FAMÍLIA MATERNIDADE

Um é pouco, um é bom, um é demais!

4 de janeiro de 2019

Não é segredo, para quem acompanha meus textos, que minha gestação não foi planejada. A maternidade não fazia parte dos meus planos, mas sempre que ela era assunto eu dizia: se for ter, quero pelo menos dois! Confuso, né? Não quero, mas quero dois kkkkk, pois é.

Minha mãe gerou três filhos, o primeiro foi adotado por outra família e nós nos conhecemos alguns dias antes de eu completar 30 anos (mas, isso é história para outro post ou outro blog ou para uma novela, quem sabe!). Eu e outro menino que faleceu ainda bebê (pelo que me lembro de ouvir alguém contar, quando eu era criança). Teoricamente, tenho um irmão, mas, na prática, sou filha única e meu marido também. Qual a importância disso? Pra mim, imensa!

Embora eu fosse filha única, cresci rodeada por primos. Eu e minha prima mais nova, Camila, morávamos com meus avós. Meus dois primos Júlia e Mateus sempre estavam em casa, pois, estudavam perto, moravam perto. Tinha também o Raí que era da mesma idade deles…

A casa estava sempre cheia e as brincadeiras na rua sempre tinham contingente suficiente para qualquer jogo. Além de brincar, tem algo que criança adora fazer: observar os adultos… e eu tinha um monte deles para observar. Quando me mudei para a casa dos meus avós, éramos eu, a Camila, meus avós e mais seis tios adultos e um adolescente! Imaginem a festa!

Pensando nisso, e sabendo que por sermos filhos únicos, o Pedro jamais terá esse tipo de experiência e consequentemente esses tipo de lembrança, penso que UM É POUCO!

Apesar de não planejada, ao ser descoberta a gravidez, eu sabia que cabia a mim escolher naquele momento se passaria uma vida lamentando o filho que chegou de repente ou se assumiria esse papel de peito aberto. Optei pela segunda opção ainda que cheia de medos, de sombras do passado e de certezas que foram se desfazendo ao longo dos últimos 14 meses.

Apesar de bem disposta e cheia de vontade de exercer meu novo cargo, a maternidade é uma caixinha de surpresas. O puerpério acho que só tem data de chegada. Hoje ele passa por aqui muito raramente, mas, não sei se a partida definitiva está próxima. Tem dias que tudo o que eu desejo é ter um buraco para me esconder. Quando vejo minhas amigas fazendo viagens incríveis, sabendo que eu poderia estar junto, tenho vontade de chorar. Quando penso que “os embalos de sábado à noite” nunca mais serão os mesmos, tenho vontade de gritar. Quando recebo uma mordida, um arranhão ou um brinquedo voador que pousa sobre meu rosto, quero apenas saber: onde é a próxima parada em que posso descer?

  • Gostaria de fazer cocô sem precisar ficar tirando o menino de cima do balde de lixo ou evitando que ele chupe a escova de limpar a privada;
  • Gostaria de tomar café da manhã sem ter que dividir meu pão, empurrar o jogo americano para o meio da mesa ou levantar a cada 10 segundos para segurar a criança que insiste em sair do sofá caminhando de frente;
  • Gostaria de ir ao cinema sem ter que passar o filme todo segurando a criança que achou divertido subir as escadas no escuro;
  • Gostaria de tantas coisas que são possíveis mas, extremamente difíceis na atual circunstância que tenho certeza que: UM É DEMAIS!

Mas, acredito que o segredo da vida é o equilíbrio, sendo assim, cheguei à conclusão que: UM É BOM! UM É ÓTIMO, na verdade.

Eu aaaaamoooo esse pinguinho de gente como nunca amei ninguém.

  • Ele me faz feliz;
  • Ele suga, mas também renova as minhas energias diariamente;
  • Ele me faz evoluir, me faz crescer, melhorar a cada nova experiência;
  • Ele me faz ser mais paciente e também perder a paciência com mais facilidade;
  • Ele me faz coisas que me provocam o choro de tristeza, de cansaço, mas me provocam também um choro de alegria, de orgulho e de gratidão.

Toda decisão exige de nós desafios. Ter um único filho, exige uma atenção redobrada ao equilíbrio: para não dar demais, não exigir demais, não sufocar demais.

  • Exige trabalhar para que ele seja gente boa, pois assim viverá rodeado de amigos e escolherá seus “irmãos”;
  • Exige viver o presente, com muita atenção aos detalhes, com muita dedicação, pois essa experiência talvez não será repetida;
  • Exige esforço: você só terá uma chance para acertar;
  • Exige mente sã, você tem o direito de errar;
  • Exige um olhar atento ao que deve ser guardado e ao que pode ser passado pra frente.

Mas, com um só…

  • não preciso aumentar a quantidade de quartos;
  • não preciso trocar o carro;
  • não preciso abrir mão daquela viagens dos sonhos (embora ela esteja na nuvem, por tempo indeterminado);
  • não preciso me preocupar se vou perder um filho, quando o outro sair correndo no shopping, pois esse outro não existirá;
  • não precisarei apartar brigas, não precisarei me preocupar com: “fiz para o fulano e agora não tenho condições de fazer para o ciclano”.

Enfim, isso tudo era só pra comunicar que a fila será única, para quem deseja ser minha nora kkkkk!

É claro que eu sou mulher, humana, taurina, posso mudar de opinião, mas por hora: Pedro não terá irmãos!

 

Dani Prado, mãe de um filho só, o Pedro.

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