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Eu fraquejei (relato de parto – Dani Prado – Parte 2)

22 de julho de 2018

Respirei fundo, orei, chorei e levantei. Fui ao banheiro e assim que tirei o shorts o tampão saiu, sujando o tapete branco que ficou ótimo na foto que enviei ao meu obstetra. Como ele não visualizou a mensagem, liguei. Ele estava de plantão, sairia às 7h. Me pediu pra ir ao hospital, para que ele me examinasse, pois sim, estávamos entrando em trabalho de parto.

Eu tinha pensado milhões de vezes em como seria este momento, eu queria esperar em casa o máximo de tempo possível, mas na minha programação esqueci de contar com o imprevisto, ou melhor, com o previsto: o Rudney não estava comigo e ele era, naquela situação, a minha fortaleza, o meu backup de informações sobre o parto; ele sabia qual era a playlist que eu queria ouvir, quais eram os óleos essenciais que eu tinha comprado, qual era para colocar no difusor e qual era pra fazer massagem. Mas, ele não estava ali e naquele momento eu chorei porque sabia que dali pra frente nada mais estava sob meu controle; as coisas seriam como tivessem que ser e não como eu havia planejado. Chorei muito, sozinha, conversei com Deus e com meu filho. Desejei apenas chegar ao final daquele processo, feliz!

Respirei fundo e me concentrei. Liguei para minha tia, perguntei se ela poderia vir até a minha casa (ela disse que sim). Fui tomar banho, tomei um belo banho, bem gostoso.

Verifiquei se estava tudo ok para levar à maternidade.

O Rudney desembarcou em Campinas, meus sogros estavam indo buscá-lo lá de carro, pois o voo pra cá sairia só à tarde. Avisei o que estava acontecendo.

Enviei mensagem para as meninas do grupo, e recebi inúmeras mensagens de carinho.

 

As contrações eram ritmadas, vinham em intervalos uniformes mas, muito leves, como se fossem cólicas menstruais, pensei: se for assim vai ser teta (ahhhh tá).

Tomei café da manhã, peguei minhas coisas e saí, eu sabia que provavelmente só voltaria pra casa, com meu bebe nos braços.

Eu moro relativamente longe do hospital onde seria meu parto, no caminho até lá várias contrações. A barriga endurecia bastante, mas, as dores continuavam leves.

Cheguei ao Hospital da Clínicas, meu médico me esperava, ele perguntou se a bolsa havia rompido, eu disse que não, ele pediu para que eu me trocasse para ser examinada, e no momento em que tirei a calça, o líquido escorreu, falei de lá: “acho que acabou de romper Dr.” Ele fez um exame de toque, eu estava com 1cm de dilatação. Eram 8:30h, eu sabia que o melhor seria voltar para casa, mas pela primeira vez naquele dia, fraquejei e resolvi continuar lá. Fui internada. A sala de espera pré-parto do HC é de uso comum, acho que haviam pelo menos mais umas 7 macas, umas 3 ou 4 mulheres.

As enfermeiras me disseram que eu poderia ir ao chuveiro quente quando desejasse, que havia bola de pilates também. E me orientaram a caminhar.

Assim que consegui me ajeitar na maca, veio o café da manhã, eu comi um pão com chá, já estava com fome… Por volta das 10:00h “a chavinha virou!” As dores mudaram bruscamente de cólicas mentruais, para briga de gato-filhote-do-zé-do-caixão (não consigo uma descrição melhor). Eu me lembrei de respirar fundo, soltar os ar devagar, precisava oxigenar o cérebro. Me lembrei de pedir pra minha tia passar o óleo de lavanda no meu punho pois o aroma era analgésico. Me lembrei do que tinha lido sobre vocalizar a dor “esfincters abertos” mas, eu sou o tipo de pessoa que detesta incomodar os outros, e vocalizar a minha dor ali, onde outras mulheres estavam, eu não sabia em que condições. Onde médicos entravam e saiam da salinha ao lado (que era o quartinho deles dormirem), pra mim NÃO DAVA…

Resolvi tentar o chuveiro, foi uma viagem chegar até lá, embora apenas um corredor curto e uma sala o seperasse de onde eu estava, pareceu uma maratona, pois as dores vinham fortes, uma atrás da outra… fiquei um pouco lá, mas o chuveiro era péssimo, ou saía agua muito quente, ou meio fria, eu tinha que ficar mexendo no registro, desisti de lá.

Voltei para a maca, as dores aumentavam, fizeram um cardiotoco, tudo ótimo com o Pedro.

O Rudney chegou ao hospital ás 12:30h. Eu ainda conseguia conversar um pouco, embora as dores fossem muito fortes e constantes. Falei pra ele: está muitom punk, não tenho certeza se vou conseguir. Ele me disse: vai sim, nós vamos. Estou aqui!

Ele me ajudou a descer da maca, me disse para tentar caminhar, que me ajudaria mas, eu não conseguia dar três passos sem sentir dor, parava, me apoiava na maca… outra contração… ele tentou fazer massagem, eu não conseguia deixar, tudo naquele momento me incomodava.

A enfermeira me ofereceu a bola, eu aceitei, o Rudney me ajudou a descer, dar a volta na maca e sentar na bola (demorou uma eternidade para eu conseguir fazer isso). Saía muito líquido, e eu sentia muita dor. Ele me perguntou se eu queria ouvir música, eu disse que sim, ele colocou o fone nos meus ouvidos, a música eu queria, mas os fones me incomodavam… tirei. Ele perguntou se eu queria massagem, desta vez aceitei, ele fez nas costas, no quadril… foi bom mas, nada era capaz de diminuir meu incomodo, de diminuir aquela dor, fraquejei pela segunda vez: Eu disse pra ele: acho que eu não estou praparada, não nasci pra isso, não vou dar conta. E ele me respondeu que eu era forte e que daria sim. Eu confiei no que ele me dizia.

Tentamos o chuveiro novamente ( mais uma eternidade para chegar até lá), desta vez, fiquei menos tempo que da outra vez. Voltei pra maca e deitei, fizeram um novo cardiotoco, tudo ótimo com o Pedro. Fizeram um novo exame de toque, eu estava com 3cm. Era por volta de 16:00h, ao ouvir isso da médica, perguntei se poderia receber analgesia, ela disse que só com 8cm. Fraquejei pela terceira vez, deitei e me entreguei, não aguentaria continuar sentindo aquela dor, era muito além do que eu havia imaginado.

Uma hora depois, retornaram para mais um cardiotoco e em uma das contrações, eu vomitei, muito, quase dei um banho no Rudney. Minhas últimas forças acabaram ali.

Virei para o Rudney e disse: chega, eu não aguento mais, esquece tudo o que eu te falei sobre parto normal, eu não nasci pra isso.

Pedi para ligarem para o meu médico. Ele chegou 40 minutos depois. Segurou minha mão, pois eu estava passando por mais uma contração. Ele me disse que se eu quisesse, poderíamos esperar, mas eu teria que caminhar, usar a bola, pois se eu ficasse deitada poderia demorar muito. Eu, havia desistido já, pedi por favor, pra que ele fisesse uma cesárea.

Aguardei um tempinho enquanto preparavam a sala de cirurgia, o Rudney precisou ir se preparar e guardar as nossas coisas. Não me lembro ao certo quem me levou ao centro cirúrgico, mas me lembro da dor que senti no caminho, a física e a emocional, por não ter conseguido o que eu tanto desejei.

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