MAMÃES REAIS MATERNIDADE

Um ciclo que não se fecha

7 de novembro de 2018

Dos primeiros choros às primeiras palavras escritas na sala de aula não me lembro bem. Às vezes, vêm flashes em minha memória com sabor de infância que gostaria de congelar por alguns instantes, pois estes têm sabor de algodão doce, pirulitos e uma boca melecada de prazer.

Lembro-me das palavras de minha mãe dizendo, quando minha irmã mais nova nasceu: um dia você vai crescer e ter um bebê igual a este. Eu rodeava a cama e ficava observando a incapacidade dela, minha irmã, pois nada podia fazer, senão chorar. Hoje, sei a competência deste choro:  linguagem universal que NENHUMA MÃE REAL despreza, desvaloriza. Elas, como primatas, olham fixamente para o bebê e tentam desvendar o mistério do choro. Se não conseguem, choram junto do bebê.

Aí está uma possibilidade de impressão errada. Sim, muitos afirmam que, neste momento, são fracas, são incapazes…Ah, ledo engano! São NADA! Naquele instante, ocorre a magia da força interior e uma sabedoria, nominemos divina, em todos os sentidos, que enlaça, abraça, se abraça ao toque, que toca e se resolve. Neste misto intenso, há uma evolução de conhecer e de se conhecer…

Mães são ternuras divinas que, sim, reclamam; mas, guardam um universo de sensações, emoções as quais SER nenhum é capaz de descobrir, decifrar. Alegrias, dores, dúvidas, questionamentos, olhares, resultam desde uma dor na boca do estômago até noites insones e intensas em reflexões. Além disso, se precisar, tornam-se guerreiras cuja batalha é vencida desde um simples olhar a palavras carregadas de sentidos incontestáveis.

E, esta percepção as levam a um patamar inquestionável: mesmo distantes, sabem que os filhos necessitam de algo, esqueceram-se de algo, deixaram de comer, beber, vestir-se. Prova disto, são as chamadas telefônicas ou indagações quando se encontram, cuja resposta seja do filho(a) ou de quem a “substituiu”: COMO você SABE DISSO? A resposta da mãe é sempre a mesma, em esboço de sorriso: SOU A MÃE!

Olhando para cada uma delas, muitos as veem desgrenhadas, acima/abaixo do peso, com olheiras, correndo para comemorações em rabos de cavalo, mas nas costas vão a mochila como se fosse a cartola do mágico: do que a cria precisar, está lá.

Num dado momento, elas olham para seus filhos e percebem que o tempo está passando rápido demais…está sobrando tempo para as unhas, para o cabelo, para ela…explosões de choros, mas uma força inigualável lhe diz: é tempo de abrir seus braços, é tempo de, incondicionalmente, deixá-los partir como a magia do primeiro passo que deram e você acreditou que eles pudessem cair. Não…já são independentes, já pensam sozinhos, embora peçam muitas opiniões…

Em tempo, olharemos para nós mesmas e descobriremos que MÃES são seres que amam intensa e incondicionalmente, que acenam com vontade de agarrar, que riem com vontade de chorar, mas que aplaudem o seu sucesso, pois saberão, naquele instante, que exerceram seu papel como a melhor protagonista do universo e entendem que filhos são pássaros que seguirão seu destino, mas levarão, sem saber, na bagagem, aquela mochila mágica. Esta um dia se abrirá e dela sairão todo aprendizado, todo amor, toda lembrança, toda ternura doada a eles a cada dia de suas vidas compartilhadas com nós, mães.

Por isso, e muitas ações mais, guardadas em cada uma de nós, feliz dia das mães a cada gesto, a cada suspiro, a cada abraço! E… que estejamos preparadas para, um dia, dizermos: vá, siga o ciclo, meu maior amor!

 

 

 

 

Selma, uma mãe.

 

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