2018

No domingo 28/05/2017, às 12:30, dei entrada no HC.

Moyses teve complicações pra entrar, mas deu tudo certo, porém, eu fiquei 40 minutos sozinha.
 
Estava aguardando numa sala de espera e o Dr Pedro veio fazer o exame de toque. Eu sempre morri de medo deste exame, pois sempre li que causava dor e desconforto. Mas, para que eu pudesse ser internada era necessário ver quantos centímetros de dilatação eu tinha.
 
Deitei e pedi pra ele ir com calma. Ele foi, mas a dor foi horrível. Eu urrei!
 
Veredito: “Você está com 6 pra 7 centímetros”.
 
Pensei “Que maravilha, já já Samuel estará aí, acho que umas 3 horas no máximo ele nasce”.
 
Moyses chegou e ficamos nesta sala, tudo escuro, apagado (eu pedi pra não ligarem as luzes, pois eu estava com uma fotossensibilidade muito grande).
Peguei a bolsa de água quente que a Helena tinha deixado comigo e apoiei ela no meu baixo ventre.
 
E fiquei lá curtindo as contrações. Curti mesmo, e a cada uma delas eu pensava que o meu filho estava mais próximo de nascer.
 
Eu ficava o tempo todo com os olhos fechados, concentrada, luzes apagadas. Levei umas músicas no iphone mas eu estava com tanta dor que não consegui pedir pro Moyses tocar pra mim. Ele é todo enrolado pra mexer com tecnologia e o tempo que eu levaria pra explicar pra ele como funcionava o simples ato de botar pra tocar as músicas do iTunes, era o suficiente para a chegada de mais uma contração dolorida. Então, deixei pra lá .
 
E neste ponto, as contrações estavam leves e suportáveis.
 
Às 14h minha doutora linda chegou! Linda, loira e calma. Chegou, nos cumprimentou e disse que iria se trocar.
 
Na sequência, pediram para que nos passássemos para uma sala que era onde todas as grávidas estavam em trabalho de parto. Ela é separada por cortinas. Lá tinha uma maca e uma mesinha de apoio.
 
E ela era clara, iluminaaaaada! Eram 14:30aproximadamente e o sol de RP estava vibrando forte e iluminando geral dentro deste cômodo. Meus olhos fritaram com tanta luz. Além das contrações, comecei a lidar com outras dores: dor de cabeça e dor nos olhos pela fotossensibilidade. 
 
Ali, senti que meu parto “empacou”.
 
Se antes eu estava concentrada lá na salinha escura, agora eu estava irritada com a luz e desconcentrada, pois ali existiam algumas outras mulheres em trabalho de parto também: gemendo, gritando e reclamando.
 
Quando de repente, abro os meus olhos e vejo a minha amada doula Eleonora, chegando! Ali, senti esperanças!
 
Pedi água, ela me ofereceu. Fez massagem nos meus pés. Me enxugou o suor do rosto. Me acalmou.
 
Eu não me lembro com clareza, mas sei que a maca me pareceu extremamente dura, e eu não estava achando mais posição nenhuma pra ficar naquele lugar.
 
Comecei a reclamar pro marido e pra doula que aquilo era muito desconfortável e eu precisava ir pra um local escuro. Naquela altura, Moyses improvisou um tapa-olhos pra mim: uma fralda enrolada e amarrada em minha cabeça. Horrível, mas uma solução salvadora pra mim. 
 
Entre as contrações, eu gemia. E em determinado momento a bolsa estourou. Soube na hora que era a bolsa, pois o líquido quente escorreu forte pelo chão e percebi que estava um pouquinho amarelo. Pensei: é mecônio! Eleonora, muito calma, me tranquilizou.
 
Não sei como, mas fui parar em outra sala. Acredito que a doutora linda viu que eu estava sofrendo demais lá na maca, naquele ambiente hiper iluminado, e me transferiu pra sala de parto.
 
Lá havia bola, um tecido do hospital cobrindo todo o chão, e o mais importante: luz apagada e silêncio.
Mais umas mil contrações e minha doutora disse: vamos fazer o toque para verificar como estamos. Urrei novamente e ela disse: “ poxa, o que eu temia aconteceu! Você está com 9cm, mas está com o colo do útero inchado”
 
Precisei ficar numa posição deitada de costas pra baixo, durante uns 50 minutos até que o colo do útero desinchou. Bebê grande fazendo força resultou em colo do útero inchado. Após muitas contrações e com as costas apoiadas, o colo do útero desinchou mas fiquei com uma tremenda dor nos quadris.
 
Eleonora tentou fazer massagens nos meus quadris, mas eu tirei a mão dela. Meu quadril queimava como se estivesse em brasas.
 
Moyses esteve o tempo todo comigo .
 
Cheguei a 10cm, mas o bebê não encaixava. Super alto. 
 
Fiquei horas em 10 cm. E o quadril em brasa, queimando e ardendo como fogo.
 
Por volta das 19h eu já estava me aproximado a 3 dias desde os pródomos até aquele momento. Eu estava exausta e acredito que o Samuel também. Mas, eu estava firme.
 
As contrações estavam doloridas, intensas mas eu estava lá, com o pensamento que tudo iria terminar do jeito que eu imaginava sempre: parto natural, sem analgesia, sem anestesia. Sem nenhum tipo de droga passando para o meu filho. Eu estava confiante que saberia parir, e meu filho saberia nascer. Eu tinha lido isso o tempo todo.
 
Trouxeram o cardiotoco e ele foi colocado para monitorar os batimentos do Samuel. Nas contrações ele atingia uma frequencia e, por vezes, a frequência ficava bem baixa.
 
Olhei pra Eleonora que estava com o rosto tenso e perguntei pra doutora se estava tudo bem. Ela disse que estava comigo e estava monitorando.
 
O pediatra do HC foi chamado para fazer uma visitinha na sala, ele me olhou e disse “Olá , tudo bem? Estamos aqui te monitorando”.
 
Naquele momento, mais um cardiotoco. O coração do Samuel dava umas capengadas. Fiquei com muito medo!
 
Falei pro Moyses: amor, vamos pra cesárea estou com medo de perder o Samuel. 
 
O Moyses perguntou para doutora o que ela achava.
 
“Se eu não soubesse dos desejos do coração da Mara em ter um parto natural, já teria indicado a cesárea a duas horas atrás, mas eu estou com vocês e está tudo bem com o bebê”, ela respondeu.
 
Naquele momento falei: “Doutora, vamos pra cesárea. Estou com medo pelo meu filho.”
 
Fomos e fui muito aliviada, primeiro pela anestesia que tirou com tudo aquela dor que eu estava sentindo no quadril.
 
Fui com medo, pois tenho horror a cirurgia. Tive medo de morrer. 
 
Fui com desejo de conhecer meu bebê .
 
Fui com tristeza por não ter conseguido parir.
 
Na mesa de cirurgia, eu tremia muito, e eu falei: “Tem algo errado”. O anestesista disse que era normal, pois a anestesia provocava tudo aquilo mesmo.
 
Me arrependi de não ter lido nada sobre cesárea. 
 
Senti frio.
 
Moyses acompanhou tudo de pé, viu todos os cortes e viu o Samuel nascer.
 
Achei que ele ia desmaiar, mas ele assistiu tudo com muita tranquilidade. 
 
Samuel nasceu forte, grande, e chorava de arrebentar!
O pediatra dele disse: “Mãe não se preocupe, isso é um excelente sinal”.
 
A Eleonora não pode ficar na sala de cirurgia comigo e disse que se eu quisesse bastava pedir para baixar o tecido para ver ele nascer. Ela me deu outras orientação, me deu um beijo e foi embora. 
 
Mas eu não quis ver ele nascer, tenho uma relação delicada com sangue: passo mal . 
 
Também não me amarraram, e eu não usei touca durante o procedimento, pois quando decidi ir pra cesárea, a arranquei da cabeça num ato de rebeldia e falei: “Vamos pra cesárea”.
 
Samuel sugou já no primeiro segundo de vida!
 
Nasceu no HC, que é hospital amigo da criança . Lá eles não dão complemento pro bebê e estimulam ao máximo a mãe a amamentar. 
 
Quando ele veio pra mim, após a cirurgia, foi uma emoção nova pra mim! Era a primeira vez que eu via aquele bebê tão desejado. O amor, após o nascimento é uma construção.
 
E quero concluir este relato dizendo que: sim! Existe humanização na cesárea! Todos os meu desejos foram respeitados. Todos!
 
Quando lembro do meu parto, eu só me vejo cercada de cuidados, carinho e amor. 
 
Humanizar é respirar o protagonismo da mulher. E eu não poderia ter tido sorte maior do que encontrar o anjo chamado Tatiane Rocha Prandini na minha vida. Uma GO moderna, atualizada e humana.
 
Agradeço as minhas duas doulas que foram fundamentais pra que eu pudesse viver todas as fases do meu parto com plenitude.
 
E agradeço ao Moyses que embarcou comigo nessa viagem, sem nenhum questionamento. Mergulhou no parto comigo e foi meu apoio em 100% dos momentos. Tudo o que eu vivi dedico a ele.
Samuel, meu filho, você nasceu no dia 28/08. Uma data muito especial pra nós. Casei no dia 28, comecei a namorar seu pai no dia 28. É um número muito especial que está presente em nossas vidas. Sua vinda foi desafiante e eu renasci naquele parto. Morri com muitas coisas que eu acreditava e nasci de novo num mundo de novas descobertas.
 
Agradeço a Deus que me permitiu ser mãe e me deu o meu Samuel. Porque um dia eu pedi, e Ele me atendeu. 

3 Comments

  • Reply
    Juliana
    29 de maio de 2018 at 21:32

    Mara q linda história …. obrigada por compartilhar conosco. Beijos no coração. Ju.

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    Bruna
    17 de junho de 2018 at 01:41

    Adorei sua história. Que linda e que momentos tensos, foi como se eu pudesse sentir junto à leitura. Cada etapa foi super importante para ele chegar no dia 28, uma data especial para toda a família agora, principalmente o fato de você ter foco no parto normal. Os 3 dias que ele precisava vc conseguiu dar a ele. Você não leu sobre cesária e acho que foi bom, pois esse fato tbm te ajudou a manter firme no seu objetivo e também deixou a vida te preparar para ser mãe, ou seja, aquele mundo que achamos que estamos tão informadas mas vem algo e nos surpreende né. Beijos e espero seus conselhos quando chegar a minha vez.

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      Mara Sartori Badin
      20 de junho de 2018 at 20:12

      Brunaaaaaaa você é muito demais !
      As suas palavras tocaram muito em mim, pois é exatamente isso: eu dei os dias que ele precisava… fiquei firme no meu objetivo é no final ele escolheu como deveria nascer. MUITO OBRIGADA por me dar está leitura dos fatos . Gosto muito de você ! E vou sim estar com você em sua jornada . Conte comigo

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