BEBÊ BLW familia INTRODUÇĀO ALIMENTAR MAMÃES REAIS MATERNIDADE REDE DE APOIO

Todo mundo ‘vê as pingas que eu bebo, mas, ninguém vê os tombos que eu levo’

20 de agosto de 2018

É incrível como a vida dos outros é tão perfeita e a sua é uma calamidade. Já repararam que nos grupos de mães tem sempre uma mãe que está feliz, nunca reclama, tem jornada ‘tetra, penta, hexa’ em casa e, ainda assim, elogia o marido, a sogra, o papagaio do vizinho que grita o dia inteiro e manda fotos sorrindo com os filhos de banho tomado, alimentados, lindos e felizes?
Ou ainda tem sempre aquela pessoa que manda um link para uma página com uma mãe que pede para todas as outras pararem de reclamar que acordam mil vezes durante a noite, ou que o filho chora demais, ou que o marido ajuda de menos; porque ela, a mãe em questão, tem um filho hospitalizado e não tem a chance de passar por nenhuma dessas situações.
Já repararam? Uma coisa é ter compaixão, se compadecer com o sofrimento alheio e tentar ajudar na medida do possível; outra coisa completamente diferente é parar de reclamar ou lamentar por algumas situações porque tem gente pior que você. Qual é o limiar entre o que eu posso fazer e o que eu não posso com base na vida das outras pessoas? Aliás, eu tenho que me espelhar na vida das outras pessoas ou aprender e tentar colocar na minha vida os ensinamentos que eu julgo válidos?
Agora o que acaba com o meu dia é receber um link de uma mãe linda, loira, cabelos longos e sedosos, corpo escultural (ou barrigão maraaaaa!) e seis filhos DELA! Manoooo, isso só desmotiva! A real legenda desta foto não deveria ser “Felicidade resume!”; mas sim “Aqui temos 3 babás, 6 faxineiras, 2 cozinheiras, massagista, academia em casa, cabeleireiro à disposição e ‘um monte de gente me patrocinando para eu poder tirar essas fotos lindas e acabar com o seu dia mamãe de verdade’. Então fica tranquila, se você não está assim é porque não conta com todos estes privilégios que eu tenho. Tenha um bom dia!”
Pronto! Eu ia pensar! “Cara, agora sim! Vamos trocar essa fralda de cocô que vazou no body! Uhuuuulllll!” Mas, o que a gente mais encontra é um bando de mães tristes achando que não fazem nada de concreto porque passam o dia todo em casa ‘só apagando incêndio’ e achando que não está fazendo nada para o desenvolvimento da criança.
O que nos falta é olhar para nós mesmas e colocarmos no papel tudo o que fazemos de bom e nos orgulhamos de fazer e, do outro lado, tudo aquilo que ‘achamos’ que fazemos errado. Acreditem: o saldo será sempre maior do lado do que fazemos de bom e do quanto nos esforçamos. Estamos tãaaaaooooo preocupadas se o nosso filho come BLW que esquecemos que o importante é se alimentar; tão preocupadas se ele conhece texturas que nos esquecemos de deixá-lo descalço na grama do quintal; tão preocupados se ele vai se sujar que nos esquecemos que só se adquire anticorpos em contato com a ‘vitamina S’ (sujeira); tão preocupados em mantê-lo entretido que nos esquecemos que o tédio é tão importante quanto felicidade/tristeza, sucesso/fracasso e que uma coisa não vive sem a outra.
Por fim, estamos tão preocupados em olhar para a vida do outro achando que é uma maravilha que nos esquecemos de voltar nossa atenção e olhares para o nosso filho! Mamães, não se esqueçam e, se possível, repitam como um mantra: “Não posso medir a minha vida com a régua do vizinho”. Os seus problemas, aflições, dúvidas, incertezas, reclamações etc. são só seus e é você quem sabe o quanto eles te afetam.
Se eu pudesse te dizer algo para amenizar toda e qualquer sensação de ‘eu não faço nada’, eu te diria para ADMIRAR a vida das outras mães, mas, acima de tudo, saber dosar e entender que, muito certamente, a vida dela não se encaixa em nada na sua por ‘N’ motivos; RESPEITAR os seus limites e saber que você pode sim reclamar do seu companheiro, do papagaio da vizinha (principalmente se ele acordar seu bebê na hora da soneca! CreiInDeusPai, não quero nem pensar) e PARAR de admirar as blogueiras que são mães porque ali amigas, a vida é tão real quanto nota de R$3!
Aprenda e entenda que você é única assim como suas atitudes diante da vida! Abrace com carinho seu pedacinho de gente e diga: “Estamos aprendendo”.

Fabiana Paganini, 36 anos, mãe da BB. Ursa

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2 Comments

  • Reply
    Juliana
    20 de agosto de 2018 at 20:59

    EU TE AMOOOOO. OBRIGADA AMIGA.

  • Reply
    Fernanda
    22 de agosto de 2018 at 17:14

    Fabi, lindeza, que texto!
    Hoje, especificamente, estava sentindo-me assim: “Só eu que não consigo fazer minha filha me obedecer sem antes gritar com ela, ela jogar tudo o que vê em mim, assustar a mais nova e receber um ou da portaria para se certificar que não nos matamos?”
    Sabe o que fiz para acalmar meu coração aflita de mãe? Vim até aqui! E me deparei com este texto! Obrigada!

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