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Vamos falar de dor?

18 de maio de 2018

Quando “maternidade” e “dor” ocupam o mesmo assunto, normalmente a conversa é sobre parto. Quem me dera fosse essa toda a dor sentida.

Ao primeiro sinal de menstruação atrasada, meus seios doíam só de serem olhados, tocá-los era impossível.

Durante a gestação, meu corpo adquiriu vida própria: não atendia aos meus comandos, a prioridade dele era “fabricar” meu bebê. Um bolo gostoso, virava dor no estômago, uma caminhada leve virava dor de cabeça e um cochilo bobo, podia virar uma bela dor nas costas. No finalzinho, uma dor no nervo ciático tornou minha vida um pouco mais lenta.

No dia 23 de julho de 2017, às 5:30h uma dor me acordou, era leve, mas eu sabia o que ela significava, era o sinal de que meu filho estava pronto para vir ao mundo. Durante o começo da manhã, eu sentia dores leves, como se fossem cólicas menstruais. Mas por volta das 10:00h, algo mudou e as dores se intensificaram. Elas eram fortes e constantes. Tanto, que de tanto sentir dor, vomitei. Implorei por analgesia. Repetia para o meu marido: dói demais, eu não nasci pra isso, eu não dou conta. E não dei. E isso virou dor emocional… mais tarde.

Pedi ao meu médico que me levasse para o centro cirúrgico.

A dor se dissipou no momento em que fui anestesiada.

O Pedro nasceu às 19:59h, via cesárea.

A dor da cirurgia veio no dia seguinte e permaneceu aqui por quase um mês.

No dia seguinte vieram as dores da amamentação que, pra mim, eram insuportáveis naquele momento. Não conseguia mantê-lo mamando e isso fez com que ficássemos um dia a mais no hospital e que saíssemos de lá com uma indicação médica de uso de complemento alimentar. Isso me doeu na alma.

A volta pra casa foi ao mesmo tempo um alívio e um horror: me doía a barriga por conta da cesárea, os seios pelas tentativas de amamentar, as costas por ter um pacotinho no colo dia e noite, literalmente, eu dormi um mês e meio, com o Pedro no colo, pois era a única maneira que eu conseguia descansar um pouco. Doíam os olhos, pela privação de sono, doía o coração por não conseguir amamentar e, para completar, doía ver meu filho sentindo dor: ele teve cólicas por quinze dias e intestino preso por dez.

Tentei até conseguir – sob muita dor de tanto massagear os seios para dissolver os nódulos de leite que se formavam – com quinze dias de vida, amamentar meu filho exclusivamente com meu leite. As cólicas se foram, a dor intestinal dele também.

A amamentação, que eu tanto sonhei, nunca foi o que a pediatra me falou: um momento de prazer. Veja bem, eu amo amamentar, pelo fato de saber que meu filho está saudável, bem nutrido e está recebendo o melhor alimento para o início de sua vida. Mas, eu tenho psoríase (leia mais no texto: Psoríase – aquela mancha vermelha no cotovelo), e saiu uma lesão no meu seio esquerdo. A lesão deixa o mamilo extremamente sensível, o que provoca muita dor a cada mamada, e a pele ressecada, que já “abriu” algumas vezes. A dor que sinto hoje, é imensamente maior que a do início, mas o amor também é, e isso faz com que eu a suporte, mesmo que, por vezes, eu precise recorrer a uma toalha para morder.

Hoje, nove meses após o parto, sinto dores gostosas de mãozinhas que batem em mim como forma de carinho, de cabeçadas descoordenadas que me acertam o queixo, de pulinhos na minha barriga e nos braços, porque o pacotinho virou um pacotão de quase dez quilos graças às dores suportadas.

Se você pensa em ter filhos a intenção deste texto não é te assustar; é apenas te dizer que existem muitas outras dores, além da do parto. E se você já está passando por elas, queria só te dizer que mais pessoas passam por elas, mas existe um futuro, e ele chega rápido. Curta a parte boa e fale sobre a parte ruim. Chore, grite se precisar, não se cale. Não fique sozinha, isso dói demais!

 

Dani Prado, 34 anos

Mãe do Pedro de 9meses

artesã, leitora apaixonada e corredora fora de atividade.

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