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Sobre não desistir

26 de outubro de 2018

Sempre fui uma pessoa ansiosa e muito preocupada. Penso demais! Fico pensando o que poderá acontecer se ‘tal coisa acontecer’, sofro antecipadamente  e, com isso, fico mais ansiosa e estressada. Já tentei mudar isso, mas, quanto mais responsabilidade tenho na vida, mais eu penso e penso. Já li sobre a existência de uma síndrome  do pensamento acelerado. Estou certa de sofrer de tal síndrome.
Já fiz  tratamento  para depressão, ansiedade e bastante  terapia. Gostaria de voltar à terapia, mas hoje, com a Marina de 6 meses, o Felipe com 13 anos, casa, serviço e tudo mais; fica, praticamente, impossível. Um dia voltarei. Essa é uma meta e quando penso  nisso (olha eu pensando de novo) já sinto dó da psicóloga.
Sempre pensei que se tivesse um filho, se chamaria Marina. Este nome sempre foi o meu escolhido, na verdade sempre senti que seria ela.
Mas eu tinha medo, muito medo de não conseguir  ser uma boa mãe, de não conseguir ficar sem dormir, de não conseguir amamentar, de não saber ouvir a tal intuição materna. Por várias vezes  eu desisti. Cheguei a pensar, muitas vezes, em adotar uma criança; morro de dó só de pensar que várias crianças estão sem uma família. Até que um dia ouvi uma frase: NUNCA DESISTA DAQUILO QUE  VOCÊ PENSA TODOS OS DIAS!

Esta frase ecoou na minha alma. E eu me dei conta que todos os dias eu pensava na Marina, em ter ou não ter um bebê, no medo que eu tinha e até  no medo de me arrepender por não ter tentado. Aí conversei com meu marido e disse que andava pensando em algo, e ele me conhecendo respondeu que não era novidade eu estar pensando em algo. Disse de pronto: “eu  queria tentar engravidar, tenho 34 anos e essa é a hora!” Ele assustou e eu já completei a frase: “se vc não quiser ser o pai, eu vou arrumar outro”.
O marido pediu que eu esperasse ele terminar a pós graduação devido gastos e ao pouco tempo que tinha para se dedicar a nós. Eu não aceitei. Disse que não sabia quanto tempo demoraria para engravidar porque achava que demoraria, mas, não foi bem assim.  Parei de tomar anticoncepcional em janeiro de 2017 e em fevereiro eu estava grávida.
Quando  vi o resultado, fiquei muito feliz mas, ao mesmo tempo, tive medo. Como seria? Bem, não adiantava mais ter medo. Teria que criar coragem e prosseguir. Na gestação, tive sangramento e fiquei 15 dias em repouso absoluto. Durante estes dias o medo me consumiu. Eu não  queria perder minha bebê. Rezei muito e pedi muito para que Deus deixasse a Má ‘grudadinha’ em mim.
A cada ultrassom a bolsa gestacional ‘grudava’ um pouquinho mais e eu ficava um pouco mais leve. Após esse susto tive vários outros medos: tive que tomar alguns remédios devido a algumas infecções, tive hemorróidas inflamadas desde o primeiro mês e o sonho do PN ficava cada vez mais longe.  Por fim tive que fazer cesárea com 40 semanas, Não aguentava mais a dor que sentia e graças a Deus foi tudo bem.

Quando a Má veio pra casa, tive mais medo ainda: eu e meu marido sozinhos com aquela bebê tão frágil. Como seria? Tive medo de afogar ela no banho, tive medo dela  não sugar o peito (e ela não sugava muito e emagrecia), tive medo dela fazer confusão de bicos e largar o peito, tive medo dela sufocar durante a noite e eu não ouvir, tive medo do umbigo não cair, tive medo de ela estar com frio, tive medo dela não se sentir amada… Ela tem 6 meses e 4 semanas e eu…. continuo com medo rs.
Mas graças  a uma osteopata muito especial, a Lia Maggian Casadio, conheci esse grupo de mamães  da vida real e pude perceber que meus medos também são os mesmos dos de várias mães e isso me ajudou a ter mais  coragem, mais segurança. Vi que e eu não estava mais sozinha.
Ainda tenho muitos medos. Eu queria ser uma mãe perfeita mas, sou humana. Tenho tentado controlar meus medos de uma forma  melhor. Hoje meu maior medo é que ela não seja feliz. Desejo que ela seja corajosa e que ela saiba que, mesmo com medo, estarei sempre ao lado dela, sempre que ela quiser.

 

 

 

 

Juliana, mãe do Fe da Kika (cachorra)e da Marina.

Assistente Social.

 

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