GESTAÇĀO MAMÃES REAIS MATERNIDADE

Sobre não poder dormir, emburrecer e desejar morrer (quase) todos os dias

10 de setembro de 2018

Durante a minha gestação li inúmeros livros, cerca de vinte ou trinta; quase nenhum relacionado à gravidez. Eu não queria ler, por exemplo, ‘O que esperar quando se está esperando?’, na verdade, eu não queria ler nada porque eu sempre fui a louca do Google. Como assim? Deixa eu explicar. Suponhamos que eu estivesse com uma pinta no dedo mindinho. Eu ia lá no Google e digitava: ‘pinta no dedo mindinho’. Pois bem , passadas algumas páginas eu descobria que estava em estágio de câncer terminallllllllllllllllllllllll.
Diante desta minha ânsia pelo saber, decidi que leria romances e ficaria de boa esperando a Aninha sair do forno. Li e inclusive escrevi um livro sobre ‘A mulher que não queria ser mãe e… foi’ (ainda sendo editado e espero que em breve lançado) Enfim, eu não queria saber sobre o ultrassom de translucência nucal ou sobre aquele lá pelas vinte e poucas semanas para ver se todos os órgãos estariam lá. Ignorância da minha parte? Talvez… É que eu já era tão doida que se lesse que algo pudesse dar errado, já ia concentrar toda energia naquilo e, possivelmente, daria errado.
Pois bem, entrei de repouso antecipado por conta daquele sangramento lá do início, lembram? O fatídico dia coincidiu com a chegada das férias escolares e eu acabei passando mais tempo de ‘pré-licença’ para após duas semanas de trabalho, entrar de licença de fato. Só que estar em casa, afastada do trabalho, é legal quando as outras pessoas também estão e você pode fazer um monte de coisas porque tem tempo livre. Porém, estar em casa sob a orientação de “se for tomar um sorvete, pronto! Já fez sua atividade do dia. Volte para casa e repouse.” Manooooooo, que coisa chata! Mas, coloquei a leitura em dia.
Simplesmente não adianta dizer para uma grávida “Durma o máximo que conseguir antes da chegada do bebê” um porque de que adianta dormir o máximo que puder se não dá para acumular o sono e ir creditando em todas aquelas noites que você (certamente) ficará acordada e dois porque chega uma hora que a barriga não te deixa dormir, o nariz entope, você ronca e tem que levantar de 5 em 5 minutos para fazer xixi. Então, esse lance de dormir o máximo que puder, é a maior furada.
Depois que a criança nasce seu relógio passa a contar de 3 em 3 horas (se Deus te amar), de 2 em 2 horas (se Deus ainda te quer bem) ou de 1 em 1 hora (se Deus se esqueceu completamente de você). Sua vida passa a ser regrada na dinâmica do seu baby e todo aquele sono que você dormiu antes dele nascer significa NADA. Ana Clara acordava de 3 em 3 horas, mas, depois que mamava, tinha refluxo e chorava por 1 hora e meia. Ou seja, na verdade, dormia 1 hora e meia e, até eu estar pronta para dormir, ela já tinha acordado de novo.
Eu sempre adorei dormir (e ainda adoro, só não posso mais) e sofro muito com o excesso de sono acumulado. Sofro a ponto de isto abalar minha saúde mental e eu ficar nervosa; a ponto de estar dando aulas e o meu cérebro dizer “se lascou, não dormiu? Vou desligar agora!” E desligaaa! E eu falo alguma asneira por um segundo e depois ele liga novamente e eu fico: “Oi, o que aconteceu?” Não dormir deixa a gente biruta demais! Bom, eu pelo menos, fico. O fato de não poder dormir só piora a minha condição mental.
Eu já tinha lido inúmeros artigos que falavam sobre a perda de memória decorrente da gravidez. Eles afirmam que isto acontece porque aquela atenção que era dada à memória agora passa a se concentrar no amor, carinho e cuidados que a mãe despende com o bebê. Aí que te pergunto: “Mano, por que não tira a gordura da minha barriga e não a minha memória? Por que?” Ia ser tão mais bacana! E o pior é que os estudos ainda afirmam que ela só volta ao ‘normal’ dois anos depois. D O I S A N O S! Eu não sei você, mas, eu estou na contagem regressiva aqui.
Tem dias que tudo isso acumula de uma tal maneira, o sono, a falta de memória que eu juro: já desejei ter um mini infarto. Aos sete meses, eu pedi (Deus é testemunha) para morrer. Aquele pico(A) dos sete meses deixa qualquer um louco! Eu dizia em alto e bom som ao tentar fazer a Ana Clara dormir: “Deus, por favor, me leva! A madrinha dela cuidará dela, ela não ficará desamparada nesta vida!” Engraçado que nem na hora de pedir a (possível) morte eu pensei que o pai era quem cuidaria dela! Hahahahahaha
O que eu posso dizer é que eu ainda não durmo o tanto que eu queria; eu ainda não voltei a ter tempo para ler livros e minha memória continua um fiasco; e eu penso, esporadicamente, em ter aquele mini infarto para descansar uns três dias no hospital. Mas, apesar de tudo isso, eu penso que é tão bacana ver a minha menina suuuuuuper arteira dando aquele sorriso mais que especial e gritando de lá do bercinho dela ao acordar: “Mãe, mamãe, manhêeeeeeeeee… mãe, mamãe, manhêeeeeeeeee!” que, no mesmo instante, eu peço perdão para Deus e falo: “Ok vai! Espera até ela se formar na faculdade para eu morrer… não, até ela casar… tá bom vai, até os netos nascerem… e se formarem!” Hahahahaha

 

Fabiana Paganini, mãe da Ana Clara.

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1 Comment

  • Reply
    Juliana
    10 de setembro de 2018 at 17:41

    Manooo Te amo viu.

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